A reportagem do *New York Times*, corroborando uma investigação publicada pela *Haaretz* duas semanas antes, revelou que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, alertou o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu, no final de setembro de 2023, de que o Hamas estaria preparando um ataque de grande escala. A informação foi transmitida por duas fontes que falaram ao jornal: uma delas afirmou ter conversado diretamente com bin Zayed, enquanto a outra disse ter sido informada por quem participou da reunião entre os dois líderes. Segundo os relatos, bin Zayed contou a Netanyahu que recebeu indícios de que o Hamas planejava uma ofensiva, embora não tenha especificado se o plano incluía disparos de foguetes, invasão terrestre ou outra forma de ação.
A origem da inteligência passada por bin Zayed ainda não está clara. A *Haaretz* apontou que o alerta teria se baseado em ameaças transmitidas pelo então líder do Hamas na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar, por meio de um intermediário conhecido como “Coal Eyes”. Na semana passada, Sufian Abu Zaida, ex‑alto funcionário da Autoridade Palestina, revelou em vídeo que ele próprio era esse intermediário. Abu Zaida explicou que, em reunião realizada em 14 de setembro, Sinwar pediu que fosse passado aos israelenses que, “antes do fim de setembro, colocaríamos cartas na mesa que causarão um terremoto nas negociações, e eles deverão se preparar para esvaziar as prisões”. A mensagem chegou ao Shin Bet, agência de segurança interna de Israel, em 15 de setembro, e o então chefe da Shin Bet, Ronen Bar, a encaminhou a Netanyahu.
Entretanto, cinco ex‑altos oficiais israelenses afirmam que o alerta nunca chegou aos chefes das forças de segurança do país e que a conversa não consta em nenhuma das investigações internas conduzidas pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) ou pelos serviços de inteligência. No dia 1º de outubro, Netanyahu reuniu-se com seus principais comandantes para discutir a situação em Gaza, mas, de acordo com as atas obtidas pelo *Times*, não mencionou o aviso de bin Zayed. Na mesma reunião, ele enfatizou a necessidade de manter a calma na Faixa de Gaza e se opôs a propostas de ataques a dirigentes do Hamas que coordenavam ações terroristas na Cisjordânia. A pauta da reunião acabou sem decisões concretas, apesar da avaliação do Shin Bet de que Sinwar poderia estar tentando obter a liberação de Elizabeth Tsurkov, pesquisadora israelense‑russa detida no Iraque.
A revelação desse alerta pré‑octoberiano tem implicações significativas. Primeiro, coloca em xeque a narrativa de que Israel foi surpreendido pelo ataque de 7 de outubro, sugerindo que havia, ao menos, sinais de alerta que poderiam ter sido avaliados de forma mais incisiva. Segundo, evidencia a complexa rede de comunicação entre o Hamas, intermediários palestinos e até mesmo governos árabes, como os Emirados Árabes Unidos, que mantêm canais de diálogo discretos com Israel. Por fim, a ausência de registro do aviso nas investigações de segurança israelenses pode gerar questionamentos sobre a eficácia dos processos de inteligência e a tomada de decisão estratégica nas semanas que antecederam a tragédia, alimentando debates internos sobre responsabilidade e possíveis falhas de coordenação.
📖 Perspectiva Bíblica
“O prudente vê o mal e se esconde; mas os simples passam e sofrem a pena.” (Provérbios 27:12)
Fonte original: NYT: UAE President warned Netanyahu of Hamas attack before Oct. 7 — Israel Hayom
