Três anos após os ataques de 7 de outubro, o país ainda vive o trauma de uma catástrofe que mudou sua segurança, sua política interna e sua imagem internacional. O texto de opinião analisado argumenta que, para que Israel consiga se recuperar verdadeiramente, é imprescindível que o Estado reconheça e enfrente suas próprias falhas, criando um comissionamento de inquérito nacional e elaborando uma estratégia política que vá além da mera dependência militar.
O autor inicia lembrando que o dia 7 de outubro de 2023 marcou a primeira vez em décadas que um ataque coordenado de milhares de militantes palestinos conseguiu penetrar as linhas de defesa israelenses, resultando em mais de 1.300 mortes civis e centenas de sequestrados. Esse acontecimento expôs vulnerabilidades estruturais nas áreas de inteligência, vigilância e preparação de resposta a emergências, bem como lacunas no relacionamento entre as forças de segurança e as comunidades fronteiriças. Apesar da resposta rápida das Forças de Defesa de Israel (IDF) e da posterior mobilização da sociedade civil, a sensação de impunidade e a percepção de que o Estado falhou em proteger seus cidadãos persistem.
A partir desse ponto, o autor defende que o silêncio institucional e a tendência de atribuir a culpa exclusivamente ao inimigo são estratégias curtas que não resolvem as raízes do problema. Ele cita exemplos de outras democracias que, após grandes tragédias, instituíram comissões de inquérito independentes – como a Comissão de Verdade da África do Sul ou a investigação sobre o atentado de 11 de setembro nos EUA – como modelos de como reconhecer falhas, reparar danos e restaurar a confiança pública. No caso israelense, uma comissão com poderes de convocação de testemunhas, acesso a documentos classificados e capacidade de recomendar reformas seria essencial para esclarecer questões como: falhas de comunicação entre Shin Bet e IDF, protocolos de alerta precoce, políticas de assentamento na Cisjordânia que podem ter facilitado a infiltração e a ausência de um plano de contingência para civis nas áreas de risco.
Além da dimensão investigativa, o texto alerta para a necessidade de uma estratégia política de longo prazo que reduza a dependência exclusiva da força militar. O autor argumenta que, embora a capacidade de dissuasão de Israel seja inquestionável, a escalada de conflitos e a perpetuação de um estado de guerra permanente corroem a estabilidade regional e alimentam o ciclo de violência. Propõe, portanto, um esforço diplomático mais robusto, com a retomada de negociações multilaterais envolvendo Estados Unidos, União Europeia e países árabes moderados, bem como a criação de corredores humanitários e mecanismos de monitoramento que garantam segurança tanto para israelenses quanto para palestinos.
As implicações de não adotar essas medidas são graves. A falta de responsabilização pode gerar descontentamento interno, alimentar movimentos de extrema-direita que exigem respostas ainda mais duras e, ao mesmo tempo, alimentar o ressentimento palestino que vê a ocupação como inexorável. Internacionalmente, a imagem de Israel como Estado de direito pode ser comprometida, dificultando a cooperação com aliados tradicionais e prejudicando acordos comerciais e de segurança. Por outro lado, a implementação de uma comissão de inquérito transparente e de uma política que combine força com diplomacia poderia restaurar a confiança da população, melhorar a relação com a comunidade internacional e abrir espaço para soluções negociadas que reduzam a frequência de novos surtos de violência.
Em síntese, o autor conclui que a cura de Israel após o 7 de outubro só será possível quando o país encarar de frente suas próprias falhas, institucionalizando a responsabilidade e adotando uma abordagem política mais abrangente. Somente assim o Estado poderá transformar a tragédia em um ponto de inflexão que fortaleça sua segurança, sua democracia e sua legitimidade perante o mundo.
📖 Perspectiva Bíblica
“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” (Provérbios 28:13)
Fonte original: Israel cannot heal from October 7 without confronting its failures – opinion — Jerusalem Post
