A crise no Líbano parece estar agravada com a assinatura do acordo entre Israel e o país. O Hezbollah, movimento xiita e braço armado do regime iraniano no Líbano, está ameaçando de forma explícita uma guerra civil interna. As razões para essa ameaça estão relacionadas ao fato de o acordo não ter enfraquecido o suficiente o controle do Hezbollah sobre as milícias e as armas no país. Com uma força de tensos de milhares de homens armados, um arsenal de mísseis e drones, e elementos leais dentro das forças militares e de segurança, o Hezbollah é um jogador importante na política libanesa. Além disso, tem um orçamento de 2 bilhões de dólares em 2025, graças ao apoio do regime iraniano.
O Hezbollah é apoiado por oficiais da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e membros de milícias pró-iranianas, como as Brigadas Libanesas, composta por muçulmanos sunitas. É justamente essa situação que torna o acordo entre Israel e o Líbano tão delicado. O Hezbollah não está disposto a se render e a desarmar, e está preparado para fazer o que for necessário para evitar que isso aconteça.
A situação é ainda mais complexa com a intervenção do movimento xiita Amal, aliado do Hezbollah. O presidente do Amal, Nabih Berri, também é o presidente da Assembleia Nacional do Líbano. Berri criticou o acordo com Israel e o considerou um risco para a estabilidade do país, mas ao mesmo tempo, está bloqueando a possibilidade de uma confrontação interna que poderia enfraquecer o Hezbollah. Em outras palavras, está enviando um recado ao Hezbollah: se uma confrontação ocorrer, o Amal não estará do lado dos seus aliados.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, é outro jogador importante nessa crise. Ele é um líder maronita e é a figura mais destacada na aprovação do acordo com Israel, que requer sua assinatura conforme a constituição libanesa. Aoun acredita que o acordo pode ser um passo importante para a retirada israelense, sob pressão dos EUA, e para a concentração das armas nas mãos do Estado. Além disso, permite que ele separe a pauta libanesa dos negociações entre Teerã e Washington.
No entanto, Aoun também está preocupado com a possibilidade de uma confrontação interna e guerra civil. Por isso, acredita que o processo de desarmamento pode levar muito tempo. O exército libanês também está envolvido nessa crise. O comandante do exército, Rodolphe Haykal, estava em uma visita de trabalho à Grã-Bretanha quando o acordo foi assinado. O exército ainda não recebeu ordens claras sobre como proceder em relação ao acordo e ao Hezbollah.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não levantes a espada contra o irmão teu, nem aproximes-te da face da cidade dos teus, para que não te suceda a ruína, antes ou depois; porque tu não prevalecerás contra ela; e não te aproximes dela, para que tu não seja derrocado, e não te suceda a ruína, diante dela.” (Deuteronômio 20:19)
Fonte original: Under threat of civil war: This is Lebanon's balance of power — Israel Hayom
