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Israel: acordo entre Irã e EUA pode ser firmado nos próxi…

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda‑feira que há uma possibilidade real de que um acordo entre Teerã e Washington seja colocado em prática nos próximos dias. Segundo a Reuters, Baghaei destacou que a base para retomar contatos diplomáticos com os Estados Unidos está no documento de sete pontos apresentado por Teerã, que delineia as condições que o Irã considera indispensáveis para qualquer negociação. Ele acrescentou que a troca de mensagens entre as duas capitais continua em curso e que o vice‑ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, está em Doha para conduzir as conversas.

Apesar do otimismo, o diplomata iraniano moderou as expectativas ao afirmar que Teerã não pretende iniciar negociações com um “novo governo dos Estados Unidos” após as eleições de meio de mandato, previstas para esta semana. Essa ressalva indica que o Irã ainda observa com cautela as possíveis mudanças na política externa americana, que poderiam influenciar a disposição de Washington em aceitar as exigências iranianas, sobretudo a retirada das sanções econômicas e o fim das pressões militares.

Os delegados iranianos deixaram Doha no domingo, mas, ao contrário do que alguns analistas especularam, a partida não decorreu de impasses nas tratativas. Um oficial familiarizado com as negociações informou à Reuters que a delegação iraniana simplesmente encerrou a visita para analisar um projeto de proposta já circulado entre as partes, aguardando feedback antes de agendar uma nova reunião. Essa postura demonstra que, embora ainda não haja um acordo definitivo, há um canal de comunicação ativo que pode evoluir para um entendimento mais amplo, possivelmente envolvendo a questão nuclear e a situação regional.

Paralelamente ao avanço diplomático, o Irã reforçou sua retórica de dissuasão militar. Hossein Mohebbi, porta‑voz da Guarda Revolucionária Islâmica, anunciou que o corpo de elite está identificando novos alvos e planejando operações em “novos setores geográficos” caso o país seja novamente atacado. A declaração veio um dia depois de o Líder Supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, ordenar que as forças armadas respondam a qualquer ameaça com uma reação “geograficamente ilimitada”. Mohebbi traduziu a ordem em termos de “máxima dissuasão”, afirmando que nenhum Estado poderá adotar uma posição política contra o Irã nem almejar seu território, pois o país agora dispõe de um “campo de ação amplo” para retaliar ataques e garantir plena dissuasão.

Essas duas frentes – diplomática e militar – revelam a estratégia dual que Teerã está adotando: buscar soluções negociadas para aliviar as sanções e reduzir a pressão internacional, ao mesmo tempo em que mantém um aparato de defesa robusto e flexível, capaz de responder a qualquer eventualidade. Caso um acordo seja efetivado nos próximos dias, ele poderia abrir espaço para a retomada das negociações nucleares iniciadas no Plano de Ação Conjunto (JCPOA) e, potencialmente, aliviar a tensão que tem alimentado o conflito entre Israel e Irã. Contudo, a postura de dissuasão anunciada pela Guarda Revolucionária indica que, mesmo com avanços diplomáticos, o Irã não está disposto a abrir mão de sua capacidade de resposta militar, o que pode gerar desconfiança em Washington e em seus aliados, sobretudo Israel.

As possíveis implicações são múltiplas. Para os Estados Unidos, um acordo rápido poderia representar um alívio econômico ao remover sanções que afetam o comércio de petróleo e o setor financeiro iraniano, além de abrir caminho para estabilizar a região do Golfo, onde a presença naval americana é constante. Para Israel, a perspectiva de um acordo que contenha garantias sobre o programa nuclear iraniano seria bem‑recebida, mas a retórica de “resposta ilimitada” da Guarda Revolucionária pode ser vista como um sinal de que Teerã ainda mantém a capacidade de ameaçar a segurança israelense, especialmente se considerar que o Irã tem apoiado grupos como o Hezbollah e o Hamas. Assim, enquanto o otimismo diplomático pode sinalizar um novo capítulo nas relações entre Irã e EUA, a manutenção de uma política de dissuasão militar amplia a incerteza sobre a estabilidade de longo prazo na região.


📖 Perspectiva Bíblica

“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jeremias 29:11)

Fonte original: Iran optimistic, 'There may be a chance for understandings with the US' — Israel Hayom

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