DOS PRESSUPOSTOS ou, das preliminares para receber a Torá

do Prof. J. Pietro B. Nardella Dellova

“…Esdras, o Sacerdote, trouxe a Torá perante a congregação, tanto de homens como de mulheres e de todos que eram capazes de entender o que ouviam. Era o primeiro dia do sétimo mês… E todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Torá… Leram no Livro, na Torá de Adonai, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia… Porque todo o povo chorava ouvindo as Palavras da Torá…”

Nejemiyá (Neemias) cap. 8

Prezados achim, Shalom Aleichem. É com grande satisfação que começamos este novo Ciclo de Estudos da Torá. Ela será para nós como mel, pão e vinho sobre nossa mesa. Vamos mergulhar nela e absorver a Bênção que o Eterno, a partir dela, tem reservado para nós. Estudar a Torá é uma Mitzvá, cuja negligência leva ao erro e ao desvirtuamento. Mas,, também, somado o estudo à observância, isto é, à prática, pois a Torá é um modo de vida, uma ética do bem, uma conduta de boa-fé, atingiremos o seu fim último, ou seja, o processo de santificação. Em outras palavras, atingiremos a “formação” de filhos do Eterno.

Com a observância dela, a Torá, seremos, finalmente, à imagem e semelhança de Adonai Elohim, como Yeshua HaMashiach!

Antes, recomendo a leitura atenta e pausada dos Tehilim (Salmos) 119, verdadeiro louvor à Torá, do qual destaco a seguinte passagem:

A Tua Justiça é Justiça Eterna, e a Tua Torá é a própria Verdade. (1)

Também, observo as palavras do Rabi Yeshua:

Pai… santifica-os na Verdade; a tua Palavra é a Verdade! (2)

Va bene, andiamo perchè il tempo passa presto! Vamos às primeiras observações que se fazem necessárias para um melhor aproveitamento nos nossos encontros semanais na Sinagoga.

Há no final, também, uma longa indicação bibliográfica para os estudos do Ciclo 5765-5766 . As notas do presente texto encontram-se ao final .

Os estudos das Parashiot ha-Shavua (porções semanais da Torá úåøä de cada Shabat) existem desde tempos antigos. Após o retorno dos judeus do cativeiro babilônico, em cada cidade organizou-se uma sinagoga (reunião de pessoas e lugar de reunião), para estudo da Torá úåøä (Instrução),dos Nevi’im (Profetas) e dos Ketuvim (Outros Escritos).(3)

A cada ano é iniciado um novo Ciclo de Estudos da Torá em Parashiot. A cada Ciclo há um aprofundamento pois a Torá se faz nova a cada manhã.

O Rabi Yeshua (4) também ensinava nas sinagogas nos shabatôt (sábados) da cidade:

E Yeshua ensinava nas suas sinagogas, e por todos era louvado.
E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de Shabat, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler… (5)

A Torá úåøä significa Instrução e compõe-se do Pentateuco, os cinco primeiros livros das Kitvei HaKodesh, isto é, Escrituras Sagradas, e, não há que se terem dúvidas sobre sua importância no crescimento e santificação, bem como na formação dos filhos de D’us, a exemplo do próprio Yeshua, em quem “…a Torá se fez carne e habitou entre nós…” Por isso, no contexto das Kitvei HaKodesh a Torá é o texto por Excelência!

Para o Rav e Meshulach S’haul (6) a Torá e seu cumprimento é o que dá sustentação para as comunidades gentílicas formadas a partir de Yeshua. Tal a sustentação que deixam ao passar do tempo de serem gentílicas para se inserirem no quadro das ovelhas de Yeshua e no cômputo dos filhos de D’us:

Não te glories contra os ramos; e se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti (7)

Não há dúvida de que para o Rabi e Senhor Yeshua (desconhecido tanto pelos cristãos como pelos judeus ortodoxos) a Torá deve ser cumprida integralmente:

Então falou Yeshua à multidão e aos seus talmidim (discípulos), dizendo:
Na Cátedra de Moshé (Moisés) estão assentados
os escribas e os fariseus, (8)
Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem…(9)

E, ainda, não é diferente o que Yeshua ensina em outra passagem:

Não cuideis que vim destruir a Lei (Torá) e os Profetas (Nevi’im). Não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um yod ou um traço se omitirá da Torá,
sem que tudo seja cumprido. E qualquer que violar um destes menores mandamentos (mitzvôt) e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos Céus; Aquele, porém, que os cumprir e ensinar
será chamado grande no Reino dos Céus. (10)

É o que se depreende das palavras de Ya’akov (Tiago):

Porque Moshé (Moisés), desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue e, em cada Shabat é lido nas sinagogas (11)

O mesmo Ya’akov (Tiago) que esclareceu:

Porque qualquer que guardar toda a Torá, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos, porque Aquele que disse:
não cometerás adultério, também disse: não matarás…(12)

E, para Yochanan, a Torá é conhecimento de D’us, verdade e amor em D’us:

E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos (Mitzvôt). Aquele que diz: eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos (mitzvôt), é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de D’us está nele verdadeiramente aperfeiçoado: nisto conhecemos que estamos nele.
Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou (13)

E as mitzvôt darão força e resistência para os servos de D’us, no apocalipse:

E o dragão irou-se contra a mulher (Israel), e foi fazer guerra ao resto da sua semente, isto é, os que guardam os mandamentos (mitzvôt) de D’us. (14) e têm o testemunho de Yeshua HaMashiach… aqui está a paciência dos purificados; aqui estão os que guardam os mandamentos (mitzvôt) de D’us e a fidelidade de Yeshua…

A Torá significa Instrução. Foi dada pelo Eterno, Baruch HaShem,(15) no Sinai, no meio do fogo:

Então, disse Adonai a Moshè: Sobe a mim, ao monte, e fica lá; dar-te-ei Tábuas de Pedra, e a Torá, e os mandamentos que escrevi, para os ensinares… E, tendo acabado de falar com ele no Monte Sinai, deu a Moshè as Duas Tábuas do Testemunho, tábuas de pedra (16) ,
escritas pelo dedo do Altíssimo (17)

A Torá, na sua totalidade, foi dada para instrução, a fim de que a formação seja substancial. Daí a importância que a mesma seja ensinada a todos, homens, mulheres, crianças e jovens e estrangeiros, conforme estabelece Moshè:

Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro (prosélito, convertido) que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam Adonai, vosso D’us, e cuidem de cumprir todas as palavras desta Torá; para que seus filhos que não a souberem ouçam
e aprendam a temer a Adonai, vosso D’us…(18)

E, ainda, conforme condiciona o neviah (profeta) Yeshayahu (Isaias):

…E os filhos… e o estrangeiro… e o eunuco… (19)

A Palavra Torá é utilizada, no sentido estrito, para designar os cinco primeiros livros. Foi chamada de Pentateuco (cinco) no idioma grego, cujo correspondente hebraico é Chumash (também, cinco).

No sentido estrito o Chumash, estabelece 613 Mandamentos (20) , cuja “soma simples dos 6+1+3”, curiosamente, resulta em 10 (DEZ). As Dez Palavras escritas nas tábuas de pedra: a ALIANÇA áøéú : Ainda, em “soma simples” 10 é 1+0 = 1. Ecco: UM (…Adonai Echad!)

…e escreveu nas Tábuas as palavras da Aliança, as Dez Palavras;
…então, Adonai vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes aparência humana. Então vos anunciou Ele a sua Aliança áøéú que vos prescreveu, Os Dez Mandamentos,
e os escreveu em duas Tábuas de Pedra.(21)

E em torno da Aliança áøéú , deu as outras Mitzvôt, ou seja, as 603 restantes:

Então disse Adonai a Moshè: sobe a mim, ao monte, e fica lá:
Dar-te-ei Tábuas de Pedra, e a Torá, e os mandamentos (Mitzvôt) que escrevi, para os ensinares…
…..e os escreveu em duas Tábuas de Pedra. Também Adonai me ordenou, ao mesmo tempo, que vos ensinasse estatutos e juízos. (22)

Outra vez, num exercício de “soma simples” das 6+0+3, temos 9 (nove). Nove é um número que representa a horizontalidade, vez que todos os outros são limitados por ele. O “nove” está em torno de todos os outros e tem um caráter limitativo mas não de perfeição, pois depende do “1” para chegar à perfeição. É curioso recordar que Yeshua, enquanto homem, expirou na “nona hora” do “quarto dia” da semana. (23) A Torá é o processo dado pelo Eterno para a formação do Filho, daí que Yeshua completou sua obra, cumprindo a Torá, vez que nasceu para isso e, aí sim, entrar na “glória” e conquistar seu direito de ser “filho”.

Mesmo sendo apenas um exercício “numérico” sobre as Mitzvôt, o resultado não é outro, pois se somando 603, obtém-se “9”, ou seja, horizontalidade, e somando-se os “10” (1+0=1), obtém-se “1” , ou seja, verticalidade. E somando-se tudo (6+1+3) obtém-se “1”. Todas as Mitzvôt saíram do Altíssimo, Baruch HaShem, cujo número é UM, que não depende de nenhum outro, o que se basta, de quem tudo é feito e por quem tudo é feito. De quem saíram todas as Palavras de formação. Por isso mesmo, tanto Moshè quanto Yeshua, enxergaram e ensinaram a Torá integral, pois elas são do Alto:

D’us falou todas estas palavras, dizendo: (24)

…nada acrescentareis à Palavra que vos mando, nem diminuireis dela,
para que guardes os mandamentos de Adonai, vosso D’us, que eu vos mando…
……E Yeshua falou à multidão e aos seus discípulos: na Cátedra de Moshè estão assentados os escribas e fariseus (rabinos),
observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem… (25)

E Moshè relembra:

…dos céus te fez ouvir a sua voz, para te ensinar, e sobre a terra te mostrou o seu grande fogo e do meio do fogo ouviste as suas palavras (26)

O primeiro dos Dez Mandamentos (e de todos os outros) é exatamente este:

Eu mesmo “ éäåä Adonai, àìøéê teu D’us”… (27)

Além disso, as 613 Mitzvôt da Torá, estão preciosamente organizados da seguinte forma: 365 negativos e 248 positivos. 365 representam todos os dias de um ano (28) e 248 os membros do corpo humano, de tal forma que durante o tempo todo (o período anual) devemos discernir todas as coisas e atos, abstendo-nos de algumas. Em outras palavras, no dia-a-dia, devemos dizer não, em função destes mandamentos. E, enquanto no nosso tempo estamos nos abstendo, dizendo não ao que é inadequado, no nosso corpo estaremos realizando, construindo, ou seja, diremos sim. Conforme ensina Yeshua:

Seja porém o vosso falar: sim, sim; não, não;
Porque o que passa disto é de procedência maligna (29)

E, também, como ensina o Rav e Meshulach S’haul (Paulo):

Ou irritaremos Adonai? Somos nós mais fortes que Ele? Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas são convenientes (casher) Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam (constroem) (30)

Mas, a Torá, pode (e deve), também, ser utilizada no sentido mais abrangente, referindo-se a todo e qualquer ensinamento do Eterno D’us. Daí que não poucas vezes a utilizamos para toda a Escritura Sagrada, vez que as mesmas têm o caráter de instrução e ensino, conforme Rav S’haul (Paulo) lembra, em carta, ao jovem Timóteo:

Tu (Timóteo), porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé (fidelidade) no Mashiach Yeshua. Toda Escritura é inspirada por D’us e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na Justiça, a fim de que o homem de D’us seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (31)

E, ainda, para o Rav e Meshulach S’haul (Paulo), a Torá, tem um caráter especial:

Por conseguinte, a Torá é santa; e o mandamento (mitzvá), santo, e justo, e bom. (32)

Para Sh’lomo (Salomão), o grande rei sábio, filho de David, a instrução não pode ser esquecida e os mandamentos (mitzvôt) devem estar no coração, pois os mesmos aumentam os dias, acrescentam anos de vida e paz, formando um caráter de confiabilidade e respeitabilidade no homem, repreendendo e disciplinando para que se alcance a Sabedoria e o Conhecimento, que resultam da instrução e, assim, finalmente, a árvore de vida:

Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos, e o teu coração guarde os meus mandamentos (mitzvôt) porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz … e acharás graça e boa compreensão diante de D’us e dos homens; …filho meu, não rejeites a disciplina de Adonai nem te enfades da sua repreensão, porque Adonai repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem: feliz é o homem que acha Sabedoria e… adquire Conhecimento,
…é árvore de vida para os que a alcançam… (33)

E ainda em Moshè, a Torá e seu cumprimento é sinal de sabedoria e entendimento e, também, de reconhecimento por parte de todas as outras pessoas:

Eu vos tenho ensinado estatutos e juízos… Guardai-os, pois, e cumpri-os,
Porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento
Perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão:
Certamente, este grande povo é gente sábia e entendida. (34)

Por fim, cumprir a Torá é dever de todos os homens e balança do Juízo de D’us, conforme Sh’lomo (Salomão):

De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a D’us e guarda seus mandamentos (mitzvôt) porque este é o dever de todo homem, Porque D’us há de trazer a juízo todas as obras, quer sejam boas, quer sejam más. (35)

A expressão Torá úåøä ou äúåøä (A Torá), como sabemos, significa “Instrução, Ensinamento”. As Kitvei HaKodesh (Escrituras Sagradas), chamadas normalmente de Bíblia , são formadas pela TORÁ úåøä (isto é, Chumach, Lei, Instrução), pelos NEVI’IM ðáéàéí (isto é, Profetas), pelos KETUVIM ëúåáéí (isto é, Outros Escritos) e pela B’RIT áøéú C’HADASHÁ äãùä (lê-se brit radaxá) (isto é, Narrativas acerca de Yeshua “evangelhos”, Atos/Cartas dos meshulachim, e Revelação “apocalipse”).

A Torá, os Nevi’im e os Ketuvim, no seu conjunto, são chamados de TANAKH (lê-se tanarr). A palavra TANAKH é formada, tendo-se como base as iniciais da Torá, Nevi’im e Ketuvim (T N K)

A TORÀ úåøä foi chamada na versão grega de Pentateuco, posto ser formada por cinco livros. Erroneamente, desde a Idade Média, foi considerada pelos católicos e depois pelos protestantes como parte do “Velho Testamento” ou, ainda, “Livros de História”. A expressão “Velho ou Antigo” devem ser evitadas posto serem ofensivas ao Eterno, aliás, uma violência! Por isso mesmo utilizaremos, para efeito didático, a expressão correta “Torá” quando nos referirmos ao conjunto destes cinco livros, “Tanach” quando nos referimos ao conjunto Torá-Nevi’im-Ketuvim e quando nos referirmos às Escrituras, incluindo os textos escritos depois de Yeshua, isto é, a B’rit C’hadashá, utilizaremos Kitvei HaKodesh (Escrituras Sagradas).

Milhares de pessoas, mal orientadas, afirmam que Yeshua pôs uma divisão entre a Torá, Nevi’im e os seus Ensinamentos. Não é verdade, pois basta uma leitura superficial dos Tehilim (Salmos) 89: 27-34 e verificaremos o Eterno mencionando o “primogênito” e a manutenção da sua “Aliança e da Torá”:

“Ele me invocará dizendo: Tu és meu Pai, meu D’us e Rocha da minha salvação. Também Eu o considerarei o meu primogênito, como superior aos reis da terra. Permanecerá com ele a minha graça e firme com ele a minha Aliança. A sua descendência será para sempre e o seu reino como os dias do céu. Se os seus filhos desprezarem a minha Torá e não seguirem os meus juízos; se violarem os meus estatutos e não guardarem as minhas Mitzvôt, então, punirei com vara as suas transgressões, e com açoites, a sua iniqüidade. Mas jamais retirarei dele a minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade. Não violarei a minha aliança nem modificarei o que meus lábios proferiram.”

Passagens confirmadas pela palavra de Yeshua em Mattityahu (Mateus) 5: 17-19 e, ainda, 23:1-2, cuja determinação é de que toda a Torá deve ser cumprida, como, aliás, ele cumpriu.

Ainda na versão grega, que é a utilizada pelas igrejas católico-protestantes os livros da Torá foram traduzidos, recebendo cada qual um nome grego: GÊNESIS, ÊXODO, LEVÍTICO, NÚMEROS e DEUTERONÔMIO.

Na versão hebraica, a mais correta, posto ser fiel à língua hebraica, utilizam-se as primeiras expressões de cada livro para nomeá-lo. Assim, a Tora úåøä divide-se em:

• áøàùéú Bereshit (Gênesis), significa “no princípio”
• ùîåú Shemot (Êxodo), significa “nomes”
• åé÷øà Vayicrá (Levítico), significa “e Ele chamou”
• áîãáø Bemidbar (Números), significa “no deserto”
• ãáøéí Devarim (Deuteronômio), significa “palavras”

Finalmente, o estudo da Torá está dividida em 54 Parashiot, isto é, 54 porções, correspondentes ao ano judaico, estudadas em cada Shabat ùãú, completando-se, então, o ciclo anual. Ao final deste ciclo de bênçãos, isto é, de Instrução pela Tora, faz-se festa, a chamada Simchat Torá úåøä ùîçú (alegria da Torá) pelo recebimento da Instrução. Acontecerá esta Festa em 26/10/2005, equivalente à 23 Tishrei, 5766.

Cada Parashá ôøùä (porção da Torá) é acompanhada de uma Haftará äôèøä (estudo conclusivo). Na leitura da Haftará utilizam-se, geralmente, textos dos Nevi’im (Profetas) e dos Ketuvim (por exemplo, Tehilim (Salmos), Mishlei (Provérbios), Divrei Hayamim I (1º Crônicas), Melajim I (1º Reis)). Mas, também, para os talmidim (discípulos) de Yeshua, e que crêem nele como Mashiach, estudam-se, também, as Narrativas acerca de Yeshua, Atos e Cartas dos Meshulachim e o livro da Revelação (Apocalipse). Apesar disto, é preferível, para efeito didático, como aliás tem-se feito na nossa Sinagoga desde sempre, que mantenhamos as Parashiot com suas respectivas Haftarôt em leitura e estudo normais, como acontece em todas as Sinagogas e o estudo dos Escritos dos Meshulachim, ainda que de forma complementar, a momento posterior, ou seja, em outros dias da semana.

© copyright do autor (não reproduzir sem autorização)

Obs.: o presente texto fez parte das aulas introdutórias ao Ciclo de Estudos da Torá em Parashiot, cujo término se dará agora. Mas, vale como uma nova apresentação pois, assim como termina o presente Ciclo, inicia-se outro. Este texto foi enviado apenas aos membros da Sinagoga Sêh HaElohim, agora publicado no CaféTorah.
Veja suas notas ao final.

Nas bênçãos do Eterno e na Luz do Mashiach,
Em ottobre 2004 – Cheshvan, 5765
Prof. J. Pietro B. Nardella Dellova

NOTAS AO TEXTO:
1. Salmos 119: 142;
2. Yochanam (João) 17: 17
3. Atualmente, estudam-se nas sinagogas judaico-messiânicas, também, os textos da B’rit C’hadashá (Narrativas da vida de Yeshua, Atos dos seus meshulachim, Cartas de orientação específicas ou gerais às primeiras comunidades judaico-messiânicas e Revelação);
4. Este é o nome correto de Jesus. Jesus é um nome greco-romano. Yeshua éùåö, nome hebraico, significa “salvação”; Utilizaremos apenas o nome YESHUA e quando nos referimos à sua qualidade de “ungido e esperado” utilizaremos YESHUA HaMASHIACH (Jesus, o Messias); Quando nos referirmos a Ele na condição humana, utilizaremos Yeshua Ben Yôsef (Jesus, filho de José) ou na sua condição de realeza, Yeshua ben David (Jesus, filho de David);
5. conforme verificamos em Lucas 4:15,16
6. Mestre e Apóstolo (emissário) S’haul (Apóstolo Paulo);
7. conforme em Romanos 11:18
8. os escribas e os fariseus aqui mencionados eram os da Escola de Hillel. São rabinos. Rav significa “Professor, Mestre”; Rabi significa “meu mestre”; Rabino significa “nosso mestre”. Rabino é um termo especialmente utilizado por todos que tenham concluído uma Escola Rabínica e, enfim, recebido tal título;
9. pois em Mattityahu (Mateus) 23: 1-3, encontramos a sua determinação
10. em Mattityahu (Mateus) 5:17-19
11. em Atos 15:21
12. em Tiago 2:10-11
13. Vejamos I João 2:3-5
14. cf. Apocalipse 12:17 e 14:12
15. É sempre bom nos referirmos ao Eterno assim: “Baruch HaShem”, isto é, “Bendito o Nome”, vez que devemos reverência e a Torá prescreve que devamos “abençoar” o nome do Eterno;
16. Estas tábuas,são as tábuas das DEZ PALAVRAS, isto é, dos Dez Mandamentos. Moshè as quebrou diante da idolatria do povo, mas D’us as reescreveu conf. está em Shemot (Êxodo) 34:1;
17. Shemot (Êxodo) 24: 12 e 31:18 e Devarim (Deuteronômio) 9:10,11
18. Devarim (Deuteronômio) 31: 12-13
19. Yeshayahu (Isaias) 56
20. 613 Mandamentos, conforme os estudos do Rabi Maimônides;
21. Shemot (Êxodo) 34: 28 e Devarim (Deuteronômio) 4: 12-13
22. Shemot (Êxodo) 24:12 e Devarim (Deuteronômio) 4:14
23. conforme Marcos 15:34
24. Shemot (Êxodo) 20:1
25. Devarim (Deuteronômio) 4:2 e Mattityahu (Mateus) 23: 1-2
26. Devarim (Deuteronômio) 4: 36
27. Shemot (Êxodo) 20:1
28. 365 dias refere-se aos dias do ano no calendário gregoriano. O ano judaico normal (shaná k’sidrá) tem 354 dias, mas poderá haver, ainda o ano judaico completo (sh’lemá) que tem 355 dias. Há anos, conforme o caso, que podem ter 383, 384 e 385 dias, casos de anos bissextos.
29. Mattityahu (Mateus) 5: 37
30. I aos Coríntios 10: 22-23
31. II Carta de S’haul a Timóteo 3: 14-17
32. Aos Romanos 6: 12
33. Mishlei (Provérbios) 3: 1-18
34. Devarim (Deuteronômio) 4:6
35. Cohélet (Eclesiastes) 12: 13-14

BIBLIOGRAFIA INDICADA pelo Prof. J. Pietro B. Nardella Dellova para o Ciclo de 5765-5766.

1.TORÁ (Bibbia Ebraica), a cura di Rav Dario Disegni (Pentateuco e Haftaroth). Firenze: Editrice La Giuntina, 1998;
2.NEVI’IM (Bibbia Ebraica) a cura di Rav Dario Disegni (Profeti Anteriori). Firenze: Editrice La Giuntina, 2003;
3.NEVI’IM (Bibbia Ebraica) a cura di Rav Dario Disegni (Profeti Posteriori). Firenze: Editrice La Giuntina, 2003;
4.KETUVIM (Bibbia Ebraica), a cura di Rav Dario Disegni (Agiografi). Firenze: Editrice La Giuntina, 2002;
5.CHUMASH com comentários de RASHI (Rabbi Shlomo Bem Itzhak): Bereshit, Shemot, Vayicrá, Bemidbar e Devarim. São Paulo: Trejger, 1993;
6.A TORÁ VIVA. Por Rabino Aryeh Kaplan, trad. Adolpho Wasserman. São Paulo: Maayanot, 2001;
7.LA SACRA BIBBIA. Traduzione di Giovanni Diodati. Roma: 1912;
8.ASHERI, Michael. O JUDAÍSMO VIVO: as tradições e as Leis dos Judeus Praticantes. Tradução de José Octávio de Aguiar Abreu. Rio de Janeiro: Imago, 1987;
9.AVINER, Rabino Shelomo. AS MULHERES DA BÍBLIA. Tradução de Paulo Rogério Rosenbaum, São Paulo: Sêfer, 2004;
10.BLOOM, Harold & ROSENBERG, David. O LIVRO DE J. Tradução de Monique Balbuena. Rio de Janeiro: Imago, 1992;
11.BUBER, Martin. EU e TU. Tradução, Introdução e Notas por Newton Aquiles Von Zuben (UNICAMP). São Paulo: Cortez & Cortez, 1979;
12.BUBER, Martin. IMAGENS DO BEM E DO MAL. Tradução de Edgar Orth. Rio de Janeiro: Vozes, 1992;
13.BUBER, Martin. MOSHÈ. Traduzione di Piera Di Segni. Genova: Casa Editrice Marietti, 2000;
14.CARMELL, Aryeh. JUDAÍSMO PARA O SÉCULO 21. Tradução de Paulo Rogério Rosenbaum. São Paulo: Sêfer, 2003;
15.CHARLESWORTH, james H.. JESUS DENTRO DO JUDAÍSMO: Novas Revelações a partir de Estimulantes Descobertas Arqueológicas. Tradução de henrique de Araújo Mesquita. Rio de Janeiro: Imago, 1992;
16.COHEN, Dr. A. IL TALMUD. Traduzione di Alfredo Toaff. Bari: Laterza & Figli, 1935;
17.DELLOVA, J. Pietro B. Nardella. A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO. Tesina de Mestrado em Ciências da Religião, na PUC-SP. São Paulo, 1998;
18.DELLOVA, J. Pietro B. Nardella. A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO: um estudo de Martin Buber, René Girard e Yeshua Bem Yôsef. Tesina de Mestrado em Filosofia e Teoria Geral do Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo: 2001;
19.DICHI, Isaac. NOS CAMINHOS DA ETERNIDADE: abordagem sobre as Parashiot e Festas Judaicas. São Paulo: Congregação Mekor Haim, 1989;
20.DICHI, Isaac. NOS CAMINHOS DA ETERNIDADE II: abordagem sobre as Parashiot e Festas Judaicas. São Paulo: Congregação Mekor Haim, 2000;
21.GRYLAK, Moshè. REFLEXÕES SOBRE A TORÁ. Tradução de Marcelo Firer. São Paulo: Sêfer, 1998;
22.GRUNFELD, Isidor. LO SHABBÀTH: guida allá comprensione e all’osservanza del Sabato. A cura di Roberto Bonfil. Firenze: Giuntina, 2004;
23.GUINSBURG, Jacó & ORTIZ, Carlos. ANTOLOGIA JUDAICA: Era Rabínica e Moderna. São Paulo: Editora Rampa, 1948;
24.HERZL, Theodor. O ESTADO JUDEU. Tradução de David José Perez. São Paulo: Organização da Pioneira Judia, 1949;
25.KAPLAN, Arieh. AS ÁGUAS DO ÉDEN: o mistério do micvê. Tradução de Rachel Rosenblum e Esther Eva Horowitz. São Paulo: Maayanot, 1992;
26.KAPLAN, Arieh. SÊFER IETSIRÁ: o livro da criação, teoria e prática. Tradução de Erwin Von-Rommel Vianna Pamplona. São Paulo: Sêfer, 2002;
27.KAPLAN, Arieh. IMORTALIDADE, RESSURREIÇÃO E IDADE DO UNIVERSO: uma visão cabalística. Tradução de Beatriz Telles Rudge. São Paulo: Sêfer, 2003;
28.LEMLE, Henrique. O JUDEU E SEU MUNDO. Rio de Janeiro: Editora B’nai B’rit, 1967;
29.LEVI, Abramo. NOI EBREI ITALIANI. Roma: Casa Editrice Pinciana, 1937;
30.MAIER, Johann & SCHÄFER, Peter. PICCOLA ENCICLOPEDIA DELL’EBRAISMO. Traduzione di Daniela Leoni. Casale Monferrato: Marietti, 1985;
31.MAIMÔNIDES, Moshè. OS 613 MANDAMENTOS. Tradução de Giuseppe Nahaïssi. São Paulo: Nova Stella Editorial, 1990
32.MAIMONIDE, Moshè. LE 613 MITZVÒT: estratto dal Sèfer haMitazvòt di Maimonide. A cura de Moise Levy. Milano: Àncora, 2002;
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34.PINKUSS, Fritz. O SHABAT. Tradução e colaboração de Herbert Caro. São Paulo: Congregação Israelita Paulista, Fundação Fritz Pinkuss, 1961;
35.ROSENBERG, Roy A.. GUIA CONCISO DO JUDAISMO: história, prática e fé. Tradução de Maria Clara de Biase W. Fernandes. Rio de Janeiro: Imago, 1992;
36.ROTH, Cecil et alii. ENCICLOPÉDIA JUDAICA. 10 Volumes. Tradução brasileira. Rio de Janeiro, 1967;
37.SCHOLEM, Gershom. AS GRANDES CORRENTES DA MÍSTICA JUDAICA. Tradução brasileira. São Paulo: Perspectiva, 1995;
38.STEINSALTZ, Adin. A ROSA DE TREZA PÉTALAS: introdução à cabala e à fé judaica. Tradução de Esther Eva Horowitz. São Paulo: Maayanot, 1992;
39.SZPICZKOWSKI, Ana. EDUCAÇÃO E TALMUD: uma releitura da Ética dos Pais. São Paulo: Humanitas e Fapesp, 2002;
40.TEDESCHI, Marco. PREGHIERE D’UM CUORE ISRAELITA. 2 Volumes. Livorno: Casa Editrice Belforte, 1948;
41.WEGENER, G. S.. SEIMILA ANNI E UM LIBRO: Storia del Texto Bíblico. Torino: Casa Editrice Marietti, 1965;

DADOS DO AUTOR:

© Prof. Ms. J. Pietro B. Nardella Dellova, 42, Mestre em Direito pela USP (A Crise Sacrificial do Direito: um estudo de René Girard, Martin Buber e Yeshua). Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP (A Palavra Como Construção do Sagrado: um estudo da Poesia em Heidegger e Osman Lins). Pós-graduado em Direito Civil (Os Direitos da Personalidade). Pós-graduado em Literatura Brasileira (A Palavra Multifacetada: do grau zero e outros graus da palavra). Formado em Filosofia e em Direito. Poeta e Membro da União Brasileira de Escritores – UBE. Autor dos livros: AMO, NO PEITO e ADSUM. Ex-membro da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/SP. Darsham (predicatore) e Líder da Sinagoga Sêh HaElohim (originada da Sinagoga Scuola (Beit HaMidrash), Lazio, Itália). Membro ativo da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação dos Advogados de São Paulo. Consultor e Palestrista. Professor de Direito Civil, Ética e Filosofia do Direito em São Paulo. Coordenador dos Cursos de Direito da Faculdade de Jaguariúna e da Faculdade Policamp, em SP.

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