As eleições de 2022 trouxeram ao Congresso dos Estados Unidos um reforço significativo dos democratas, mas também um novo cenário interno para a relação com Israel. Entre os vencedores estão figuras claramente críticas ao Estado judeu, como Abdul El‑Sayed, que venceu a disputa pelo Senado de Michigan, e Darializa Avila Chevalier, eleita para a Câmara pelos distritos de Nova York. Esses nomes dão ao setor mais progressista e anti‑Israel um espaço maior dentro do parlamento, algo que tem gerado preocupação em Tel Aviv. Contudo, o panorama não se resume a esse segmento; ao mesmo tempo, candidatos tradicionais do apoio à aliança EUA‑Israel também foram eleitos, ainda que com uma postura mais cautelosa e menos incondicional.
Antes mesmo das eleições, em julho, quase metade dos deputados democratas havia votado a favor de um projeto que propunha suspender a ajuda militar americana a Israel, sinalizando que a bancada progressista já buscava rever o volume e as condições desse apoio. O Congressional Progressive Caucus, que congrega os democratas mais à esquerda, espera ganhar ao menos 25 novos membros, enquanto o Blue Dog Coalition – grupo de democratas moderados – também teve 22 candidatos apoiados por seu comitê de ação política eleitos. Essa dualidade evidencia que o partido agora conta tanto com vozes que questionam a política de apoio irrestrito quanto com representantes que defendem a continuidade da parceria, ainda que com críticas pontuais.
Para Israel, o grande desafio passa a ser a construção de pontes com a maioria democrática recém‑formada, de modo a fortalecer as vozes moderadas que ainda defendem a relação bilateral. Rotem Oreg‑Kalisky, fundador da organização liberal LIBRAEL, que busca promover apoio a Israel entre os liberais americanos, afirma que a maioria dos democratas ainda vê Israel como parceiro estratégico, sobretudo por compartilharem a preocupação com o Irã. Contudo, ele ressalta que o apoio também nasce do reconhecimento de Israel como a única democracia plena no Oriente Médio, cujos valores são considerados essenciais para a relação. Quando esses valores parecem ser questionados, a confiança mútua se abala.
Oreg‑Kalisky alerta que Israel não pode depender apenas de aliados tradicionais e deve dialogar com legisladores críticos, como o futuro presidente da Câmara, Hakeem Jeffries, e o líder do Senado, Chuck Schumer, que são “amigos fervorosos de Israel”. Ele destaca ainda a importância de figuras como Jon Ossoff e James Talarico, cujas posições são mais nuançadas e podem atuar como pontes entre os diferentes blocos do partido.
Do ponto de vista estratégico, o analista Lenny Roth, veterano do AIPAC, vê na vitória democrática um aspecto positivo para Israel. Segundo ele, a maioria ampla dos democratas reduz o peso dos setores mais extremistas dentro do partido, pois os líderes como Jeffries e Schumer não precisarão depender do voto de figuras como El‑Sayed para aprovar a ajuda a Israel. Assim, a presença de moderados em cargos de liderança diminui a influência dos anti‑israelenses. Roth observa ainda que os candidatos mais hostis tiveram desempenho fraco nas urnas, indicando que o eleitorado americano ainda não está pronto para abraçar posições radicais contra Israel.
Em síntese, a “onda azul” que varreu o Congresso traz tanto desafios quanto oportunidades. O risco está na maior visibilidade de vozes críticas, mas a oportunidade reside na possibilidade de Israel consolidar alianças com democratas moderados que ainda valorizam a parceria estratégica e os princípios democráticos compartilhados. O futuro da cooperação dependerá da capacidade de Tel Aviv de engajar esses legisladores, apresentar argumentos de segurança e valores, e, ao mesmo tempo, responder às críticas de forma construtiva, evitando a polarização que poderia enfraquecer a tradicional aliança entre os dois países.
📖 Perspectiva Bíblica
“Pedi pela paz de Jerusalém; prosperarão os que te amam.” (Salmos 122:6)
Fonte original: Why the Democratic Blue Wave may be good news for Israel — Israel Hayom
