Movimento deve ocorrer no início de outubro e representa uma das mais significativas mudanças na política externa colombiana em relação a Israel
A Colômbia deverá abrir, no início de outubro de 2026, sua embaixada em Jerusalém, em uma decisão que representa uma profunda mudança na relação entre Bogotá e Israel. O anúncio ocorre poucos meses depois de uma ruptura diplomática e de anos de fortes divergências entre os governos dos dois países.
A transferência da representação diplomática colombiana de Tel Aviv para Jerusalém deverá colocar a Colômbia entre um grupo ainda pequeno de países que mantêm suas embaixadas na capital israelense. Há, porém, uma correção importante em relação às primeiras notícias divulgadas sobre o assunto: quando a decisão colombiana foi anunciada, esperava-se que o país fosse o décimo a estabelecer uma embaixada em Jerusalém. Entretanto, em 7 de setembro, Nauru inaugurou oficialmente sua missão diplomática na cidade, tornando-se o décimo país. Assim, caso a transferência colombiana seja concretizada conforme anunciado, a Colômbia será a 11ª.
Uma mudança que começou antes da abertura da embaixada
A decisão colombiana não surgiu isoladamente. Ela faz parte de uma reaproximação muito mais ampla entre os dois países após um período de forte deterioração das relações.
Em maio de 2024, durante o governo do então presidente Gustavo Petro, a Colômbia anunciou o rompimento das relações diplomáticas com Israel, embora tenha mantido relações comerciais e consulares. A medida ocorreu em meio à guerra em Gaza e às fortes críticas do governo Petro à atuação israelense.
A própria chancelaria israelense registra que as relações diplomáticas entre os dois países haviam sido estabelecidas em 1957. Antes da crise dos últimos anos, Israel e Colômbia mantinham cooperação em áreas como agricultura, segurança, defesa, comércio, ciência e tecnologia.
A mudança política ocorrida na Colômbia em 2026 alterou significativamente esse cenário.
O novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, assumiu o cargo em agosto e declarou sua intenção de reconstruir a relação estratégica com Israel. Pouco antes de sua posse, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, encontrou-se com o presidente eleito em Barranquilla.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, a reunião durou quase três horas e tratou de medidas práticas para reconstruir a cooperação diplomática, econômica e de segurança entre os dois países. Na ocasião, Sa’ar agradeceu ao presidente colombiano pela decisão de transferir a embaixada para Jerusalém.
Da ruptura à restauração das relações
O processo de reaproximação avançou rapidamente.
Em julho, Sa’ar havia se reunido em Washington com o então futuro chanceler colombiano, Omar Bula Escobar. Os dois discutiram uma série de medidas destinadas a restaurar integralmente as relações bilaterais.
Entre os pontos anunciados estavam a retomada das relações diplomáticas, a nomeação de embaixadores, a transferência da embaixada colombiana para Jerusalém e a retomada de mecanismos de cooperação entre os dois países.
A restauração das relações diplomáticas foi posteriormente concretizada em agosto.
A própria chancelaria colombiana confirmou que o governo decidiu fortalecer novamente os vínculos diplomáticos com Israel. Em setembro, o chanceler Omar Bula explicou ao Congresso colombiano que a aproximação também está relacionada aos interesses de segurança do país, especialmente ao combate ao crime organizado transnacional, ao narcotráfico, ao tráfico de armas, à lavagem de dinheiro e à necessidade de ampliar a cooperação em inteligência e cibersegurança.
Isso demonstra que a nova aproximação não está restrita ao aspecto simbólico da transferência da embaixada.
Segurança e inteligência no centro da nova parceria
A Colômbia possui uma longa experiência no combate a organizações criminosas e ao narcotráfico. Por isso, o governo de Bogotá vê a cooperação com Israel também sob uma persp
