Apesar de vitória, o novo presidente do Egito terá as mãos atadas.

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Mohamed Morsi

A Irmandade Muçulmana ganhou a presidência e quase a metade dos assentos no parlamento egípcio, mas ainda assim terá de pisar levemente com as suas políticas nacionais e internacionais. Além da relação do país com o Estado de Israel.

A emoção no Cairo já era esperada. Assim como Farouk Sultan, o presidente da comissão eleitoral do Egito, começou a ler em voz alta ao vivo na televisão o número de votos recebidos por Mohammed Morsi, o primeiro presidente do país islâmico com mais de 13 milhões de votos, a multidão parou com gritos altos – alguns deles felizes, e outros muito irritados.

Só então, nesse momento eletrizante, depois de mais de uma hora de ouvir os detalhes cansativos dos recursos interpostos com a comissão, ficou claro que Morsi ganhou com uma vantagem de pouco menos de 1 milhão de votos, em um país de 85 milhões habitantes, o país está divido.

Assim se encerrou a segunda parte da saga democrática iniciada em 25 de janeiro de 2011, o primeiro dia da revolução egípcia. A primeira parte foi em relação a dezembro passado, quando o primeiro parlamento do governo pós-Mubarak havia sido eleito.

Depois de quase seis décadas em que a Irmandade Muçulmana foi proibida por lei, após três lutas terríveis dos presidentes contra o movimento, seus representantes ganharam a presidência e o controle de quase a metade dos assentos no parlamento.

A vitória do movimento simboliza o objetivo que está por detrás da revolução, muitos deles liberais e seculares, votaram na irmandade muçulmana para livrar-se do regime opressivo de Hosni Mubarak. A votação para os candidatos da Irmandade Muçulmana é uma maneira de votar contra o antigo regime.

Vale apena lembrar que não foi a Irmandade Muçulmana que começou a revolução, embora ela tenha participado. Esta é uma revolução que foi capaz realizar grandes manifestações em Tahrir no Cairo, a praça da expressão política democrática, na qual a lei e os tribunais tinham papéis principais, em contraste com o seu papel como ferramentas distorcidas para a realização da vontade do governante sob o antigo regime. Pela primeira vez, os egípcios poderiam dizer o que queriam, sem medo.

Em face da natural ansiedade sobre a possibilidade de que o Egito se torne uma teocracia islâmica, com uma pequena margem vitória, Morsi mostra que ele e seu movimento terão que pisar levemente em sua conduta política e diplomática.

Morsi não será capaz de ignorar a posição forte do exército ou da necessidade de ter um bom relacionamento com Washington – e não apenas por causa da ajuda financeira que o Egito recebe, mas também porque qualquer presidente egípcio que queira melhorar a posição geopolítica do seu país precisa da assistência dos EUA e da Arábia Saudita. O Egito é um país falido.

Morsi foi um dos membros fundadores do Comitê da Irmandade Muçulmana de Luta contra o projeto sionista e chamou Israel de “entidade sionista”. Mas na decisão estratégica da Liberdade da Irmandade Muçulmana e o Partido da Justiça, declarou que reconhecerá todos os acordos que o Egito assinou com outros países.

O problema é que não se pode confiar em Morsi e nem mesmo na Irmandade Muçulmana. No começo do processo eleitoral eles haviam declarado que não lançariam nenhum candidato ao presidência, depois voltaram atrás. Agora resta esperar para ver se o Egito vai ou não respeitar o acordo de paz que assinou com Israel. agora o Estado de Israel está cercado de norte a sul por regimes anti-democráticos e governantes radicais.