Na quinta‑feira, liderada pelo Bahrein, cerca de oitenta países emitiram uma condenação conjunta ao Irã e aos houthis, acusando‑os de perturbar a navegação nas rotas estratégicas do Estreito de Hormuz e do Bab el‑Mandeb. O comunicado foi apresentado pelo ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, ao Israel Hayom nas dependências da ONU, e contou com a adesão da União Europeia e de diversas nações da região.
A declaração conjunta enfatiza que as ações iranianas no Estreito de Hormuz “continuam a ameaçar a segurança internacional e os direitos e liberdades de navegação”. Os países exigem a reabertura total e imediata do estreito, sem a imposição de tarifas, condições ou pagamentos ilegais que possam ser usados como forma de coerção. Ao mesmo tempo, condenam veementemente a decisão dos houthis de retomar as hostilidades no Iêmen, bem como seus ataques à Arábia Saudita e às rotas marítimas do Mar Vermelho.
O texto reforça o apoio à Resolução 2817 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, adotada em março, que já havia denunciado “nos termos mais fortes” os ataques iranianos contra Estados do Golfo e a Jordânia, exigindo o fim das ações destinadas a interromper o comércio marítimo. Os signatários reiteram que o Irã está “atacando países da região e provocando perturbações no comércio internacional, na segurança energética e na economia global”. Acrescentam que o uso de navios e tripulantes como moeda de troca é inaceitável, pois coloca vidas inocentes em risco.
A declaração ainda faz referência a um alerta do secretário‑geral da ONU, António Guterres, emitido no mês anterior, que apontava que as crises atuais estão “sufocando as artérias do comércio global e apertando o sistema alimentar mundial”. Segundo o alerta, o efeito colateral será o aumento dos preços, aprofundamento da fome, colheitas mais fracas e maior sofrimento, sobretudo entre as populações mais vulneráveis.
Ao ser questionado pelo Israel Hayom sobre a possibilidade de solução diplomática com o regime iraniano, Al Zayani afirmou que a diplomacia sempre será preferível e que ainda existe a perspectiva de um acordo. Contudo, membros da delegação bahreinita demonstraram ceticismo quanto à viabilidade real dessa alternativa. Um diplomata de outro Estado do Golfo, citado também pelo jornal, sugeriu que somente um colapso econômico do Irã – “pôr o regime de joelhos” – poderia abrir caminho para negociações. Ele manifestou esperança de que a administração dos Estados Unidos não interrompa a pressão econômica nem a aplicação de sanções, apontando que esse é o principal ponto de alavancagem sobre Teerã e a razão pela qual o Irã tem mantido algum contato com Washington.
Em síntese, a condenação multilatera reforça a preocupação internacional com a escalada de tensões que afetam rotas marítimas cruciais para o fluxo de energia e mercadorias. A pressão econômica e diplomática sobre o Irã intensifica‑se, ao passo que a comunidade global alerta para os riscos de uma crise prolongada: aumento dos preços de combustíveis, insegurança alimentar e instabilidade econômica que podem reverberar em todo o planeta. A postura firme dos países signatários indica que, enquanto não houver uma mudança de postura de Teerã, a resposta será manter sanções e buscar, ainda que de forma cautelosa, caminhos diplomáticos que evitem uma nova guerra aberta nas rotas marítimas do Oriente Médio.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21)
Fonte original: 80 countries issue strong condemnation of Iran — Israel Hayom
