IUS ou, do Direito Pleno

do Prof. J. Pietro B. Nardella Dellova

…non torcere il diritto,
non aver riguardi di sorta
e non farti corrompere
perche il prezzo della corruzione accieca gli occhi dei saggi
e rende tortuose le parole dei giusti.
La giustizia, la vera giustizia seguirai affinché tu viva
ed erediti la terra che Adonai, il tuo D’o sta per darti
(Torá, in Devarim 16: 19-20)

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Abrasa no fundo do peito
A flama tanta e intensa
No desejo suave e humano
De abençoar qualquer outro peito,
De conduzir o aflito ao repouso
E iluminar o perdido no engano,
Que jaz perturbado
Na agonia de um direito…

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Clama e geme este peito repleto
Para atender como seguro porto
A nau cansada de tempestades,
Cansada de lutas em desertos mares!
Vazada em seus fundamentos,
Alagada na desesperança e tédio…

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Para estender a mão ao que tropeça,
Abrir os olhos ao enceguecido,
Fortalecer o ânimo dos desanimados,
Curar o que se deitou enfermo
No caminho estranho da existência,
E despertar nas vigílias ficando em si,
Carregando o mundo, mergulhado na fé
De buscar mais que a verdade: a essência…

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E fazer valer a voz do oprimido,
A lágrima do que chora na sinceridade
Daquele que não tem quem o ajude
E do outro na fome esquecido
(do perseguido por qualquer potestade)

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E fazer restabelecer-se a honra ao desonrado,
A paz ao arrancado, ao morto, ao roubado!
Fazer dosar-se a pena
Pela espada do condenado…
Garantir os pesos
No pêndulo da imparcialidade…

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E apascentar a massa disforme, descrente,
Para ser povo apenas,
Para sair da lama e ser alma vivente,
Ser gente com o fôlego da liberdade
…de caminhar em terra serena…

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Meu peito ainda chora
E mora nos altares da Justiça Mor,
Meus pés buscam veredas justas
Para não frustrar o que se frustra
Cansado ao redor
De qualquer atalho…

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D’us! Meu tão intenso D’us!
O peito ainda chora e busca
A plenitude,
A virtude no sagrado óleo do Direito
Em que molho as mãos ungidas neste instante,
Caminhante de um Novo Caminho
De tantas formas feito,
Tantas cores:
O Direito!

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Ah, o Direito…

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Não se misture neste vinho
(neste sangue de tantos derramado)
O fel da hipocrisia
Daqueles sepulcros caiados,
Que não seja um mistério calado,
Mas que se misture ao cálice
O entranhável grito da eqüidade,
Que o levante o braço hirto
Que o enfeite a liberdade,
E o azeite desta conquistada unção
Tão-só ao vermelho se misture
E dure sempre na vida que nos foi dada,
Para não fugirmos, envergonhados,
Daquela singular imagem
Formada amiúde no espelho!

© copyright do autor (não reproduzir sem autorização)

© Este poema foi escrito em 1990 para uma determinada formatura do Curso de Direito e, publicado, originalmente, no Livro de Poesias “ADSUM”, Ed. João Scortecci, 1992

Dedicado, hoje, aos alunos que estudam Direito e Torá!

© Prof. J. Pietro B. Nardella Dellova, 42, Mestre em Direito pela USP (A Crise Sacrificial do Direito: um estudo de René Girard, Martin Buber e Yeshua). Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP (A Palavra Como Construção do Sagrado: um estudo da Poesia em Heidegger e Osman Lins). Pós-graduado em Direito Civil (Os Direitos da Personalidade). Pós-graduado em Literatura Brasileira (A Palavra Multifacetada: do grau zero e outros graus da palavra). Formado em Filosofia e em Direito. Poeta e Membro da União Brasileira de Escritores – UBE. Autor dos livros: AMO, NO PEITO e ADSUM. Ex-membro da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/SP. Darsham (predicatore) e Líder da Sinagoga Sêh HaElohim (originada da Sinagoga Scuola (Beit HaMidrash), Lazio, Itália). Membro ativo da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação dos Advogados de São Paulo. Consultor e Palestrista. Professor de Direito Civil, Ética e Filosofia do Direito em São Paulo. Coordenador dos Cursos de Direito da Faculdade de Jaguariúna e da Faculdade Policamp, em SP.

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