O Vale de Hinom

 

Em nossa jornada de hoje queremos convidar-te a conhecer o Vale dos Filhos de Hinom, um dos lugares mais obscuros da Bíblia, porém os sacerdotes da época de Yeshua escolheram ser sepultados ali, uma demonstração de que há esperança após a morte, siga-nos por esta aventura nos passos de Yeshua e os discípulos.

 

O Vale de Hinom é um dos lugares bíblicos mais controverso, porém não há dúvidas sobre a sua localização. A controvérsia é o novo sentido que tomou o local após os textos do Novo Testamento.

Geena (do hebraico גֵיא בֶן-הִנֹּם, transl. Geh Ben-Hinom, literalmente “Vale de Hinom”) é um vale em torno da Cidade Antiga de Jerusalém, e que veio a tornar-se um depósito onde o lixo era incinerado. Atualmente é conhecido como Uádi er-Rababi em árabe e Gey Ben Hinom em Hebraico.

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Esta palavra grega surge doze vezes no texto bíblico, nos seguintes locais:

  • Mateus 5:22, 29, 30; 10:28; 18:9; 23:15, 33
  • Marcos 9:43, 45, 47
  • Lucas 12:5
  • Tiago 3:6

Geena refere-se ao vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém. Este vale era usado como depósito de lixo, onde se lançavam os cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais, e toda outra espécie de imundície. Usava-se enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. Jesus usou este vale como símbolo da destruição eterna.

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A pessoa cujo nome teria dado origem à designação deste vale não é conhecida, assim como também se desconhece o significado do próprio nome Hinom ou Enom.

O local também aparece no Antigo Testamento pelas seguintes expressões:

  • O “vale do(s) filho(s) de Hinom” (ou Ben-Enom) promovendo este tipo de prática degradante em grande escala, também veio a fazer “os seus próprios filhos passarem pelo fogo no vale do filho de Hinom”, conforme 2 Crónicas 33:1, 6, 9 (NM). O Rei Josias, neto de Manassés, finalmente acabou com esta prática por profanar este lugar, especialmente em Tofete,tornando-o impróprio para a adoração, talvez por espalhar ali ossos ou lixo, conforme 2 Reis 23:10 que informa:
    “Também profanou a Tofeth, que está no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém fizesse passar a seu filho, ou sua filha, pelo fogo a Moloch.” (Almeida).

    Comentando este versículo, o erudito judeu David Kimhi (1160?-1235?) diz o seguinte como possível explicação sobre Tofete:

    “Nome do lugar em que eles faziam seus filhos passarem pelo fogo para Moloque. O nome do lugar era Tofete, e diziam que era chamado assim porque eles dançavam e tocavam pandeiros [hebr.: tuppím] por ocasião da adoração, para que o pai não escutasse os gritos do filho quando o estivessem fazendo passar pelo fogo, e para que seu coração não ficasse agitado e ele o tirasse da mão deles. E esse lugar era um vale que pertencia a um homem chamado Hinom, de modo que era chamado de ‘Vale de Hinom’ e de ‘Vale do Filho de Hinom’. E Josias conspurcou aquele lugar, reduzindo-o a um lugar impuro, para nele se lançarem carcaças e toda impureza, a fim de que nunca mais subisse ao coração do homem fazer seu filho ou sua filha passar pelo fogo para Moloque.” (Biblia Rabbinica, Jerusalém, 1972).

    Segundo nota de rodapé na Bíblia Sagrada, da Difusora Bíblica Franciscanos Capuchinhos, o termo Tofete pode significar “queimador”.

    Na foto, o Vale de Hinom abaixo e as muralha de Jerusalem no meio. Ao fundo o Monte das Oliveiras.

    Com o tempo, o vale de Hinom tornou-se o depósito e incinerador do lixo de Jerusalém. Lançavam-se ali cadáveres de animais para serem consumidos pelos fogos, aos quais se acrescentava enxofre para ajudar na queima. Também se lançavam ali os cadáveres de criminosos executados, considerados imerecedores dum sepultamento decente num túmulo memorial. Quando esses cadáveres caíam no fogo, então eram consumidos por ele, mas, quando os cadáveres caíam sobre uma saliência da ravina funda, sua carne em putrefacção ficava infestada de vermes, ou gusanos, que não morriam até terem consumido as partes carnais, deixando somente os esqueletos. Nenhum animal ou criatura humana vivos eram lançados na Geena, para serem queimados vivos ou atormentados.

    “Tornou-se o depósito de lixo comum da cidade, onde se lançavam os cadáveres de criminosos, e as carcaças de animais, e toda outra espécie de imundície.” — Smith’s Dictionary of the Bible (Boston, 1889, Vol. 1, p. 879.)

    O Novo Comentário Bíblico, na página 779, em inglês, diz:

    “Geena era a forma helenizada do nome do vale de Hinom em Jerusalém, no qual se mantinham constantemente fogos acesos para consumir o lixo da cidade. Este é um poderoso quadro da destruição final.”
    “Visto que alguns israelitas sacrificavam ali seus filhos a Moloque, o vale veio a ser considerado como lugar de abominação. Num período posterior foi transformado num lugar onde se jogava o lixo, e perpetuavam-se os fogos para impedir uma pestilência.” — The New Funk & Wagnalls Encyclopedia (Nova Iorque, 1950, Vol. 15, p. 5576)

 

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Nos últimos anos a pesquisa arqueológica têm revelado alguns detalhes muito interessantes sobre o Vale de Hinom, o mais interessante deles é de que no Vale de Hinom estão o maior número de câmaras escavadas em rocha para sepultamento.

O segundo detalhe interessante revelado pela arqueologia é de que apesar da má fama do local tanto no VT quanto no NT, durante o período do segundo templo, no século primeiro da EC, muitos dos sacerdotes foram sepultados aqui em câmaras como a da foto abaixo.

Algumas centenas de anos depois, quando a região caiu nas mãos do Império Bizantino, alguns dos túmulos foram re-utilizados por famílias nobres de cristãos que utilizaram para sepultar ali os seus mortos na Cidade Santa.

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