Chanuká e a Resistência: a luz e a força do nosso povo

pelo Rav J. Pietro B. Nardella-Dellova

da Sinagoga Sêh HaElohim/Scuola

Amados achim e achotim, Shalom Alechem!

Estamos em Chanuká!

Hoje, ao pôr-do-sol, acenderemos nossa “primeira luz da chanúkia”. Quando fazemos isso a cada ano, relembramos o momento em que nossos irmãos resistiram aos pagãos.

Aliás, não somente pagãos, pois se assim o fosse não haveria necessidade nenhuma de resistência. Quando o pagão é só pagão e o idólatra é só idólatra, nada temos com eles (nem contra eles), pois cada qual escolhe e vive a vida que quer. Efetivamente não somos missionários nem pensamos em sê-lo.

O nossos problemas e nossas angústias começam exatamente no momento em que os pagãos e idólatras querem impor suas práticas odiosas sobre cada um de nós, querem desvirtuar nossa Fé no Altíssimo, querem roubar nossos tesouros magníficos, adulterar nossas Mitzvôt, enfraquecer nosso comportamento e determinar nossas vidas! Aí, exatamente aí, tiramos de nossa relação com o Eterno, uma das nossas maiores virtudes: a resistência!

O que relembramos e comemoramos em Chanuká, em cada pausada vela da chanúkia, não é simplesmente uma expulsão de intrusos, mas a força da resistência, a importância de cada elemento de nossa fé, a nossa energia em não deixarmos que nossas pérolas sejam lançadas aos porcos!

Chanuká é, acima de tudo, uma Festa de Resistência, de dignidade que não se permite ao rebaixamento, de história de um povo que não se permite morrer e ser tresfolegado no caminho e, pior, em sua própria Beit HaMikdash! Mas, digo-lhes, ainda, que Chanuká é a síntese da alma judia, do fogo que arde desde sempre, nos primórdios da eternidade, especialmente, dedicado aos b’nei Abraham, porque nele, isto é, em Abraham aprendemos a ouvir a voz do Eterno, aprendemos a obedecer à voz do Eterno e a manter com ele uma profunda relação de veneração, respeito e amizade.

Resistir não é sair pelo mundo como missionários de novas idéias, não é perturbar ninguém, não é tentar convencer quem quer que seja da nossa milenar fé. Não queremos e não podemos tentar modificar o mundo com uma ação agressiva de “conversão” de massas. Resistir é cuidar do nosso jardim, onde o Eterno nos colocou para trabalhar a terra. Resistir é fazer como o valente do Mélech David que, erguendo sua espada, defendeu um pequeno canteiro de lentilhas contra filisteus idólatras, simplesmente porque aquele canteiro de lentilhas pertencia ao Mélech David!

Resistir é manter em nós mesmos as luzes da chanúkia constantemente acesas, pois somos Beit HaMikdash “katan” especialmente preparados para receber a luz da Ruach HaKodesh; especialmente chamados para portar em nós mesmos o fogo “creador” da Torá; especialmente ensinados para cumprir cada uma das maravilhosas Mitzvôt! Por isso mesmo, assim como ocorreu naqueles tempos, encontraremos sempre em nós mesmos uma botija selada de azeite puro que nos dará vigor e saúde para iluminarmos nossos dias com a força do Eterno: a unção!

Porque, como ensinou o Meshulach Yochanan, em Pátmos, vencerão os que guardarem as Mitzvôt e a fidelidade do Rabi Yeshua BenYosef! Esta reserva de azeite em nós mesmos é a completude, a integridade e a robustez das Mitzvôt, às quais aprendemos a amar e construir desde o ventre de nossas mães! Chanuká é mesmo a espada nas mãos de Ya’akov avinu diante de “seres estranhos” abrindo caminho e fazendo as forças do ietzer hará reconhecerem que somos um povo do “príncipe do Eterno”. Chanuká será a espada nas mãos do Mashiach, afastando toda a impureza de Yerushalaim, erguendo o Beit HaMikdash ao Eterno para “hallel continuado”, e para o estabelecimento de um Reino que não terá fim!

E se o valente de Mélech David defendeu com bravura, dignidade e coragem, o canteiro daquele nosso amado rei, o que não devemos, então, fazer quando sabemos que o Mélech haYisrael, isto é, haMashiach, virá para ocupar seu trono, sua majestade, seu reino, e seu poder de pacificação! Por isso precisamos continuar a resistir a tudo que um mundo desfeito em pó, em coisificação e estupidez apresenta!

Nossa história é mesmo uma história de resistência. Noach, em meio à balburdia, resistiu! Abram (e depois Abraham), no meio idolátrico resistiu! Itzchak, em meio às Acusações, Desafios etc…, resistiu! Ya'akov, com tantas oposições, resistiu! Yosef, no meio egípcio, resistiu! Moshè, diante de um povo assimilado e um deserto voraz, resistiu! Yehoshua, diante de Jericós e outros fantasmas, resistiu!
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Yochanan BenZacariah, haMatbil, em uma Judéia carcomida, resistiu! Yeshua BenYosef, haSêh haElohim, diante dos desvirtuamentos, resistiu!
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Yehudim(judeus) medievais, diante da Inquisição, resistiram! Yehudim germânicos, diante de Hitler, resistiram! Yehudim italianos, diante de Mussolini, resistiram!
……..

Nós, yehudim remanescentes, diante de um mundo coisificado, resistimos!

Nas bênçãos do Eterno e na Luz do Mashiach

Preparada inicialmente para os membros da Sinagoga Sêh HaElohim e oferecida aos leitores do CafeTorah.

véspera de Chanuká de 5767!
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© Rav J. Pietro B. Nardella Dellova, 44, Mestre em Direito pela USP (A Crise Sacrificial do Direito: um estudo de René Girard, Martin Buber e Rabi Yeshua). Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP (A Palavra Como Construção do Sagrado: um estudo da Poesia em Heidegger, Osman Lins e a Torá). Pós-graduado em Direito Civil (Os Direitos da Personalidade). Pós-graduado em Literatura Brasileira (A Palavra Multifacetada: do grau zero e outros graus da palavra). Formado em Filosofia e em Direito. Poeta e Membro da União Brasileira de Escritores – UBE. Autor dos livros: AMO, NO PEITO e ADSUM. Ex-membro da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/SP. Darsham (predicatore) e Rav (Mestre, 5 kislev 5747) da Sinagoga Sêh HaElohim (originada da Sinagoga Scuola (Beit HaMidrash), Ghetto di Fondi, Lazio, Itália). Membro ativo da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação dos Advogados de São Paulo. Consultor e Palestrista. Professor de Direito Civil, Ética e Filosofia do Direito em São Paulo. Coordenador e Professor dos Cursos de Direito da Faculdade de Jaguariúna e da Faculdade Policamp. Coordenador e Professor dos Cursos de Pós-graduação em Direito Empresarial das mesmas Instituições, em SP.

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