Seria o Monte Karkom o Monte Sinai da Bíblia?

O Monte Karkom, leia-se Carcum, em Hebraico הר כרכום localizado junto a fronteira com o Egito têm todas as indicações para ser nada menos do que o Monte Horebe, o Sinai da Bíblia.

Segundo o arqueólogo renomado, Emmanuel Anati, cuja a tese foi adotada até mesmo pelo vaticano, o Monte Sagrado onde Moisés recebeu os 10 Mandamentos não é o Jabel Musa, no sul da península do Sinai, mas sim esta montanha de 700 metros localizada em duas ramificações do riacho de Parã, no lado israelense da fronteira do Deserto de Parã.

Entre as muitas gravações encontradas no local, Emmanuel Anati destaca algumas que lembram passagens das escrituras sagradas a respeito do Êxodo israelita.

Segundo Anati, o termo SINAI vêm do nome do deus da lua, SIN que era adorado na antiguidade mesmo ante dos hebreus se instalarem na região, e o Monte Karkom por sua vez fica na fronteira entre os amalequitas, os midianitas e os idumeus, que disputavam o território conforme pode ser lido até mesmo na Bíblia.

Os Hebreus foram atacados quando passavam rumo a terra de Canaã da mesma forma que as filhas de Jetro tiveram problemas com os pastores na chegada de Moisés no livro de Êxodo.

E o sacerdote de Midiã tinha sete filhas, as quais vieram tirar água, e encheram os bebedouros, para dar de beber ao rebanho de seu pai.
Então vieram os pastores, e expulsaram-nas dali; Moisés, porém, levantou-se e defendeu-as, e deu de beber ao rebanho.
Êxodo 2:16,17

Acima um representação entalhada semelhante aos 10 mandamentos de Êxodo 20.

Emmanuel Anati crê que a região de disputa entre os povos era uma região sagrada para todos os povos da região, e portanto, nada mais natural do que também para o Povo de Israel. O Monte Sinai hoje conhecido como Jabel Musa ao sul da península do Sinai fica muito longe de onde viviam os midianitas, cerca de 350 quilômetros ao sul, enquanto o Monte Karkum está muito mais próximo.

Emmanuel Anati descobriu que a montanha era um grande centro de culto paleolítico, com o planalto circundante coberto com santuários, altares, círculos de pedra, pilares de pedra, e mais de 40.000 gravuras entalhadas em rochas.

Outra característica muito interessante que reforça a localização do Monte Sinai bíblico na região é a localização do Monte Karkum não muito longe de Kadesh Barnea e no meio do caminho do Egito para o Monte Hor, na região de Petra na Jordânia, o que seria a confirmação desta passagem bíblica:

Disse pois: O Senhor veio de Sinai, e lhes subiu de Seir; resplandeceu desde o monte Parã, e veio com dez milhares de santos; à sua direita havia para eles o fogo da lei.Deuteronômio 33:2

O texto acima demonstra uma rota direta entre três pontos cardinais, o Monte SINAI, o Monte SEIR e o Monte Parã, todos alinhados formam um caminho no norte da península do SINAI exatamente entre a terra de Edom e o Egito.

O Monte Karkum fica localizado exatamente no meio desta rota.

Acima gravação na rocha que lembra o Menorah, o candelabro de 7 braços que Moisés fez para colocar na Tenda da Revelação

Har Karkom era um centro de culto primordial e já era uma montanha sagrada na Idade do Paleolítico, atingindo o seu pico de atividade religiosa no terceiro milênio AC, quando era uma verdadeira “Meca” para os povos do deserto.

Os fatos escritos nos livros de Êxodo e Números contam com um fundo histórico, e se de fato ocorreu um êxodo do Egito com paradas no Monte Sinai e em Cades-Barnéia, o contexto cronológico pode referir-se apenas ao período BAC, e mais precisamente a fase BAC IV (2350-2000 AC), o que diverge do período aceitável do Êxodo na cronologia atual.

Har Karkom era uma montanha sagrada primária nesse período, e a topografia e a evidências arqueológicas do seu planalto parecem refletir a localização e o caráter do bíblico Monte Sinai. O problema de Emmanuel Anati é de que a datação do Êxodo em sua tese está por volta de 2300 AC, enquanto a maioria dos acadêmicos aceitam que o Êxodo teria ocorrido entre 1600 e 1300 AC, uma diferença de mil anos.

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