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Sionismo como racismo: decisão da conferência verde

A Conferência anual do Partido Verde da Inglaterra e País de Gales, realizada em Brighton, aprovou neste domingo, por 56% a 44%, uma moção que define o sionismo como “racismo”. A proposta, apresentada pelos membros do grupo Greens for Palestine, descreve o sionismo como uma ideologia política que teria como objetivo a criação de um Estado judeu etnonacionalista em toda a Palestina histórica, excluindo ou dominando a população não‑judaica. A moção também exige a instauração de um único Estado palestino onde “todos tenham direitos iguais”, incluindo os judeus, mas não contempla a coexistência do atual Estado de Israel em um modelo de dois Estados.

Até então, a política oficial do Partido Verde permitia tanto a solução de um Estado quanto a de dois Estados, dependendo de processos democráticos internos. Com a aprovação da moção, espera‑se que a nova posição passe a integrar o programa do partido. A proposta chegou ao plenário depois de ser a mais votada entre as moções submetidas pelos filiados para debate prioritário.

O líder do partido, Zack Polanski, absteve‑se de votar, mas apoiou duas emendas que buscavam qualificar a exigência de um Estado palestino com Jerusalém como capital e garantir proteção a membros judeus do partido vinculados a organizações sionistas. Ambas as emendas foram rejeitadas. Entre as lideranças, houve divisão: a co‑deputada Rachel Millward manifestou que votaria contra a moção, enquanto a co‑deputada Mothin Ali declarou apoio. A deputada Ellie Chowns, responsável pela bancada do partido no Parlamento britânico, também pediu que a moção fosse rejeitada, ao passo que ex‑líderes Siân Berry, Adrian Ramsay e Carla Denyer se posicionaram contra a proposta.

O Partido Verde respondeu ao resultado afirmando que o debate gerou “uma discussão séria e profundamente sentida” entre seus membros, ressaltando que a iniciativa demonstra a liberdade interna de propor e definir políticas. Em comunicado, o partido reiterou seu compromisso anti‑racista, sua oposição à ocupação ilegal de territórios palestinos e sírios, seu posicionamento contra a venda de armas ao governo israelense e sua condenação às condições humanitárias em Gaza e na Cisjordânia. Ao mesmo tempo, o partido reafirmou a defesa dos direitos humanos, da igualdade e da justiça para todos, sem exceção.

A votação contou com participação extremamente baixa: apenas 1.835 membros votaram, num universo de mais de 200 mil filiados. Essa baixa adesão levanta dúvidas sobre a representatividade da decisão dentro do partido. O Ministério das Relações Exteriores de Israel reagiu com veemência, classificando o Partido Verde britânico como “um organismo que deixou de ser um partido político e passou a apoiar o terrorismo”. O governo israelense acusou os verdes de adotar a “cor verde do Hamas” e de abraçar uma doutrina que, segundo eles, visa a eliminação do Estado de Israel por meio da luta armada.

As implicações desse movimento são múltiplas. Internamente, pode gerar tensões entre filiados que defendem uma postura mais crítica a Israel e aqueles que se sentem ameaçados por uma rotulagem do sionismo como racismo, sobretudo membros judeus do partido. Externamente, a decisão pode afetar as relações do Partido Verde com outras forças progressistas no Reino Unido, que tradicionalmente mantêm uma posição mais equilibrada entre apoio aos direitos palestinos e reconhecimento da legitimidade do Estado de Israel. Além disso, a postura adotada pode influenciar o discurso público britânico sobre o conflito israelo‑palestino, alimentando polarizações e potencialmente impactando a política externa do Reino Unido em relação ao Oriente Médio. O episódio evidencia como a questão palestina continua a ser um ponto de ruptura nas agendas políticas ocidentais, forçando partidos a confrontarem suas convicções sobre anti‑racismo, autodeterminação e segurança nacional.


📖 Perspectiva Bíblica

“Não te deixes vencer pelo mal; antes, vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21)

Fonte original: 'Zionism is racism': UK Green Party sets dangerous precedent — Israel Hayom

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