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Netanyahu prepara ataque contra Irã e amplia campanha

O primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu tem insistido na retomada de uma campanha militar de grande escala contra o Irã, conforme revelou o Financial Times nesta quarta‑feira. Segundo o jornal, Netanyahu ordenou ao estabelecimento de defesa israelense que se preparasse para um ataque amplo, e o Exército de Defesa de Israel (IDF) chegou a montar um plano de bombardeio de vários dias para o fim de semana de 10 de outubro. Os alvos incluiriam instalações nucleares, pontos estratégicos ligados ao regime de Teerã e infraestrutura civil, como usinas de energia. No entanto, a operação foi adiada, e fontes próximas ao plano apontam que a principal razão foi a oposição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não queria que a escalada militar ocorresse antes das eleições de meio de mandato americanas, marcadas para 3 de novembro.

Mesmo com o adiamento, tanto Netanyahu quanto Trump continuam a usar uma retórica militar agressiva. Em um vídeo gravado em uma base da Força Aérea israelense, o primeiro‑ministro aparece ao som de um megafone em que Trump o declara “o homem que ele quer ao seu lado”. Pouco depois, Trump avisou em sua rede social que, se um novo líder fosse eleito em Israel, os EUA não estariam dispostos a enfrentar o Irã sozinhos. Essa troca de mensagens demonstra como ambos os líderes buscam reforçar sua imagem de firmeza diante de um adversário comum, ao mesmo tempo em que se preparam para a disputa eleitoral que se aproxima em seus respectivos países.

A visita do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, a Israel nesta semana reforçou a proximidade entre os dois governos. Durante encontros com Netanyahu e outros altos oficiais israelenses, foram apresentados novos alvos baseados em inteligência recente, incluindo infraestrutura civil que ainda não havia sido atingida no início do ano. A porta‑voz da Casa Branca, Anna Kelly, respondeu ao relatório do Financial Times ressaltando que o Irã atravessa graves dificuldades econômicas e militares, mas deixou claro que os EUA não lançarão ataques contra Teerã antes das eleições de novembro.

No terreno, o IDF permanece em estado de alerta máximo. Em uma medida incomum, o exército cancelou todas as licenças de férias dos soldados até a eleição da Knesset, prevista para 27 de outubro, argumentando que a presença de tropas em plena atividade é essencial para garantir a segurança durante o pleito. O chefe do Estado‑maior, tenente‑general Eyal Zamir, justificou a decisão como forma de assegurar que as eleições democráticas ocorram sem incidentes. Essa postura reflete a percepção de que a campanha eleitoral israelense se transformou em um referendo sobre a condução de Netanyahu após o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023 e a guerra subsequente.

Entretanto, oficiais de segurança atuais e antigos expressaram preocupação quanto aos riscos de iniciar um grande conflito tão próximo da data eleitoral. Há temores de que Netanyahu, mesmo que perca a votação, possa ainda assim lançar uma operação militar de grande porte enquanto ocupa o cargo de governo interino, situação inédita na história de Israel. Caso isso aconteça, a reação das agências de segurança israelenses seria incerta, especialmente diante da sensibilidade política de conduzir ações militares de grande escala sob um governo de transição.

As implicações desse cenário são múltiplas. Para Israel, a pressão interna para demonstrar força contra o Irã pode se chocar com a necessidade de manter a estabilidade interna durante as eleições, criando um dilema estratégico para Netanyahu. Nos Estados Unidos, a relutância de Trump em autorizar ataques antes das eleições indica que a política externa americana está sendo moldada pelos cálculos eleitorais, o que pode limitar a cooperação militar com Israel no curto prazo. Por fim, a continuação da retórica beligerante entre os dois líderes eleva as tensões regionais e aumenta o risco de um conflito mais amplo, sobretudo se houver um descompasso entre os cronogramas políticos de Washington e Jerusalém. O futuro das relações bilaterais dependerá, portanto, de como cada lado equilibrará suas ambições eleitorais com a necessidade de segurança regional.


📖 Perspectiva Bíblica

“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21)

Fonte original: Netanyahu pushed to resume strikes on Iran, Trump blocked offensive ahead of US midterms — Israel Hayom

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