A proposta de encerramento gradual da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) ganhou força após intensas discussões entre a própria agência e o Conselho da Paz, órgão que administra serviços humanitários na Faixa de Gaza. Segundo fontes diplomáticas árabes e ocidentais citadas pelo Israel Hayom, o plano será apresentado em breve e prevê a transferência progressiva das funções da UNRWA para outras instituições, sobretudo a Autoridade Nacional Palestina (ANP) na Cisjordânia e o Conselho da Paz em Gaza.
Criada em 1949 e operacional desde 1950, a UNRWA foi a única entidade da ONU dedicada exclusivamente aos refugiados palestinos, mantendo viva a condição de refugiado de geração em geração, ainda que a maioria dos cadastrados já esteja estabelecida em países terceiros ou nos territórios palestinos. Nas últimas décadas, porém, a agência tem enfrentado um clima hostil: Israel aprovou duas leis que proíbem sua atuação dentro do território israelense e impedem qualquer contato entre a UNRWA e órgãos governamentais israelenses, confiscando grande parte de seus bens no país. Paralelamente, a queda abrupta de doações de países árabes e ocidentais reduziu drasticamente seus recursos, culminando em um déficit estimado entre 70 e 100 milhões de dólares para este ano – cerca de 10% do orçamento anual da agência.
O plano foi liderado pelo comissário‑geral interino da UNRWA, Christian Saunders, que o apresentou à Comissão Consultiva da agência. Saunders argumenta que, diante da crise financeira, parte considerável das atividades – especialmente nas áreas de educação e saúde – poderia ser assumida pela ANP e pelo Conselho da Paz, permitindo uma transição ordenada e evitando o colapso total dos serviços. Medidas iniciais já foram aprovadas, incluindo a possibilidade de demissão de milhares de funcionários palestinos.
A iniciativa encontrou forte resistência da liderança palestina. O Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), reunido em Ramallah, convocou representantes do sindicato dos funcionários da UNRWA e decidiu que a OLP e a Autoridade Palestina trabalharão para bloquear o plano. Os palestinos sustentam que a dissolução da UNRWA exigiria aprovação da Assembleia Geral da ONU e acusam Saunders de motivação política, temendo que a extinção da agência retire um importante instrumento de pressão contra Israel, ao desmantelar a estrutura institucional que sustenta o status de refugiado palestino.
Do lado internacional, a proposta também foi duramente criticada. Em reunião da comissão consultiva internacional realizada em Amã, representantes de países como Suíça e Irlanda manifestaram oposição, assim como o Egito, enquanto alguns estados do Golfo permaneceraram neutros. O representante irlandês afirmou que buscará novas fontes de financiamento para impedir o fechamento da UNRWA e reverter as primeiras etapas, que incluem o corte de milhares de empregos.
Se o plano avançar, as implicações podem ser profundas. A transferência de responsabilidades para a ANP e o Conselho da Paz poderia reforçar o controle palestino sobre serviços essenciais, mas também colocaria sobre eles uma carga financeira e administrativa ainda não testada. Para Israel, o enfraquecimento da UNRWA pode significar menos instrumentos que alimentam a narrativa de ocupação e mais espaço para políticas que buscam normalizar a situação nos territórios. Para a comunidade internacional, a decisão abrirá precedentes sobre como lidar com agências humanitárias que se tornam politicamente controversas, ao mesmo tempo em que desafiará a capacidade de garantir assistência a milhões de refugiados que ainda dependem de esses serviços. O desenrolar desse debate será observado de perto nas próximas semanas, tanto nos corredores da ONU quanto nas ruas de Gaza, Cisjordânia e nos capitais que financiam a ajuda humanitária.
📖 Perspectiva Bíblica
“Defendei o pobre e o órfão; fazei justiça ao aflito e ao necessitado.” (Salmos 82:3)
Fonte original: UNRWA faces shutdown as plan emerges to transfer responsibilities to Board of Peace — Israel Hayom
