O alerta do chefe da Shin Bet, David Zini, sobre a possibilidade de surgirem batalhões nacionalistas beduínos no Negev chegou ao Gabinete de Segurança‑Diplomática e, na sequência, foi levado ao Conselho de Ministros, onde o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu determinou a elaboração de um plano de ação imediato. A preocupação foi trazida à tona durante a apresentação de um cenário de segurança feita pelo ministro da Defesa, Israel Katz, que descrevia a hipótese de a Autoridade Palestina em Judeia e Samaria virar as armas contra Israel. Nesse contexto, o deputado‑ministro Almog Cohen interrompeu a discussão para questionar se existia um plano para enfrentar um risco semelhante dentro do próprio território israelense, caso a comunidade beduína do sul do país se voltasse contra os cidadãos israelenses.
Cohen destacou que, ao contrário de um conflito externo, a presença de civis israelenses no interior do Estado dificultaria uma resposta plena das Forças de Defesa de Israel (IDF). Ele afirmou que já há informações indicando que elementos beduínos possuem armas dentro de organizações criminosas e que esses grupos são orientados por organizações terroristas como Hamas e até o Estado Islâmico. O secretário do Gabinete, Yossi Fuchs, revelou que um aviso sobre o assunto havia sido entregue aos ministros na noite anterior e questionou Cohen se ele se referia ao alerta de Zini acerca das “batalhas do Negev”. Cohen admitiu não estar familiarizado com a reunião anterior, demonstrando a necessidade de melhor circulação de informações entre as autoridades.
Diante desse panorama, Netanyahu exigiu que a Shin Bet apresente um relatório completo sobre a tendência de armamento beduíno e um plano para contê‑la. O primeiro‑ministro deve convocar, nos próximos dias, uma discussão especial sobre o tema. Paralelamente, Cohen trabalha em um projeto de lei que criaria uma “força‑tarefa nacional”, integrada ao IDF, para atuar no setor beduíno e confiscar o arsenal já existente em algumas comunidades. Essa medida visa não apenas retirar as armas, mas também garantir que o exército possa operar dentro do território israelense em caso de insurgência.
Roi Kahlon, chefe da equipe de combate ao crime no Setor Árabe da Primeira-Ministra, reforçou a gravidade da situação em publicação no Facebook, apontando que o ataque de 7 de outubro expôs uma “miopia” institucional: as autoridades identificaram o inimigo externo, mas subestimaram sua capacidade de se armar e treinar, o que distorceu a avaliação do perigo. Kahlon comparou o risco atual ao que ocorreu em outubro, temendo que o fortalecimento de organizações criminosas com armamento de grau militar – incluindo lançadores anti‑tanque – possa gerar uma armadilha interna semelhante àquela que permitiu o ataque surpresa.
As implicações desse debate são múltiplas. Primeiro, evidencia a necessidade de revisão das avaliações de segurança interna, que até então tratavam o Negev como uma zona periférica e segura. Segundo, a criação de uma força‑tarefa militar no interior do país levanta questões sobre a linha entre segurança pública e ação militar, bem como sobre os direitos civis das comunidades beduínas, que historicamente enfrentam marginalização e tensões com o Estado. Por fim, a resposta do governo pode servir de precedente para futuras políticas de desarmamento e controle de grupos armados dentro das fronteiras israelenses, impactando tanto a coesão social quanto a capacidade de resposta a ameaças híbridas que combinam crime organizado e terrorismo.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não temas, porque eu sou o teu Deus; não te assombres, porque eu sou o teu Salvador; eu te dou forças, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” (Isaías 41:10)
Fonte original: PM orders action plan after Negev emerges as new Oct. 7 blind spot — Israel Hayom
