A Marinha de Israel acaba de incorporar um novo e altamente sofisticado componente à sua força submarina. O **INS Drakon — “Dragão” — chegou à base naval de Haifa depois de uma viagem de 24 dias desde Kiel, na Alemanha, tornando-se a sexta submarina da Marinha israelense. A chegada ocorreu em 24 de setembro, em uma cerimônia que contou com a presença do presidente Isaac Herzog, do ministro da Defesa Israel Katz e do chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir.
O novo submarino é o terceiro e último da série Dolphin AIP construída pela empresa alemã TKMS para Israel. A sigla AIP, de Air Independent Propulsion, refere-se a um sistema de propulsão que permite ao submarino permanecer submerso por períodos prolongados sem depender da entrada de ar atmosférico para gerar energia. Segundo o Jerusalem Post, essa tecnologia amplia significativamente a duração das operações submersas e, consequentemente, a capacidade de permanecer oculto.
O projeto não surgiu de maneira repentina. A chegada do Drakon é resultado de aproximadamente 14 anos de planejamento, construção, testes e preparação. A própria Força de Defesa de Israel descreve a entrega como uma etapa de um projeto desenvolvido durante anos pela Marinha, pelo Ministério da Defesa e pela TKMS.
Uma viagem cercada de segurança
A viagem entre Alemanha e Israel foi realizada sob elevado nível de segurança. O submarino deixou Kiel no início de setembro e atravessou o caminho até o Mediterrâneo mantendo em segredo boa parte de sua movimentação.
Durante o processo de testes na Europa, entretanto, surgiram dificuldades. Segundo informações divulgadas pela imprensa israelense, Noruega e Dinamarca não autorizaram a utilização de suas águas territoriais para determinadas atividades de treinamento. Isso obrigou as equipes israelenses a realizar parte dos testes em condições diferentes das originalmente planejadas.
A situação também é mencionada em reportagem do ynet, segundo a qual as equipes precisaram navegar entre a região da Suécia, Dinamarca e Noruega para alcançar áreas suficientemente profundas para determinados testes.
Apesar das dificuldades, o submarino completou sua viagem e chegou a Israel.
Mais do que um novo submarino
O significado do Drakon está principalmente nas capacidades que Israel afirma estar incorporando à sua força submarina.
Segundo a IDF, o novo submarino utiliza tecnologias avançadas destinadas a ampliar a flexibilidade operacional da Marinha e sua capacidade de realizar missões de forma discreta.
O Jerusalem Post acrescenta que o Drakon possui mais de 70 metros de comprimento e é consideravelmente maior que os primeiros submarinos da classe Dolphin. A combinação do tamanho, do sistema AIP e de novos sistemas de armas permite operações submersas mais prolongadas.
O ponto central, portanto, não é simplesmente ter mais uma embarcação, mas aumentar a capacidade de permanecer escondido, operar a grandes distâncias e retornar sem revelar sua posição.
Em entrevista ao ynet, o chefe do Estado-Maior da Marinha, brigadeiro-general Guy Levy, afirmou que a nova plataforma poderá permanecer durante períodos maiores em regiões distantes e transportar mais armamentos e sistemas de inteligência. A reportagem descreve ainda a capacidade de combinar operações submarinas com outras unidades militares.
Grande parte dessas capacidades, entretanto, permanece classificada.
O contexto regional
A chegada do Drakon acontece em um momento no qual Israel vem dando maior atenção à dimensão marítima de sua segurança.
A experiência dos últimos anos, especialmente os ataques e ameaças relacionados ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb, aumentou a importância estratégica das rotas marítimas para Israel. O comando da Marinha israelense também acompanha o desenvolvimento das capacidades navais de outros países da região.
Entre esses países está a Turquia, que possui uma força naval significativa e vem desenvolvendo parte importante de seus próprios sistemas navais. Reportagens recentes da imprensa israelense apontam o crescimento da capacidade marítima turca como um dos fatores considerados no planejamento futuro da Marinha de Israel.
É importante, porém, separar o que é declaração oficial do que é análise jornalística. A reportagem do ynet relaciona diretamente o novo submarino ao ambiente estratégico envolvendo Irã, Houthis e Turquia, enquanto as informações oficiais da IDF descrevem de forma mais ampla a necessidade de ampliar a capacidade de atuação da Marinha diante dos desafios estratégicos.
O “Dragão” ainda não está totalmente operacional
Apesar da cerimônia de chegada, o Drakon ainda passará por uma etapa de integração antes de atingir sua plena capacidade operacional.
De acordo com informações divulgadas pela Marinha e reproduzidas pelo ynet, o processo deverá levar aproximadamente dois meses, período no qual sistemas israelenses de armas, inteligência e outros equipamentos específicos serão instalados e integrados ao submarino.
Isso significa que a chegada a Haifa representa o início de uma nova fase, e não o final do processo.
O submarino passou anos sendo desenvolvido na Alemanha. Agora, será adaptado às necessidades específicas da Marinha israelense.
O fim da geração Dolphin AIP
Com o Drakon, a Alemanha conclui a entrega dos três submarinos Dolphin AIP destinados a Israel. A TKMS confirmou que o Drakon é o terceiro e último submarino dessa versão.
Mas a cooperação entre Israel e Alemanha não termina aqui.
Enquanto o programa Dolphin AIP chega ao fim, já está em andamento a próxima geração: a classe Dakar. A produção do primeiro submarino dessa nova classe começou em Kiel, e três unidades estão previstas para essa nova geração.
Assim, o Drakon ocupa uma posição particularmente interessante: ele encerra uma geração tecnológica e, ao mesmo tempo, prepara o caminho para a próxima.
O próprio nome carrega essa ligação histórica. “Drakon”, ou Dragão, foi escolhido a partir da combinação das letras hebraicas associadas a “Dakar” e da referência ao lendário submarino israelense INS Dakar, perdido em 1968. Segundo o Ministério da Defesa, a escolha procura preservar essa memória enquanto simboliza força e singularidade.
Uma arma que quase não precisa ser vista
Talvez essa seja a característica mais importante do novo submarino.
Diferentemente de navios de guerra convencionais, cuja presença pode ser facilmente percebida, a principal vantagem de um submarino está justamente na possibilidade de não ser localizado.
O Drakon foi concebido para permanecer submerso durante longos períodos, deslocar-se discretamente e operar longe de sua base. É uma capacidade que não depende apenas de armamentos, mas de silêncio, autonomia, inteligência e capacidade de permanecer oculto.
E essa característica explica por que os submarinos ocupam um lugar tão particular na estratégia militar israelense.
A própria IDF afirma que o Drakon amplia a capacidade da Marinha de operar de maneira secreta e em diferentes cenários.
A chegada do sexto submarino, portanto, não representa apenas a entrada de um novo navio no porto de Haifa. Ela marca mais uma etapa na transformação da capacidade marítima de Israel — justamente em um momento em que as rotas marítimas, os estreitos estratégicos e a guerra sob as águas ganharam importância crescente no Oriente Médio.
E o próximo capítulo já está sendo construído na Alemanha: a classe Dakar, que deverá substituir progressivamente a atual geração e levar a guerra submarina israelense para uma nova era.
Fontes consultadas: IDF – Ministério da Defesa de Israel · TKMS – fabricante do INS Drakon · ynet – reportagem original · Jerusalem Post · Israel Hayom
