A decisão de Donald Trump, presidente dos EUA, de adiar novamente ações militares contra o Irã reflete a difícil situação em que se encontra. Após semanas de tensão, Trump optou por dar uma chance mais uma vez ao acordo com o Irã, apesar de saber que os iranianos são improváveis de honrar suas promessas. A dificuldade política é grande, pois as eleições parlamentares no Congresso americano estão se aproximando e o Irã tem uma considerável capacidade de influenciá-las. A maioria republicana no Senado está frágil, enquanto a situação na Câmara dos Deputados, onde todos os assentos estão em disputa, é ainda mais precária.
Trump precisa de um Congresso cooperativo nos últimos dois anos de seu mandato para completar reformas políticas domésticas e terminar a guerra contra o Irã, o que inclui enfraquecer drasticamente ou até mesmo derrubar o regime. Os comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã entendem isso e estão aplicando pressão em ambas as estradas de Hormuz e Bab el-Mandeb para garantir ganhos de longo prazo que fortaleçam o regime e impeçam precisamente o objetivo estratégico que Trump busca.
Outro risco iraniano é ainda mais grave: incendiar poços de petróleo no Golfo e causar danos graves em refinarias e outras instalações, um cenário de apocalipse que o Irã transmitiu a Trump através da Qatar. A decisão de parar o ataque americano não resultou apenas da apelação do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, mas principalmente da intervenção qatariana. Doha garantiu que o Irã honraria suas compromissos sob o acordo de entendimento para reabrir a estrada de Hormuz. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, transmitiu essa garantia aos EUA, tanto através dos qataris quanto em mensagens diretas aos embaixadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
O emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, e o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, têm uma curiosa aliança. Fotos: Reuters, Getty Images. As conversas de telefone do fim de semana do emir do Qatar com a Casa Branca alertaram que um ataque americano em larga escala, especialmente aqueles que visam instalações energéticas, desencadeariam uma contraofensiva iraniana. Essa contraofensiva, disseram eles, paralisaria e causaria danos graves à indústria energética do Golfo e levaria a preços do petróleo a aumentar drasticamente. Os americanos exigiram que qualquer acordo também cobrisse a estrada de Bab el-Mandeb e inclua uma compromissão direta dos comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica. É incerto se tal compromisso foi obtido.
Fontes diplomáticas do Golfo disseram que a equipe de negociação americana envolvida nas discussões incluía o vice-presidente JD Vance e os embaixadores Witkoff e Kushner. Trump também participou de algumas dessas discussões. Outros estados do Golfo, no entanto, opõem-se a essa abordagem. Segundo fontes diplomáticas da região, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, disse a Trump e a Kushner que a solução era meramente temporária e que o Irã poderia não a honrar. Os tanques continuariam paralisados, disse ele, e a ameaça a longo prazo persistiria.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não te apresses em te vingar, nem deixa que o teu coração te leve a querer a vingança” (Provérbios 24:23).
Fonte original: Trump's Iran dilemma: 'The longer the delay, the greater the damage' — Israel Hayom
