A grande lição das Mandrágoras de Raquel

As Mandrágoras de Raquel aparecem misteriosamente na disputa entre duas esposas da figura mais importante do Povo de Israel, Jacó, o Patriarca pelo qual toda a nação foi chamada. Então, o que elas eram e qual a grande lição que aprendemos com elas?

‏ וַיֵּ֨לֶךְ רְאוּבֵ֜ן בִּימֵ֣י קְצִיר־חִטִּ֗ים וַיִּמְצָ֤א דֽוּדָאִים֙ בַּשָּׂדֶ֔ה וַיָּבֵ֣א אֹתָ֔ם אֶל־לֵאָ֖ה אִמּ֑וֹ וַתֹּ֤אמֶר רָחֵל֙ אֶל־לֵאָ֔ה תְּנִי־נָ֣א לִ֔י מִדּוּדָאֵ֖י בְּנֵֽךְ׃ ‎15‏ וַתֹּ֣אמֶר לָ֗הּ הַמְעַט֙ קַחְתֵּ֣ךְ אֶת־אִישִׁ֔י וְלָקַ֕חַת גַּ֥ם אֶת־דּוּדָאֵ֖י בְּנִ֑י וַתֹּ֣אמֶר רָחֵ֗ל לָכֵן֙ יִשְׁכַּ֤ב עִמָּךְ֙ הַלַּ֔יְלָה תַּ֖חַת דּוּדָאֵ֥י בְנֵֽךְ׃ ‎16‏ וַיָּבֹ֨א יַעֲקֹ֣ב מִן־הַשָּׂדֶה֮ בָּעֶרֶב֒ וַתֵּצֵ֨א לֵאָ֜ה לִקְרָאת֗וֹ וַתֹּ֙אמֶר֙ אֵלַ֣י תָּב֔וֹא כִּ֚י שָׂכֹ֣ר שְׂכַרְתִּ֔יךָ בְּדוּדָאֵ֖י בְּנִ֑י וַיִּשְׁכַּ֥ב עִמָּ֖הּ בַּלַּ֥יְלָה הֽוּא׃ ‎17‏ וַיִּשְׁמַ֥ע אֱלֹהִ֖ים אֶל־לֵאָ֑ה וַתַּ֛הַר וַתֵּ֥לֶד לְיַעֲקֹ֖ב בֵּ֥ן חֲמִישִֽׁי׃ ‎18‏ וַתֹּ֣אמֶר לֵאָ֗ה נָתַ֤ן אֱלֹהִים֙ שְׂכָרִ֔י אֲשֶׁר־נָתַ֥תִּי שִׁפְחָתִ֖י לְאִישִׁ֑י וַתִּקְרָ֥א שְׁמ֖וֹ יִשָּׂשכָֽר׃ ‎19‏ וַתַּ֤הַר עוֹד֙ לֵאָ֔ה וַתֵּ֥לֶד בֵּן־שִׁשִּׁ֖י לְּיַעֲקֹֽב׃ ‎20‏ וַתֹּ֣אמֶר לֵאָ֗ה זְבָדַ֨נִי אֱלֹהִ֥ים ׀ אֹתִי֮ זֵ֣בֶד טוֹב֒ הַפַּ֙עַם֙ יִזְבְּלֵ֣נִי אִישִׁ֔י כִּֽי־יָלַ֥דְתִּי ל֖וֹ שִׁשָּׁ֣ה בָנִ֑ים וַתִּקְרָ֥א אֶת־שְׁמ֖וֹ זְבֻלֽוּן׃ ‎21‏ וְאַחַ֖ר יָ֣לְדָה בַּ֑ת וַתִּקְרָ֥א אֶת־שְׁמָ֖הּ דִּינָֽה׃ ‎22‏ וַיִּזְכֹּ֥ר אֱלֹהִ֖ים אֶת־רָחֵ֑ל וַיִּשְׁמַ֤ע אֵלֶ֙יהָ֙ אֱלֹהִ֔ים וַיִּפְתַּ֖ח אֶת־רַחְמָֽהּ׃

Ora, saiu Rúben nos dias da ceifa do trigo e achou mandrágoras no campo, e as trouxe a Léia, sua mãe. Então disse Raquel a Léia: Dá-me, peço, das mandrágoras de teu filho.  15 Ao que lhe respondeu Léia: é já pouco que me hajas tirado meu marido? queres tirar também as mandrágoras de meu filho? Prosseguiu Raquel: Por isso ele se deitará contigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.  16 Quando, pois, Jacó veio à tarde do campo, saiu-lhe Léia ao encontro e disse: Hás de estar comigo, porque certamente te aluguei pelas mandrágoras de meu filho. E com ela deitou-se Jacó aquela noite.  17 E ouviu Deus a Léia, e ela concebeu e deu a Jacó um quinto filho.  18 Então disse Léia: Deus me tem dado o meu galardão, porquanto dei minha serva a meu marido. E chamou ao filho Issacar.  19 Concebendo Léia outra vez, deu a Jacó um sexto filho;  20 e disse: Deus me deu um excelente dote; agora morará comigo meu marido, porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom.  21 Depois. disto deu à luz uma filha, e chamou-lhe Diná.  22 Também lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a tornou fecunda.

O que é uma mandrágora?

A Mandrágora tem uma longa história de uso medicinal, embora a superstição tenha desempenhado um papel importante nos usos a que foi aplicada. Raramente é prescrito no herbalismo moderno.

A raiz é alucinógena e narcótica. Em quantidades suficientes, induz a um estado de inconsciência e foi usado como anestésico para cirurgia nos tempos antigos. No passado, o suco da raiz finamente ralada era aplicado externamente para aliviar dores reumáticas. Também foi usado internamente para tratar melancolia, convulsões e mania. Quando tomado internamente em grandes doses, porém, diz-se que excita o delírio e a loucura.

No passado, mandrake era frequentemente transformado em amuletos que, acredita-se, trazem boa fortuna, cura a esterilidade, etc. Em uma superstição, pessoas que puxam essa raiz serão condenadas ao inferno, e a raiz de mandrágoras gritaria quando fosse arrancada. o chão, matando quem ouviu isso. Portanto, no passado, as pessoas amarravam as raízes aos corpos dos animais e usavam esses animais para arrancar as raízes do solo.

Mandrágora officinarum é a espécie tipo do gênero Mandrágora. É frequentemente conhecido como mandrágora, embora este nome também seja usado para outras plantas. A partir de 2015, as fontes diferem significativamente nas espécies que utilizam para as plantas Mandrágora nativas da região do Mediterrâneo. As principais espécies encontradas ao redor do Mediterrâneo são chamadas Mandrágora autumnalis, a mandrágora de outono. Em uma circunscrição mais ampla, todas as plantas nativas dos países ao redor do Mar Mediterrâneo são colocadas como M. officinarum, o que inclui M. autumnalis. Os nomes Mandrágora  do outono e Mandrágora do Mediterrâneo são então usados. Seja qual for a circunscrição, Mandrágora officinarum é uma planta herbácea perene com folhas ovais dispostas em uma roseta, uma raiz espessa vertical, muitas vezes ramificada, e flores em forma de sino seguido por bagas amarelas ou laranja.

Como as mandrágoras contêm alcaloides alucinógenos delirantes e o formato de suas raízes frequentemente se assemelha a figuras humanas, elas têm sido associadas a uma variedade de práticas supersticiosas ao longo da história. Eles têm sido usados ​​há muito tempo em rituais mágicos, hoje também em práticas pagãs contemporâneas como a Wicca e o Odinismo. No entanto, as chamadas “mandrágoras” usadas desta maneira nem sempre são espécies de Mandrágora e muito menos de Mandrágora officinarum; por exemplo, Bryonia alba, a mandrágora inglesa, é explicitamente mencionada em algumas fontes.

De fato, as mandrágoras são consideradas venenosas e segundo o que se conta, eram utilizadas como alucinógenos no passado. Para os árabes esta planta era mágica, curativa ou até mesmo afrodisíaco. Para os judeus e a família de Jacó que aparecem no texto em Gênesis 30:14, o sentido não está claro. Afinal de contas para que Raquel queria as raízes da planta se em troca delas concedeu a sua irmã passar a noite com Jacó. O fato é que Lea, a que não usou as raízes, engravidou mais três vezes após o incidente, e Raquel somente após isso. Creio que a aquisição das mandrágoras demonstrou o quão desesperada estava Raquel. Ela estava em uma situação em que pensava que já não tinha nada a perder. Raquel escondeu e guardou os ídolos de sue pai quando partiu com Jacó para Canaã, usou concubinas para ter filhos com seu marido, “comprou” as mandrágoras em troca de estar com Jacó.

A grande lição das Mandrágoras de Raquel

Raquel era muito amada, talvez fosse muito bonita, mas era muito vazia e carente de amor verdadeiro. O amor de seu marido não era suficiente para ele. Creio que muitas vezes somos assim, o amor do Eterno parece não ser suficiente para nós. O problema obviamente não está no Eterno, está em nós. Muitas vezes leva muito tempo até aprendermos o que realmente importa e tem valor em nossas vidas. Se conhecemos bem as Escrituras Sagradas, seremos capazes de entender que Adonai nos ama profundamente, independente de nos sentirmos amados ou aceitos pelos outros. ELE tem um plano maravilhoso para nossas vidas e de fato nada podemos fazer para sermos aceitos, a não ser receber o seu amor incondicional, aceitar pela Fé que de fato, fomos criados a sua imagem e semelhança e fomos amados a tal ponto que ELE foi capaz de enviar seu filho Yeshua para demonstrar quão grande é o seu amor.

Que Adonai o(a) abençoe desde Sião,

Miguel Nicolaevsky.

Foto: CommonMedia