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Israel e Arábia Saudita ampliam cooperação de tecnologia

Nos últimos anos, a relação secreta entre Israel e a Arábia Saudita tem evoluído de encontros pontuais a uma rede de cooperação que envolve inteligência, tecnologia e, possivelmente, acordos políticos de longo prazo. A história desse vínculo remonta à década de 1960, quando a Força Aérea israelense realizou a chamada Operação “Sauce”, enviando aviões de transporte ao longo da costa saudita para lançar suprimentos militares a rebeldes realistas no Iêmen, apoiados por Riad. Na época, o episódio foi mantido em sigilo absoluto e só veio à luz nas duas primeiras décadas do século XXI, sendo reconhecido como a primeira colaboração militar entre Israel e um Estado árabe.

A partir de 2006, sob a liderança do então diretor do Mossad, Meir Dagan, os contatos diretos entre os serviços de inteligência israelenses e autoridades sauditas foram institucionalizados. Dagan teria sido o primeiro a estabelecer um canal de comunicação oficial com o reino, abrindo caminho para uma cooperação que, embora ainda clandestina, passou a ser considerada estratégica por ambos os lados. Em 2010, quando Eyal Tsir Cohen assumiu a chefia da Divisão de Oriente Médio do Mossad, ele herdou uma relação já consolidada e começou a expandi‑la, buscando transformar o “vínculo especial” – mediado por terceiros, como diplomatas norte‑americanos – em um contato direto entre profissionais de inteligência.

Os primeiros interlocutores sauditas eram figuras diplomáticas de alto escalão, entre elas o príncipe Bandar bin Sultan, antigo embaixador saudita em Washington e ainda uma das personalidades mais influentes da política externa do reino. A estratégia de Cohen visava, progressivamente, ultrapassar o nível de intermediários e alcançar oficiais de inteligência, depois políticos e, finalmente, a família real saudita. O objetivo era criar “canais de vírus de cooperação”, espalhando a ideia de colaboração até onde os sauditas se sentissem seguros, sem temer a exposição que poderia comprometer sua imagem perante a população e outros países árabes.

Essa aproximação foi alimentada por interesses mútuos claros. Riad, enfrentando ameaças regionais – sobretudo do Irã – e buscando aprimorar suas capacidades cibernéticas e de coleta de informações, viu em Israel um parceiro tecnológico avançado e confiável. Por sua vez, Jerusalém desejava penetrar nas esferas de decisão de um dos países mais ricos e influentes do Oriente Médio, criando um contrapeso ao poder iraniano e, potencialmente, facilitando acordos de normalização que poderiam transformar a geopolítica regional.

A cooperação tem se manifestado em operações que, embora nem sempre tenham tido grande valor de inteligência ou militar, serviram como pretexto para encontros pessoais entre oficiais israelenses e sauditas. Esses momentos de convivência foram essenciais para transformar relações profissionais em laços pessoais, um elemento crucial nas culturas de segurança do Oriente Médio, onde a confiança costuma nascer de vínculos individuais mais do que de acordos formais.

A consolidação desses laços tem implicações amplas. Primeiro, aumenta a capacidade de Israel de monitorar e neutralizar ameaças provenientes do Irã e de grupos alinhados a ele, graças ao acesso a informações privilegiadas sauditas. Segundo, fortalece a posição da Arábia Saudita ao contar com tecnologia de ponta em cibersegurança e inteligência, reduzindo sua vulnerabilidade a ataques digitais. Terceiro, abre espaço para negociações de normalização diplomática que, embora ainda não oficiais, já são discutidas em círculos de segurança de Washington e Tel Aviv.

Entretanto, a relação ainda enfrenta desafios. A exposição pública de qualquer cooperação poderia gerar protestos internos sauditas, que ainda mantêm uma narrativa oficial de apoio à causa palestina. Além disso, países como o Qatar e os Emirados Árabes Unidos, que também mantêm laços com Israel, podem reagir a um eventual desequilíbrio de influência. Por fim, a dinâmica interna do Mossad, que depende de diretores com visões distintas sobre a extensão da cooperação, pode influenciar a velocidade e a profundidade dos acordos futuros.

Em suma, o que começou como uma operação militar secreta nos anos 60 evoluiu para uma rede de inteligência e tecnologia que, embora ainda oculta, tem o potencial de redefinir o equilíbrio de poder no Oriente Médio. A parceria israelita‑saudita, impulsionada por necessidades estratégicas convergentes, pode, nos próximos anos, transformar-se em um pilar de estabilidade regional ou, se mal administrada, em um ponto de vulnerabilidade para ambos os países.


📖 Perspectiva Bíblica

“Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca procedem o conhecimento e o entendimento.” (Provérbios 2:6)

Fonte original: Inside Israel's secret intelligence gold mine — Israel Hayom

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