A recente investigação do Israel Hayom trouxe à tona novas dúvidas sobre a visita do ex‑chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, a Israel poucos dias antes do ataque de Hamas em 7 de outubro de 2023. Segundo o relatório publicado em dezembro passado, Kamel teria pousado no Aeroporto Ben‑Gurion em 26 de setembro, 11 dias antes da ofensiva, para alertar as autoridades israelenses sobre a iminência de um grande ataque. Na ocasião, a Autoridade de Aeroportos de Israel (AAI) afirmou que não constava nenhum registro de voo egípcio naquele dia, apesar de o jornal ter apresentado documentos que comprovavam a aterrissagem.
Em um novo pedido de esclarecimento, feito na semana passada, a AAI alterou a postura e respondeu que “a aviação privada em Ben‑Gurion recebe todos os serviços necessários, como decolagem, pouso e reabastecimento, e, por razões de privacidade, não divulga informações sobre voos privados, incluindo passageiros, horários, destinos ou rotas”. Essa mudança levanta suspeitas de que o voo possa ter sido classificado como privado para ocultar detalhes sensíveis.
Segundo os protocolos estabelecidos, a visita de um alto oficial de inteligência estrangeira deveria ser coordenada entre o Shin Bet, o Conselho de Segurança Nacional e o Gabinete do Primeiro‑Ministro. Contudo, nenhum desses órgãos respondeu aos questionamentos do Israel Hayom. O Gabinete e o Conselho de Segurança Nacional não retornaram, enquanto o Shin Bet limitou‑se a dizer que não comentaria o assunto e encaminhou a questão à AAI. Essa falta de respostas evidencia lacunas na transparência institucional e alimenta especulações sobre quem realmente autorizou ou acompanhou a missão de Kamel.
A controvérsia sobre a supervisão de voos internacionais ganhou outro destaque após o incidente envolvendo um avião da flydubai, que partiu de Dubai rumo a Ben‑Gurion. O co‑piloto omanense tentou deliberadamente derrubar a aeronave; o capitão indiano conseguiu retomar o controle com a ajuda da tripulação e dos passageiros, e o voo fez um pouso de emergência na Arábia Saudita, transportando 174 pessoas, entre elas 27 crianças. O primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu classificou o episódio como “um grave incidente de segurança” e reconheceu a existência de “uma brecha” que está sendo tratada.
O caso flydubai ilustra a complexa divisão de responsabilidades na segurança dos voos que chegam a Israel. A Autoridade de Aviação Civil (CAA) concede licenças às companhias estrangeiras e impõe condições operacionais, enquanto o Ministério dos Transportes atua como ponto de coordenação entre as agências de segurança. O Shin Bet cuida da proteção das companhias aéreas israelenses, mas não das transportadoras estrangeiras. Essa fragmentação tem sido criticada pelo controlador do Estado, Matanyahu Englman, que, em maio de 2024, recomendou a definição formal das atribuições entre os órgãos, apontando que muitas normas ainda datam da década de 1970.
Em suma, a falta de clareza sobre o voo de Abbas Kamel e a recente tentativa de sabotagem de um avião comercial revelam fragilidades nos mecanismos de vigilância e comunicação entre as instituições de segurança israelenses. Se confirmada a visita de Kamel, a situação poderia indicar que Israel recebeu avisos prévios sobre a operação de Hamas, mas que tais informações não foram plenamente aproveitadas ou divulgadas. Ao mesmo tempo, a necessidade de atualizar e consolidar as normas de supervisão de voos internacionais torna‑se urgente, sob pena de novos incidentes comprometerem a segurança nacional e a confiança da comunidade internacional nas rotas aéreas que servem o país.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não vos enganeis: as más companhias corrompem os bons costumes.” (1 Coríntios 15:33)
Fonte original: New questions over Egyptian intelligence chief's Israel visit before Oct. 7 — Israel Hayom
