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Relação secreta entre Israel e Arábia Saudita: origem em …

A relação secreta entre Israel e a Arábia Saudita tem raízes que remontam a 2006, quando o então diretor do Mossad, Meir Dagan, estabeleceu o primeiro contato direto com autoridades sauditas. Na época, as trocas eram extremamente cautelosas e mediadas por terceiros, de modo que o serviço de inteligência israelense utilizava um “vínculo especial” para intermediar encontros discretos, muitas vezes em salas laterais de recepções na Casa Branca ou em outros eventos diplomáticos. Quatro anos depois, com a nomeação de Eyal Tzir Cohen à chefia do Departamento do Oriente Médio da divisão Tevel do Mossad — responsável pelas relações externas da agência —, os laços já estavam consolidados o suficiente para que Cohen herdasse um canal de comunicação já em funcionamento.

Cohen descreve que o objetivo inicial era transformar esses contatos de terceiros em interações diretas entre profissionais de inteligência, avançando gradualmente para oficiais políticos e, por fim, para a própria liderança saudita. A estratégia visava criar “canais” que alcançassem a família real, embora os sauditas temessem que a exposição da cooperação fosse prejudicial. Para isso, o Mossad promoveu operações de baixo valor tático, mas que geravam oportunidades de encontros cara‑a‑cara, fortalecendo vínculos pessoais que, segundo Cohen, eram o verdadeiro objetivo da parceria.

Os interesses mútuos que sustentaram a aliança clandestina eram claros. Riyadh buscava acesso a informações de inteligência israelense, bem como a capacidades cibernéticas avançadas, enquanto Jerusalém via na Arábia Saudita um potencial contrapeso ao Irã, um dos maiores desafios estratégicos da região. Apesar de alguns vazamentos — como a revelação de que a empresa israelense NSO Group forneceu ao reino o spyware Pegasus — a relação permaneceu envolta em sigilo até recentemente.

A descoberta pública veio há cerca de um mês, quando o jornalista Danny Zaken, do Israel Hayom, publicou que a Arábia Saudita havia procurado Israel por meio do Comando Central dos EUA (CENTCOM) para obter informações que ajudassem a enfrentar os rebeldes houthis, cada vez mais poderosos no Iêmen. O líder houthis, Abdul‑Malik al‑Houthi, chegou a afirmar que, em troca da inteligência israelense, o Reino Saudita teria “aberto seus aeroportos a voos de inteligência israelenses contra o Iêmen”. Esse tipo de cooperação se enquadra no conceito de FORINT (foreign intelligence), que consiste na troca de informações entre agências de diferentes países, inclusive entre nações que não mantêm relações diplomáticas formais, com o objetivo de ampliar a capacidade de coleta e fortalecer laços estratégicos.

As possíveis implicações desse arranjo são múltiplas. Primeiro, a colaboração poderia melhorar significativamente a eficácia das operações sauditas contra os houthis, reduzindo a influência iraniana no conflito iemenita. Segundo, a exposição de tal parceria pode gerar pressão interna nos dois países, já que setores conservadores sauditas podem condenar a cooperação com Israel, enquanto grupos políticos israelenses podem questionar a prudência de envolver-se em conflitos externos. Por fim, a revelação pode servir de catalisador para uma maior normalização das relações entre Tel Aviv e Riad, abrindo caminho para acordos de segurança mais amplos e, eventualmente, para um alinhamento diplomático que altere o equilíbrio de poder no Oriente Médio. Contudo, enquanto a cooperação permanecer nos bastidores, ambos os governos continuarão a negar oficialmente qualquer vínculo, preservando a delicada dinâmica que sustenta essa aliança estratégica.


📖 Perspectiva Bíblica

“Porque nada há encoberto que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido.” (Lucas 8:17)

Fonte original: Inside Israel's secret intelligence ties with Saudi Arabia — Israel Hayom

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