A Rainha Ester, muito mais que um mito

Um dos conflitos mais interessantes que existem é o constante questionamento científico sobre os relatos descritos na Bíblia, sobre sua cronologia, a veracidade e o valor histórico da mesma.

Nos últimos anos tem crescido o número de evidências que tem confirmado quase que diariamente os relatos bíblicos, não para os que fazem uma leitura superficial, mas sim uma detalhada e investigadora.

Entres as muitas discussões que eram levantadas no passado, as principais eram sobre a historicidade de personagens bíblicos como Moisés, Josué, Davi, Salomão e muitos outros. Em nossos dias, muitos destes personagens já foram confirmados pela arqueologia e por fontes históricas descobertas fora da Bíblia, a mais famosa destas foi a Estela de Dan, onde apareceu claramente o termo “Casa de Davi” no sentido de “Dinastia de Davi”.

Nos últimos anos questionou-se também a existência da Rainha Judia, Ester, mulher do Rei Assuero, Rei da Pérsia, e ao fazer uma pesquisa detalhada encontrei um artigo acadêmico muito interessante e em inglês, chamado de Queen Esther wife of Xerxes Chronological, Historical and Archaeological Evidence – A Rainha Ester e Esposa de Xerxes, Evidência Cronológica, Histórica e Arqueológica.

Me deliciei ao ver um dos artigos mais detalhados sobre fundo bíblico, historicidade, cronologia e arqueologia, o autor, Gérard GERTOUX, um PhD em Archaeology and history of Ancient World o escreveu enquanto ainda era apenas candidato ao título de PhD, e com certeza fez um excelente trabalho.

Gérard GERTOUX escreveu diversos livros detalhando cronologias, pesquisando em diversas fontes do Antigo Oriente, fontes da Antiga Grécia e da Mesopotâmia, seus trabalhos são excelente referência para quem está buscando fontes extra-bíblicas relacionadas a História descrita nas Escrituras Sagradas.

Rainha Ester (direita, H 3,2 cm) na frente de Atossa (esposa de Dario e mãe de Assuero – Xerxes) sentada em um trono (provavelmente quando ela se casou com Xerxes em 489 AC). Museu do Louvre, Paris. Século IV AC.

Em seu artigo, Gerad demonstra que só um único relato em outra fonte extra bíblica na Grécia que se adapta bem a figura descrita na Bíblia e descrita também na arqueologia no Irã, para entender quem seria Ester, basta dar uma olhadinha no gráfico a seguir:

Ester – Esther ou Stara em persa, seria Ishtar em no idioma babilônico e no relato de Herodotus ela foi chamada de Amestris, note bem que até mesmo usando a morfologia, podemos entender a origem do nome, visto que Amestris leva em si todas as consoantes de Ester nos idiomas semíticos, o STR + o radical do grego S. O significado de Ester seria Estrela e em Grego, uma Esposa Vigorosa.

Herodotus teria descrito-a como como uma mulher forte, cujo caráter foi criticado por que naquele tempo, os Persas eram o maio perigo para os Gregos que ainda estavam em processo de ascensão. Herodotus chegar a dizer que Amestris – Ester, sacrificava pessoas, o que não bate com o relato bíblico e nem mesmo com os hábitos, mas pelo visto esta é uma versão do relato grego para a morte de Hamã, que foi pendurado com a própria forca que havia preparado para Mardoqueu.

Um dos problemas para a identificação de rainhas na antiguidade, era o fato de que muitas delas quando reinavam recebiam outro nome, e raríssimos são os casos em que seu nome de nascimento é lembrado. Até mesmo seus nomes de trono não eram lembrados, pois elas não reinavam, então eram lembradas como a “Esposa do Rei”, ou a “Mãe do Rei”.

A tentativa de genocídio dos judeus também foi ignorada pelos historiadores persas, bem como o genocídio armênio foi ignorado pelos turcos.

Nos escritos de Heródoto há apenas uma rainha, Amestris, que foi fortemente associada à realeza, conseqüentemente, é lógico identificar Amestris com a única estátua de uma rainha desenterrada em Persépolis -Susã.

 

Há ainda muito mais que pode ser feito para revelar a historicidade da Bíblia, mas com certeza não devemos achar que este é o seu objetivo, de fato ela deve ser considerada muito mais que um livro histórico, seu objetivo é instruir e relatar a respeito da grandiosidade e misericórdia do Deus de Israel.

Através de suas histórias, dos fracassos e das proezas dos personagens bíblicos, cada um de nós aprende um pouco mais sobre quem somos e como podemos nos aperfeiçoar no conhecimento do Eterno.

Hag Purim Sameach, Feliz Festa de Purim.

Miguel Nicolaevsky

O Artigo completo de Gérard GERTOUX em Inglês pode ser lido aqui :

https://www.academia.edu/8233800/Queen_Esther_wife_of_Xerxes_Chronological_Historical_and_Archaeological_Evidence