A crise interna que vem abalando a Yesh Atid, partido centrista liderado por Yair Lapid, ganhou novos contornos na última semana, quando quatro deputados – entre eles dois dos fundadores da legenda – anunciaram que permanecerão filiados, mas não concorrerão nas próximas eleições. A decisão chega num momento em que a estratégia de formar uma aliança conjunta com o ex‑primeiro‑ministro Naftali Bennett, que pretendia integrar forças de direita moderada, começou a perder força nas pesquisas eleitorais.
A aliança, anunciada em meados de 2023, tinha como objetivo criar um bloco capaz de desafiar tanto o Likud de Benjamin Netanyahu quanto a coalizão de centro‑esquerda liderada por Lapid. Na prática, a proposta previa que Bennett fosse candidato a primeiro‑ministro, enquanto Lapid ficaria como ministro das Finanças, numa fórmula que pretendia unir eleitores que buscam segurança e ao mesmo tempo reformas econômicas. Contudo, as sondagens recentes mostraram a aliança com percentuais abaixo de 10%, bem atrás dos principais concorrentes. Esse recuo refletiu um desgaste da imagem de Bennett, que, após seu breve mandato como chefe de governo, tem sido associado a instabilidade política.
Os quatro parlamentares que se retiraram da lista eleitoral – entre eles os veteranos Orly Levy‑Abekasis e Meirav Cohen – justificaram a medida como “necessária para preservar a integridade do partido”. Embora mantenham a filiação, eles argumentam que a candidatura conjunta com Bennett compromete a identidade da Yesh Atid e pode afastar eleitores centristas que temem um retorno ao nacionalismo exacerbado. A saída desses nomes, que carregam credibilidade e experiência legislativa, pode enfraquecer ainda mais a capacidade de mobilização da legenda nas urnas.
Em resposta ao impasse, dirigentes de alto escalão da Yesh Atid sugeriram que Bennett deveria abandonar a corrida à primeira‑ministra e, em vez disso, integrar-se a uma nova formação liderada por Moshe Eisenkot – um ex‑oficial das Forças de Defesa que tem ganhado destaque como figura de consenso entre a direita moderada. A proposta de “mesclar” as forças sob a bandeira de Eisenkot visa criar um bloco mais coeso, que poderia atrair eleitores desiludidos tanto com o Likud quanto com a própria aliança Bennett‑Lapid.
As possíveis consequências desse reordenamento são múltiplas. Primeiro, a retirada dos quatro MKs pode reduzir ainda mais a atratividade da aliança Bennett‑Yesh Atid, facilitando a consolidação do Likud como principal força de direita. Segundo, um bloco liderado por Eisenkot poderia emergir como o verdadeiro “coração” da direita liberal, oferecendo uma alternativa ao nacionalismo duro de Netanyahu e ao populismo de outros partidos. Por fim, a Yesh Atid, ao perder membros influentes, corre o risco de ficar marginalizada, o que poderia abrir espaço para novos atores centristas ou até mesmo fortalecer a própria coalizão de Lapid, caso ele decida romper definitivamente com Bennett.
Em síntese, a saída dos quatro parlamentares evidencia a fragilidade da estratégia de união entre Yesh Atid e Bennett, que tem sido corroída por pesquisas desfavoráveis e por divergências ideológicas internas. A busca por uma nova liderança sob Eisenkot pode representar a tentativa de salvar a direita moderada, mas também traz à tona o risco de fragmentação do campo opositor a Netanyahu, cenário que, se não for bem administrado, pode favorecer o retorno do líder do Likud ao poder nas próximas eleições.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: Wave of Yesh Atid MKs quit election run as joint slate with Bennett falters in polls — Times of Israel
