Mais detalhes da saga do Mossad no Irã

Imaginem uma equipe de agentes secretos em um dos países mais totalitários do Mundo, eles burlam a segurança de alguns dos segredos mais bem guardados do planeta. A república islâmica do Irã pensou que camuflar um arquivo como esse em uma área industrial “sem importância”, colocar turnos seguranças, câmeras e alarmes seria o suficiente para evitar que suas informações vazassem, mas eles se enganaram.

Agora imaginem que após meses de observação e monotonamente estes agentes descobriram o caminho da “mina”, planejaram meticulosamente uma operação tão arriscada que deveria durar somente algumas horas e na calada da noite. O que os agentes secretos do Mossad capturaram em Teerã vale mais do que os diamantes que vemos em filmes de assaltos a banco nas telas de cinema, eles deixaram os líderes do Irã com as calças nas mãos.

O trabalho na operação especial do Mossad começou logo após a assinatura do acordo nuclear entre o Irã e as superpotências. Esse acordo deu à Agência Internacional de Energia Atômica a capacidade de entrar em todos os locais nucleares em Teerã, e Teerã estava tentando encontrar uma maneira de manter o projeto de armamento nuclear em segredo, pois sua descoberta levaria os benefícios do acordo pelo ralo abaixo.

A partir de fevereiro de 2016, os iranianos começaram a coletar milhares de documentos detalhando o processo de construção de armas, sua adequação aos mísseis e os mecanismo de fissão nuclear. Os iranianos arquivaram e guardaram todos os documentos em um depósito localizado em um distrito comercial não conectado ao programa nuclear e longe dos arquivos militares de Teerã. A intensão era despistar a Agência Internacional de Energia Atômica. Eles também não mantiveram guardas 24 horas por dia para a vizinhança não desconfiar, pois sabiam que este tipo de atitude levantaria muitas suspeitas entre as agências de inteligência do ocidente.

O que os iranianos não sabiam era que o Mossad documentou o esforço de coleta e por dois anos filmou a transferência de todos os documentos e planos de desenvolvimento de armamento nuclear do Irã. Cerca de um ano atrás, o Mossad, a Agência de Inteligência de Israel, começou a planejar a operação secreta, que de acordo com um alto oficial de inteligência israelense, foi muito semelhante ao filme “Ocean 11”. Durante um ano, a organização monitorou o local o tempo todo.

Abaixo, local do arquivo nuclear secreto do programa de armamentos do Irã

Operação Audaciosa e Fuga

Em 31 de janeiro, por volta das 22:30 hs, os agentes do Mossad entraram no depósito em ruínas que abrigava o arquivo nuclear. Os agentes chegaram ao local com dispositivos de solda que queimavam a temperaturas de pelo menos 2.000 graus celsos – quentes o suficiente para cortar os 32 cofres feitos no Irã colocados no depósito.

Os agentes israelenses obviamente tinham informações bastante privilegiadas que os ajudavam, de modo que sabiam quais eram os cofres que deveriam ser ignorados e onde estavam armazenadas as informações mais importantes, encontradas em fichários pretos, aqueles que foram vistos a apresentação de Benjamin Netanyahu a imprensa mundial.

Na maioria das operações do Mossad, os agentes fazem fotocópias ou copiam materiais sem deixar vestígios. Mas neste caso, o chefe do Mossad, Yossi Cohen, instruiu os agentes a porem as mãos nos documentos originais, para evitar uma presença muito longa no armazém e também para permitir que o Mossad apresentasse os documentos originais mais tarde se os iranianos alegassem que eram falsificados.

Durante o ano de monitoramento, a vigilância revelou que o turno da manhã dos guardas iranianos começava por volta das 7:00 hs. A ordem que foi dada era para que os agentes saíssem antes das 5h da manhã, para que tivessem mais tempo para escapar.

Quando chegou a hora, eles fugiram para a fronteira e levaram consigo 50.000 páginas e 163 discos contendo memorandos, videoclipes e programas. Pelo menos 24 agentes participaram da operação. Com medo de que alguns deles fossem pegos, eles distribuíram os materiais entre eles e as equipes saíram do Irã por várias rotas diferentes.

A operação durou 6 horas e 29 minutos, este foi o tempo que levou o Mossad a desativar as sirenes, invadir o armazém, penetrar em duas portas e vários cofres blindados e deixar Teerã com meia tonelada de materiais secretos e embarcar de volta para Israel.

Às sete horas da manhã, exatamente como o Mossad estava esperando, um guarda iraniano chegou ao depósito e descobriu as portas e os cofres abertos. Ele ativou o alarme e as autoridades iranianas logo começaram uma campanha nacional para localizar os intrusos. Ficou imediatamente claro que alguém invadira o arquivo nuclear secreto do país, que documentara anos de trabalho em armas atômicas, modelos para preparar a bomba e os planos de produção.

A caçada iraniana aos “ladrões” contou com a participação de dezenas de milhares de policiais e de segurança iranianos, afirmam eles. Por um longo tempo, Teerã permaneceu em silêncio e não falou sobre o incidente. No final de abril deste ano, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu revelou a operação do Mossad para influenciar o presidente dos EUA, Donald Trump, a deixar o acordo nuclear. O resultado nós já conhecemos, deu certo!