A análise traz à tona a trajetória política de Isaac Herzog, antigo rival de Benjamin Netanyahu nas eleições de 2015, e como seu papel evoluiu para o de quem tenta mediar um consenso nacional em Israel. Naquela campanha, Herzog percorria o país apresentando um plano para derrotar Netanyahu, apontando para um “hiato psicológico” entre os dois grandes blocos partidários e propondo coalizões complexas que incluíam desde a cidade árabe de Umm al‑Fahm, passando pelos eleitores periféricos de Kahlon, até o assentamento de Nokdim, onde reside o líder de direita Yair Liberman. Apesar das estratégias, o cenário acabou se resumindo à percepção de Netanyahu de que havia perdido por larga margem e, consequentemente, à sua retirada. Herzog, então, refletiu que não se pode construir um plano de batalha acreditando que o adversário se sacrificará para encerrar o confronto.
Hoje, Herzog ocupa a presidência e busca transformar o “meio ponto” que, na sua visão, foi marcado contra Netanyahu em um empate consensual, ao invés de um “ippon” decisivo. Para isso, ele precisará do apoio do presidente dos Estados Unidos. O texto argumenta que a Casa Branca acompanha de perto a situação política israelense e debate a possibilidade de intervir, pois um governo de unidade não seria apenas uma necessidade interna, mas também uma infraestrutura crítica para a estabilidade do Oriente Médio. Um governo amplo reduziria a pressão europeia por sanções, ampliaria a margem de manobra de Israel em múltiplas frentes e facilitaria a construção de alianças que o presidente Donald Trump pretende estabelecer para remodelar a região.
Um consenso nacional sólido abriria caminho para mudanças em Gaza, acordos mais favoráveis no Líbano e na Síria e avançaria nas negociações de paz com a Arábia Saudita. Embora Netanyahu não demonstre entusiasmo e o ministro da Defesa Yoav Gallant (Eisenkot) possa recuar, o texto sustenta que somente Trump teria capacidade de articular esse movimento, convidando Netanyahu e Gallant à Casa Branca para fechar o que seria o acordo de paz mais importante do século XXI. A intervenção externa em assuntos internos costuma ser vista como problemática, sobretudo quando favorece um lado, mas, nesse caso, o objetivo seria conectar as duas asas centrais da sociedade israelense, o que justificaria a ação.
O autor ainda faz uma reflexão sobre a psicologia coletiva dos eleitores. Em 2019, quando o bloco de Netanyahu caiu para 55 cadeiras e o Likud para 31, o partido viveu um luto profundo. Sete anos depois, apesar da queda para 53 cadeiras e 27 para o Likud, ainda se observam sorrisos, indicando que as expectativas moldam a percepção de vitória ou derrota. Durante a campanha, Liberman prometeu “63, 64 cadeiras sionistas”, Gallant falou em “58 cadeiras sionistas” e um governo minoritário, enquanto a última semana de campanha ainda falava em maioria judaica clara – 61 cadeiras junto ao Ra’am – mas o resultado final ficou aquém de qualquer cenário esperado.
Em síntese, o texto sugere que a estabilidade de Israel e o sucesso da guerra regional envolvendo EUA e Israel dependem de um governo de unidade, e que a única figura capaz de catalisar esse acordo seria Trump, mediante um convite direto a Netanyahu e Gallant. A implicação é que, se houver essa mediação americana, poderia surgir um novo eixo de paz no Oriente Médio, reduzindo tensões e criando espaço para acordos duradouros com vizinhos árabes, ao mesmo tempo em que reforça a posição de Israel no cenário internacional.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que discernais a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)
Fonte original: Trump, invite them — Israel Hayom
