A Rainha de Sabá na Etiópia e a Arca da Aliança

Uma equipe de arqueólogos alemães encontraram os restos do que pode ter sido o palácio da lendária rainha de Sabá na localidade de Axum-Dungur na Etiópia, anunciou a Universidade de Hamburgo, no norte da Alemanha.

Os pesquisadores alemães descobriram por acaso vestígios do que pode ter sido o palácio da lendária rainha de Sabá. Ali, segundo a tradição, teria sido guardada durante algum tempo a Arca da Aliança.

“Durante uma investigação de sítios arqueológico, um grupo de cientistas dirigido pelo professor Helmut Ziegert encontrou o palácio da rainha de Sabá, datado do século 10º antes de Cristo”, declarou o comunicado da universidade.

Ainda neste comunicado: “Nesse palácio ficou guardada por algum tempo a Arca da Aliança”, que, de acordo com fontes históricas e religiosas, armazenava as tábuas dos Dez Mandamentos entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai.

Esta arca é mencionada na Bíblia como uma caixa de acácia revestida de ouro, cuja confecção teria sido ordenada ao profeta Moisés. Ela foi tematizada no filme Caçadores da Arca Perdida (1981), com Harrison Ford no papel de Indiana Jones.

Em direção a Sírius

Os restos do palácio da rainha de Sabá foram encontrados debaixo do palácio de um rei cristão. “As investigações revelaram que o primeiro palácio da rainha de Sabá foi trasladado pouco depois da sua construção e construído de novo com orientação para Sírius”, a estrela mais brilhante do céu noturno.

Os pesquisadores de Hamburgo presumem que foi Menelik 1º, rei da Etiópia e filho da rainha de Sabá e do rei Salomão de Jerusalém, quem mandou construir o palácio na sua localização final. Neste palácio, havia um altar onde provavelmente esteve a Arca da Aliança.

Os 17 vasos com oferendas que os arqueólogos alemães encontraram em volta do local onde teria estado o altar foram interpretados por peritos como um sinal claro de sua especial relevância ao longo dos séculos.

Início do Culto a Sothis

“Os dados atuais indicam que, com a Arca da Aliança e o judaísmo, chegou à Etiópia o culto de Sothis, praticado até 600 d.C. pelos descendentes da rainha de Sabá”, afirmam os arqueólogos alemães. Esse culto tinha como características a orientação de todos os prédios de culto para o nascimento de Sírius e o sacrifício de reses, disseram os pesquisadores.

Desde 1999, a equipe de Ziegert estuda em Axum o nascimento da Etiópia e da Igreja ortodoxa etíope. O achado foi um acaso, disse Ziegert. “O tema do nosso projeto de pesquisa, na realidade, era o início do Estado etíope no século 3º, talvez 4º, e o início da Igreja etíope. O que estava em aberto era a questão por que Axum, ou seja, toda a Etiópia, até a cristianização tinha a fé judaica”, explicou.

Segundo uma lenda etíope, o nome da rainha de Sabá era Makeda. Seu rosto foi perpetuado nas telas de cinema por Gina Lollobriga no filme Salomão e a Rainha de Sabá, de 1959.

Há vários séculos, os pesquisadores tentam associar ruínas arqueológicas com o palácio da rainha de Sabá, seja na antiga cidade de Axum ou em Marib, no Iêmen. Há menções à lendária rainha na Bíblia, no Corão e na Kebra Negast (Glória dos Reis), considerada a bíblia rasta, que conta a história da rainha Makeda de Sabá e seu romance com o rei Salomão, do qual se originou Menelek,o primeiro imperador da dinastia etíope.