Portugal também aprovou cidadania para judeus sefarditas

Curso Herança Judaica do Novo Testamento

Depois de Madrid, o governo de Lisboa aprovou alterações nas leis de cidadania para permitir os direitos de dupla nacionalidade, para os judeus de portugueses-espanhóis poderem solicitar “a relação tradicional”

Seguindo Espanha, nesta quinta-feira, 29/01/2015 a lei dos direitos civis do Governo Português aprovou o que dá o direito de cidadania aos descendentes de judeus que foram perseguidos há 500 anos no país.

O porta-voz do Gabinete Luis Marques disse que o governo aprovou mudanças na lei, que dão dupla cidadania aos judeus de ascendência espanhola cujos seus antepassados viveram na Península Ibérica.

Os direitos serão concedidos para aqueles que podem provar a 'conexão tradicional” de judeus espanhóis-portugueses como” sobrenomes, linguagem, e da dinastia ou parentes espanhóis.

“Os candidatos serão avaliados pela Comunidade Judaica Português, bem como por agências governamentais. Os candidatos ter ficha limpa. A Espanha no ano passado aprovou uma lei semelhante.

O Parlamento Português aprovou por unanimidade uma lei em 2013. Desde então o governo esboçou artigos jurídicos e estabeleceu procedimentos administrativos. Ainda não foi informada a data em que a lei entrará em vigor, o que deverá ser validado com a publicação dos anúncios oficiais do governo em breve.

Líderes da comunidade judaica dizem esperar que o processo começará dentro de quatro meses, e acentuou que os candidatos não necessariamente tem que viver fisicamente em Portugal.

Em fevereiro de 2014, 522 anos após o rei Fernando II e a rainha Isabel tomarem o primeiro passo para uma ordem de deportação dos judeus da Espanha, o governo Madrid aprovou uma lei permitindo que os descendentes dos deportados obtenham cidadania espanhola, sem renunciar à cidadania do país de residência.

A família real português, ganhou as receitas fiscais e o talento dos artezãos judaicos, o que fez de Portugal um dos países mais ricos da Europa no século XV, com sua comunidade sefardita prosperando.

Depois que a Espanha expulsou os judeus em 1492, cerca de 80 mil deles cruzaram a fronteira para Portugal, de acordo com estimativas. João II de Portugal recebeu os judeus espanhóis que fugiram do da expulsão lhes dando abrigo. Ele prometeu dar-lhes navios para que eles possam fugir para outros países, mas depois mudou de idéia.

Em 1496 o rei D. Manuel I, tentando agradar os dominadores espanhóis católicos, Fernando e Isabel, casou sua filha Isabel de Aragão, e emitiu para os judeus um ultimato de dez meses – conversão ou expulsão. Quando os judeus optaram por partir, D. Manuel emitiu um novo decreto que proíbe a saída e os obrigava a adotar a fé cristã católica”.

Nes ambiente é que surgem os Crypto Judeus (“cristãos-novos”) que adotaram novos nomes, os assimilados até comeram carne de porco em público para provar sua devoção ao catolicismo. Mas alguns judeus mantiveram a tradição secretamente em suas casas no sábado, e no domingo iam à igreja. Eles continuaram circuncidado seus filhos e, secretamente, também em jejuvam no Yom Kippur, o dia da sua chamada “purificação” (dia puro).

Embora oficialmente foram recebidos, “cristãos-novos” vivia com medo. Em 1506 mais de 2000 judeus foram mortos pelos próprios cidadãos portugueses. Este incidente foi chamado pelos judeus locais de “O Massacre da Páscoa”.

A Inquisição em Portugal foi instituída em 1536, ela foi muitas vezes mais cruel do que a inquisição espanhola. Foram perseguidos, torturados e queimados na fogueira dezenas de milhares de judeus. Estes eventos são agora considerados uma mancha na história de Portugal.

Pouco de Mais, Tarde Demais

Tanto Portugal quanto a Espanha levaram tempo demais afim de reconhecer as tremendas crueldades que cometeram com aqueles que haviam trazido para a península ibérica o conhecimento, a cultura e a riquesa.

Mas como se diz no Brasil, “Antes Tarde Doque Nunca”

Em 1988, o então Presidente Mário Soares reconheceu com a comunidade judaica de Portugal e formalmente pediu desculpas pela Inquisição. Em 2000, o líder da Igreja Católica emitiu um pedido público de desculpas pelo sofrimento causado pela Igreja, e, em 2008, a uma escultura foi erguida em memória dos mortos na Igreja de São Domingos, onde teve o início “O Massacre de Páscoa”