A estratégia palestina: Vencer pelo útero

Desde a fundação do Estado de Israel, uma nuvem tenebrosa paira sobre a cabeça dos judeus. Esta não é a nuvem do holocausto nazista dos campos de extermínio, não se trata das muitas guerras impostas ao Povo de Israel durante este 70 anos de independência. Não se trata das ameaças proferidas por Hassan Nasrallah, o lider do Hezbollah, ou pela liderança fanática do Irã ou dos Palestinos que vivem na Judeia, Samaria e Gaza.

Esta nuvem tenebrosa é algo que não podemos ver claramente, mas que se torna cada vez mais obscura e cada vez mais ameaçadora. Já haviam judeus israelenses preocupados com isso desde que o Estado de Israel venceu a Guerra dos Seis Dias e anexou o Golan, a Judeia, a Samaria e Gaza. Estes são conhecidos como políticos de esquerda, normalmente odiados pelos nacionalistas que são hoje a grande maioria no país. Biblicamente falando, poderíamos chamá-los de profetas moderno. Eles sugerem que se o Estado de Israel não fizer um acordo de paz com os árabes, no final das contas, perderá sua identidade judaica e sucumbirá.

Durante as últimas décadas, o Estado de Israel sentiu-se ameaçado de extermínio por tanques e caças que avançaram contra ele, mas que milagrosamente acabou por prevalecer e se fortalecer após cada conflito. Os palestinos por sua vez, desde a Fundação do Estado de Israel sempre exigiram o extermínio do Estado Judaico e a aplicação de um governo islâmico. Um governo islâmico acabaria com a liberdade religiosa existente em Israel e exterminaria o sonho judaico de permanecer na terra de seus ancestrais. Como nunca foi proposto aos palestinos a loucura de exterminar os judeus, eles sempre optaram pelo que sempre estiveram certos, que o útero da mulher árabe poderá vencer o útero da mulher judia.

Estratégia palestina – Como assim vencer pelo útero?

Os profetas modernos da esquerda israelense acreditavam e ainda acreditam no mantra de que o ventre palestino vencerá o judaico, o crescimento demográfico dos árabes de alguma forma vai garantir a eles a maioria. Se ainda estamos falando de um país democrático, onde os direitos de votar e ser votado são iguais para Judeus e Árabes, a catástrofe inevitável será de que um dia o Primeiro Ministro do Estado de Israel seria um árabe, e aí, seria o fim dos judeus.

Diante de um quadro tão negro, vamos tentar analisar a metodologia palestina. O silêncio neste caso, a recusa, a rebeldia deles não é de fato para levar o Estado de Israel a uma guerra contra os palestinos, mas sim uma forma de comprar tempo. Ainda, segundo o que podemos verificar, se a taxa da natividade palestina continuar no mesmo ritmo, uma anexação do território por parte do Estado de Israel se transformará em uma armadilha contra os judeus. Em poucos anos, os árabes serão a maioria, e o terror contra eles seria uma política do novo estado de maioria árabe. Este é o maior medo dos políticos de esquerda no Estado de Israel e é por este motivo que eles estão dispostos a quase tudo para derrubar os governos de direita que pregam a anexação dos territórios.

Segundo estatísticas dos próprios dos palestinos, mas que não foram confirmadas, então não são confiáveis, vivem nos territórios palestinos, incluindo Gaza e na Judeia e Samaria, cerca de 5 milhões de habitantes com cidadania palestina. Segundo as estatísticas de Israel, os judeus e de origem judaica são cerca de 6,5 milhões de habitantes. Cerca de 1,8 milhões são árabes israelenses que tem direitos completos como cidadãos do Estado de Israel. Agora, se hoje o Estado de Israel anexar os territórios palestinos e der direito de voto aos árabes, eles já são maioria, ou seja, 6,8 milhões de habitantes com direito ao voto que certamente votariam em um primeiro ministro árabe. Enquanto os judeus com apenas 6,5 milhões de habitantes não conseguiriam vencer os árabes.

A anexação dos territórios palestinos se tornaria segundo este quadro atual em uma verdadeira catástrofe para o recém-nascido em termos históricos, Estado Judeus. Os judeus que tiveram que lutar para sobreviver ao holocausto a cerca de 75 anos atrás, agora se encontrariam, por causa da democracia, em risco de serem massacrados e exterminados novamente.

Uma história de milagres

Para quem ler este artigo, pode pensar que a situação já esteve melhor, mas está completamente enganado, a corda sempre esteve no pescoço dos judeus, e nada mudou, assim era a cerca de 2000 anos atrás e assim é nos dias de hoje. Há cerca de 2000 anos atrás os judeus eram controlados pelos romanos, haviam na Terra de Israel tantos estrangeiros quanto judeus. Haviam cidades e vilarejos inteiros cuja maioria era grega-romana. Cidades grego-romanas grande nem mesmo era citadas na Bíblia com algumas exceções como Cesaréia Marítima, Cesaréia Felipe, Tiberiades e etc. É verdade que estas também tinham maioria judaica mas eram considerada Polis, ou seja, cidades gregas autônomas. Outras cidades de maioria absoluta grega não foram se quer mencionada no Novo Testamento como Kursi, Sussita e Seforis. O motivo é que o Novo Testamento tanto como o Velho Testamento trazem uma mensagem cuja base é a sociedade israelita e judaica em especial.

Nos dias de hoje, baseados nos historiadores e na arqueologia podemos aprender que haviam também muitos edumeus, nabateus, árabes, sírios, egípcios, etíopes e alista é grande. Mas sem dúvida alguma a dominação cultural e espiritual era judaica. O Judaísmo estava no auge e atraia milhões de todo Mundo, desde a Pérsia até a Espanha. O Povo de Israel nunca sobreviveu por ser maioria, mas justamente por ser um povo relativamente pequeno, porém protegido pelo altíssimo, e este sempre foi o diferencial. Mas quando os romanos chegaram e após a rejeição do messias, Jesus, tudo parece ter mudado até cerca de 150 anos atrás com as primeiras grandes imigrações judaicas.

Davi e Golias

A razão pela qual o Povo de Israel sucumbiu durante o Holocausto ainda é uma grande questão que mesmo os historiadores e teólogos mais experientes tem dificuldade de explicar. Mas desde que os Judeus começaram a se voltar para a terra dos seus antepassado, parece que este povo revive todos os dias aquela batalha entre Davi e Golias. AO mesmo tempo em que os judeus começaram a chegar da Europa no final do século XIX, os rumores deste movimento também chegaram aos países árabes que geraram uma onda de migração para a Terra de Israel praticamente sincronizada com os judeus. Hoje se você perguntar seriamente a origem de cada família árabe em Israel, a reposta nunca será a mesma. A primeira reposta será daqui, isto para justificar o direito a terra. Mas se você tiver alguma intimidade e insistir, eles se abriram e vão falar. Já encontrei com árabes cujas famílias vieram do Egito, outros da Síria, outros da Líbia, da Tunisia, do Líbano, da Arábia Saudita, do Sudão e creio que a lista pode chegar facilmente a dezenas de nações. Da mesma foram que os judeus chegavam para colonizar sua terra de herança, os árabes chegavam em busca de comércio e trabalho com os judeus que vinha com dinheiro da Europa.

Os judeus por sua vez enfrentaram as limitações impostas pelos Britânicos que impuseram quotas para imigrantes. Muitos deles foram barrados nos portos e enviados de volta para morrerem em campos nazistas. Outros tiveram seu navio bombardeado e foram afogados na Baia de Haifa. Como sei disso? Eu tive o privilégio de conhecer um senhor idoso que morava em Haifa. Seu sobre nome era Ben Gal, então um dia, quando ele estava mais descontraído perguntei a origem do seu sobre nome, e o que ele me contou foi incrível. Ele tinha apenas 10 anos, estava em um dos navios de imigrantes judeus que foi bombardeado. Ele foi um dos poucos sobreviventes, foi acolhido por uma família que já vivia em Israel e lhe deram este sobre nome para lembrar que ele foi salvo de morrer afogado, Ben Gal significa – Filho das Ondas.

Em um censo realizado em 1931, a população foi dividida pela religião da seguinte forma: 759.717 muçulmanos, 174.610 judeus, 91.398 cristãos, 9.148 Druzes, 350 Bahais, 182 samaritanos e 421 “sem religião”.

Ou seja, já naquela época os judeus eram minoria. Em 1947, vésperas da Proclamação do Estado de Israel a população dos judeus era de 600.000, a de muçulmanos já era de 1.181.000, ou seja o dobro. De cristãos era de 180.000. Sempre foi uma questão de Davi e Golias, e que fique claro que Davi são os judeus, e Golias os não Judeus. A cada guerra que passava, a esperança muçulmana era sufocar os judeus, fazer com eles abandonassem o território, mas a cada conflito aconteceu o contrário. Os árabes foram abandonando ou sendo expulsos. Hoje, cerca de 70 anos depois da fundação do Estado de Israel, aquele número de judeus que mais de 4 vezes menor do que os árabes em todos os territórios, está quase se igualando aos mesmos. Se a anexação judaica for adiada e retirado o incentivo que é feito para os árabe e aumentar o incentivo aos judeus para retornarem a Sião, mais uma vez Davi vai vencer Golias.

Profetas do pessimismo versos sonhadores da fé

A sociedade israelense ainda é uma sociedade de predominância laica e como tal, seus profetas modernos, os repórteres e políticos de esquerda, jamais vão levar em conta os fenômenos sobrenaturais. Eles estavam certos de que o país sucumbiria na Proclamação de Independência sob a ameaça de extermínio total por parte das legiões árabes. O mesmo ocorreu durante a Guerra dos Seis Dias, e posteriormente durante a Guerra de Yom Kippur. Cada década que passa, o Povo de Israel tem sido provado pela espada e pelo pessimismo. Mas contrariando todas as previsões e perspectivas, vem ocorrendo exatamente o contrário.

Contrariando os elementos de esquerda sempre houve em Israel o que posso chamar de sonhadores da fé. Como tais não foram poucos que se destacaram como Zeev Jabotinsky que sofria com a posição de Chaim Weizmann, que encabeçou o sionismo revisionista que visava um estado judaico incluindo todo o território atual de Israel e da Jordânia. Zeev Jabotinsky ainda é referência para os elementos de extrema direita mesmo que os mesmos agora se contentam com apenas o lado ocidental do Jordão.

A retórica da direita mudou e se aproximou muito da esquerda, por sua vez, isto enfraqueceu a esquerda tornando-a praticamente inútil. Parece que os profetas do pessimismo perderam nas eleições mas venceram na ideologia. O país hoje está preocupado basicamente de como manterá dentro de fronteiras aceitáveis sua maioria judaica, caso contrário, Davi poderá perder a batalha contra o Golias Muçulmano.

Israel não que anexar todos os territórios, somente os grandes centros metropolitanos

Por causa justamente da questão da democracia, ela que hoje é um benefício ao país, pode se tornar uma grande armadilha. Se forem anexados todos os territórios, o que vai acabar acontecendo é a perda da maioria judaica. Ou seja, a estratégia do ventre ou útero palestino venceria a indústria da imigração judaica e poria em risco o remanescente dos judeus na Terra de Israel. É por este motivo que poucos são os que ousam falar publicamente em uma anexação completa dos territórios hoje ocupados pelos árabe. A única forma de uma anexação como esta dar certo é através do incentivo aos árabes de deixarem o país em troca de uma ajuda econômica significativa, mas isto levaria anos para ser executado. Por outro lado, uma anexação parcial, ou seja, anexando apenas conglomerados urbanos, incluindo dezenas de vilarejos judaicos dentro de uma única administração e a limitação dos árabes em suas cidades de maioria como a região de Betlehem, Ramallah, Hebron e Nablus. Este tipo de anexação parcial poderia gerar uma pressão para os mesmos pararem de crescer e abandonarem a região. O problema deste tipo de atitude é que o governo pode ser acusado de Apartheid se isto persistir ao longo de décadas. A vida para os árabes nesta região pode se tornar insuportável e o terrorismo incentivado continuaria.

Um caso sem solução que depende de mais um fenômeno sobrenatural

Mais uma vez, o impasse está diante de nós. Os judeus historicamente tem o direito a terra, os árabes por sua vez tem o direito também porque chegaram aqui alguns antes dos judeus, alguns depois, mas ainda são maioria em cada uma de suas regiões. Biblicamente falando entendemos que o direito dos judeus nunca foi revogado. Humanamente falando, não há muito o que fazer para resolver este impasse. Ao longo de todos estes anos não houve uma vez se quer que os problemas entre árabes e judeus na Terra de Israel foi solucionado de forma normativa. Antes da solução sempre ocorreu algo que ameaçou os judeus e culminou em uma mudança inesperada. Talvez não queiramos nos dias de hoje chamar estes fenômenos pelo mesmo nome que chamavam no passado, milagres, mas isto não muda a forma alguma sua natureza sobrenatural.

Hoje, se eu fosse um líder do Estado de Israel ou do futuro Estado Palestino(se houver), eu faria de tudo para fazer um acordo de paz aceitável, pois a outra opção é continuar o derramamento de sangue por mais 70 anos. O Estado de Israel não vai recuar, pois os judeus não tem para onde ir. Os árabes por sua vez sempre tem para onde ir, são dezenas de nações árabes ou islâmicas. Portanto, para eles, se o vento da história continuar a soprar em favor dos judeus como vem soprando nos últimos 70 anos, um acordo de PAZ é mais urgente do que nunca. Mas se conheço bem a mente dos meus vizinhos, para eles não é Tudo ou Nada, é Nada ou Nada, ou seja, no final das contas quem quer tudo, acaba ficando sem nada.

Dados Estatísticos:

Estimativas de Sergio Della Pergola (2001), com base no trabalho de Bachi (1975)
Escritório central de estatísticas de Israel. 31 de dezembro de 2017. Consultado em 2 de janeiro de 2018.

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