Diplomatas e oficiais de segurança da região confirmaram que Arábia Saudita e Israel mantêm contato direto, mediado pelo Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), para enfrentar a crescente ameaça dos rebeldes houthis iemenitas. A iniciativa surgiu após o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, ter procurado apoio de diversos países do Oriente Médio – inclusive de forma indireta a Israel – para conter os ataques que vêm pressionando o seu esforço militar no Iêmen. O pedido saudita foi encaminhado ao CENTCOM, que atua como centro de comando conjunto responsável por coordenar operações defensivas e ofensivas na zona, e incluiu a solicitação de compartilhamento de inteligência e outras formas de assistência que possam impedir que os houthis bloqueiem o estreito de Bab al‑Mandab, rota estratégica que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico.
A ameaça houthis tem se intensificado nos últimos meses, com a facção iemenita lançando mísseis e drones contra navios comerciais e instalações costeiras da Arábia Saudita, além de tentar obstruir o tráfego marítimo no Bab al‑Mandab, ponto crucial para o comércio global de petróleo. O rei Salman e seu filho, o príncipe herdeiro, enfrentam dificuldades operacionais no Iêmen, onde a coalizão liderada pela Arábia Saudita tem lutado contra os rebeldes apoiados pelo Irã. O envolvimento de Israel, ainda que indireto, sinaliza uma mudança no panorama de segurança regional: apesar de não haver relações diplomáticas formais entre os dois países, compartilham um interesse comum em conter a expansão da influência iraniana, que alimenta os houthis.
O CENTCOM, ao intermediar o diálogo, oferece à Arábia Saudita acesso a recursos de inteligência avançada, incluindo vigilância por satélite, interceptação de comunicações e análise de padrões de lançamento de mísseis. Israel, por sua vez, dispõe de um sofisticado aparato de coleta de dados e de tecnologia de defesa antimíssil, como o sistema “Iron Dome” adaptado para ameaças de curto alcance. Embora o acordo ainda esteja em fase preliminar, a cooperação poderia resultar em patrulhas conjuntas de vigilância aérea e marítima, bem como em respostas rápidas a lançamentos de drones ou mísseis houthis.
As implicações desse contato são múltiplas. Primeiro, evidencia uma convergência de interesses que pode pavimentar um caminho para uma maior aproximação entre Riyadh e Jerusalém, apesar das barreiras políticas e religiosas que historicamente impediram a normalização. Segundo, reforça a percepção de que os Estados Unidos continuam a ser o principal facilitador de alianças estratégicas no Oriente Médio, usando o CENTCOM como ponte entre aliados tradicionais e emergentes. Por fim, o apoio israelense à Arábia Saudita pode desencadear reações de Teerã, que já denunciou a presença de “agentes estrangeiros” nos conflitos regionais. O Irã pode intensificar o apoio aos houthis como forma de retaliação, elevando o risco de escalada militar.
Em síntese, a cooperação entre Arábia Saudita e Israel, mediada pelo CENTCOM, representa um passo significativo na luta contra a ameaça dos houthis e um indicativo de que, diante de desafios comuns, antigos rivais podem encontrar terreno de colaboração. O desenrolar desse diálogo poderá influenciar não apenas a segurança do estreito de Bab al‑Mandab, mas também a dinâmica geopolítica do Oriente Médio nas próximas décadas.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não temas, porque eu sou o teu Deus; eu te fortalecerei, e te ajudarei, e te sustentarei com a minha destra fiel.” (Isaías 41:10)
Fonte original: Saudi Arabia, Israel in talks through CENTCOM over Houthi threat — Israel Hayom
