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Israel na Tailândia: influência iraniana alimenta hostili…

A onda de hostilidade contra israelenses que se manifestou na Tailândia nos últimos meses tem raízes múltiplas, mas um elemento ainda pouco analisado vem ganhando destaque: a presença de longa data do Irã no país e sua capacidade de influenciar o discurso local por meio de instituições religiosas, acadêmicas e de ativismo xiita. Essa rede iraniana vai muito além da diplomacia tradicional; ao longo de décadas, Teerã investiu em centros religiosos, estabeleceu laços com clérigos tailandeses e financiou instituições de ensino vinculadas ao mundo xiita, como a Al‑Mustafa International University. Essa infraestrutura fornece ao Irã um canal direto de acesso a audiências locais, pronto para ser mobilizado quando seus interesses estratégicos exigirem.

Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, a presença iraniana tem sido ainda mais perceptível nas manifestações tailandesas. Figuras de destaque da comunidade xiita do país, como o líder religioso Syed Sulaiman Husaini e seu círculo próximo, já participaram de protestos em frente à embaixada israelense e de campanhas para a libertação de reféns tailandeses retidos em Gaza. O irmão mais novo de Husaini, Lerpong Sayed – também conhecido como Syed Mubarak – está ligado a redes associadas à Al‑Mustafa e preside a Associação de Alumni Thai‑Iran, reforçando o vínculo entre a comunidade xiita local e a agenda iraniana.

O ponto de inflexão ocorreu em 11 de setembro, quando cerca de 500 manifestantes se reuniram em Phuket, nas proximidades de um Chabad House, e um evento de Rosh Hashaná foi cancelado por temores de violência. Durante o protesto, surgiram alegações de que centros Chabad e supostas “redes sionistas” estariam tentando se apropriar de terras tailandesas – afirmações que ultrapassam a crítica a políticas israelenses e adentram o terreno conspiratório e antissemita. Embora o movimento principal tenha sido liderado pelo ativista tailandês Sondhi Limthongkul e por grupos locais, ele recebeu apoio nas redes sociais de círculos ligados ao Irã, demonstrando como a infraestrutura de influência iraniana pode amplificar mensagens anti‑israelenses sem precisar organizar diretamente as manifestações.

Essa capacidade de “soft power” representa um desafio para Israel. Enquanto a estratégia de segurança israelense foca predominantemente nas ameaças militares, de inteligência e terroristas da Quds Force, o Irã tem cultivado, ao longo de anos, uma rede de poder brando composta por universidades, centros religiosos, associações de ex‑alunos, meios de comunicação e relações com clérigos e ativistas locais. Embora tais estruturas não sejam necessariamente ilícitas ou clandestinas, em momentos de crise elas funcionam como multiplicadores de força para a narrativa iraniana, conferindo-lhe legitimidade e alcance local.

Diante desse cenário, especialistas apontam que a resposta israelense não pode limitar‑se ao combate a células militares ou de espionagem. É urgente mapear sistematicamente as redes de influência iraniana na Tailândia, identificar suas fontes de financiamento e vínculos institucionais, e trabalhar em conjunto com governos locais para oferecer alternativas educacionais, midiáticas e da sociedade civil que contraponham a propaganda anti‑israelense. A cooperação com países aliados e a promoção de projetos de intercâmbio cultural e acadêmico poderiam reduzir a vulnerabilidade da população tailandesa à manipulação iraniana, mitigando, assim, a escalada de sentimentos hostis que, até o momento, têm se traduzido em ameaças concretas à comunidade judaica e aos interesses de Israel no Sudeste Asiático.


📖 Perspectiva Bíblica

“Pedi a paz de Jerusalém; aqueles que te amam se regozijem em ti.” (Salmos 122:6)

Fonte original: Iran fuels anti-Israel sentiment in Thailand — Israel Hayom

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