O professor Uzi Rabi, pesquisador da Universidade de Tel Aviv, afirmou que a pressão dos Estados Unidos tem causado um desgaste considerável na economia iraniana, mas alertou que as sanções sozinhas não são suficientes para derrubar o regime de Teerã. Segundo o especialista, a política de sanções – que inclui restrições ao setor de energia, ao sistema financeiro e ao comércio de bens de alto valor – reduziu drasticamente as exportações de petróleo do Irã, provocando uma queda de quase 40% nos últimos dois anos. Essa diminuição de receitas tem gerado uma escassez de divisas, levando a uma desvalorização acelerada do rial e a uma inflação que supera os 50% ao ano, afetando diretamente o poder de compra da população.
Apesar do sofrimento econômico, Rabi destaca que o governo iraniano tem demonstrado uma capacidade notável de adaptação. O país tem intensificado o uso de mecanismos de evasão, como o comércio por meio de navios-cisterna de bandeira de terceiros, o desenvolvimento de um mercado negro de moedas e a ampliação de acordos com parceiros não ocidentais, sobretudo a China, a Rússia e alguns Estados do Oriente Médio. Essas redes de contorno permitem que o Irã continue a adquirir tecnologia e insumos críticos, mitigando parte dos efeitos das sanções.
O pesquisador também ressalta que a estabilidade do regime depende de fatores políticos internos que vão além da situação econômica. O aparato de segurança, liderado pelos Guardas Revolucionários, mantém um controle rígido sobre a sociedade, reprimindo protestos e limitando a mobilização de grupos de oposição. Além disso, a narrativa de resistência contra a agressão externa ainda funciona como um elemento coesivo, reforçando a legitimidade do governo perante setores conservadores da população.
No panorama internacional, a continuidade das sanções americanas tem implicações diretas para Israel. O Estado judeu tem acompanhado de perto a deterioração econômica do Irã, pois a crise pode limitar a capacidade de Teerã de financiar grupos militantes na Síria, no Líbano e na Faixa de Gaza. Contudo, Rabi adverte que uma crise profunda poderia também gerar instabilidade interna que, se mal gerida, levaria a um vácuo de poder e a um aumento da violência sectária, o que seria prejudicial à segurança regional, inclusive aos interesses israelenses.
Para Washington, a estratégia de “pressão máxima” busca obrigar o Irã a retornar às negociações nucleares e a abandonar programas de mísseis balísticos. Contudo, o professor Uzi Rabi indica que, sem uma oferta concreta de alívio econômico ou garantias políticas, as sanções podem apenas aprofundar o isolamento do país, sem provocar uma mudança de regime. Ele recomenda que, além das medidas punitivas, os EUA considerem um caminho diplomático que inclua incentivos graduais, a fim de criar um ambiente propício a reformas internas.
Em síntese, as sanções americanas estão corroendo a base econômica do Irã, mas o regime permanece resiliente graças a mecanismos de evasão, apoio de aliados estratégicos e ao controle interno exercido pelos órgãos de segurança. O futuro da política iraniana dependerá, portanto, de um equilíbrio delicado entre pressão econômica, diplomacia e a capacidade do governo de manter a coesão social diante de um cenário de crescente escassez. Para Israel, a situação representa tanto uma oportunidade de enfraquecer um adversário tradicional quanto um risco de instabilidade que pode se transformar em novas ameaças à segurança regional.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: US sanctions are hurting Iran, but economic collapse alone may not topple regime, expert says — Jerusalem Post
