Accessibility Tools

Israel enfrenta novo risco após vitória democrata nos EUA

A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos trouxe uma mudança profunda no cenário político que afeta diretamente a segurança de Israel. O novo Congresso, que assumirá suas funções em janeiro, chega ao poder num momento em que o presidente Joe Biden, embora ainda amigável a Tel Aviv, apresenta um perfil enfraquecido e vulnerável a pressões internas. Essa conjuntura oferece a Israel apenas dois anos de “graça” para concluir, com o máximo de eficácia, a guerra contra o Irã e impedir que o regime de Teerã, ao lado do Hezbollah e possivelmente do Hamas, recupere sua capacidade militar. Caso Israel perca esse intervalo, há risco de que esses adversários se rearmem e que a comunidade internacional – ainda que hipocritamente – se afaste do apoio firme ao Estado judeu.

O autor da análise recorda um debate antigo: um jornalista palestino afirmava que, sem o apoio americano, Israel perderia todas as guerras. A resposta foi lembrar as vitórias históricas da nação – a Guerra da Independência e a Guerra dos Seis Dias – conquistadas praticamente sem auxílio externo. Embora reconheça que o futuro seria mais árduo sem o respaldo dos EUA, sustenta que Israel ainda seria capaz de triunfar em qualquer campanha militar. Essa perspectiva contrasta com a narrativa que tem se espalhado nos últimos anos nos círculos árabes e progressistas, alimentada por uma campanha de financiamento massivo e de caráter antissemita, que acusa Israel de ser responsável por quase todos os males americanos, de não ter direito de existir e de ser um projeto colonial europeu que usurpou terras palestinas.

A campanha, segundo o texto, penetrou desde a educação infantil até as universidades, moldando uma opinião pública que vê Israel como o “inimigo”. Essa transformação ideológica fez com que o que antes era a “franja lunática” do Congresso se tornasse a corrente dominante, revertendo a tradicional postura pró‑Israel que historicamente acompanhava a maioria dos presidentes americanos. Mesmo que ainda existam alguns senadores e representantes favoráveis a Tel Aviv, a maioria dos legisladores agora adota uma postura crítica que pode comprometer a aprovação de orçamentos, de extensões de operações militares e de ajuda financeira ao país.

A questão central que se impõe ao novo Congresso é a aprovação da ajuda anual de US$ 3,8 bilhões a Israel. O autor argumenta que, embora críticos apontem que esse recurso drena fundos que deveriam ser destinados aos cidadãos americanos, a realidade mostra que o apoio gera múltiplos benefícios para a própria economia dos EUA – empregos, vendas de armamentos, projetos de desenvolvimento conjunto e retorno de investimentos que superam em muito o valor desembolsado. Contudo, a percepção política interna pode levar a restrições ou atrasos que dificultariam a condução da campanha contra o Irã.

Se o Congresso adotar uma postura mais hostil, Israel enfrentará obstáculos para garantir recursos e autorizações necessárias para sustentar a pressão militar sobre Teerã. Isso pode abrir espaço para que o Irã recupere suas capacidades balísticas e nucleares, fortalecendo o Hezbollah no Líbano e incentivando o Hamas a retomar ações contra Gaza. A perda de apoio americano também poderia encorajar outras nações a adotarem posturas mais neutras ou até favoráveis a Teerã, minando a coalizão que tem sustentado Israel nas últimas décadas.

Portanto, os próximos dois anos são decisivos. Israel deve aproveitar a janela de tempo antes que o novo Congresso consolide políticas que possam limitar seu acesso a recursos estratégicos. A diplomacia deve ser intensificada, buscando alianças regionais e reforçando laços com parceiros tradicionais, enquanto a liderança militar prepara planos de contingência caso a ajuda americana seja reduzida. O futuro da segurança israelense – e da estabilidade no Oriente Médio – dependerá em grande parte da capacidade de Tel Aviv de transformar esse curto período de “graça” em resultados concretos que garantam a neutralização da ameaça iraniana e mantenham o apoio internacional, sobretudo dos Estados Unidos.


📖 Perspectiva Bíblica

“Os planos bem elaborados levam à fartura; mas o apressado sempre acaba na necessidade.” (Provérbios 21:5)

Fonte original: Israel lost Congress; will it use the next 2 years wisely? — Israel Hayom

© 2025 IsraelAgency.com.br. Todos os direitos reservados.