A nova lista de empresas sancionadas pelas Nações Unidas aumentou consideravelmente, com a inclusão de 61 firmas que operam em assentamentos israelenses na Cisjordânia. A medida faz parte do esforço da ONU para mapear e pressionar economicamente as companhias que, direta ou indiretamente, apoiam a expansão de colonizações consideradas ilegais sob o direito internacional. Entre os nomes que passaram a integrar o banco de dados estão a produtora israelense de pesticidas ADAMA, a holding de investimentos imobiliários Alony Hetz e a espanhola Salvat Logística, que atua em logística e transporte de mercadorias.
A lista, divulgada pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), tem como objetivo principal oferecer a governos, organizações da sociedade civil e consumidores informações claras sobre quais empresas têm atividades econômicas nos territórios ocupados. A partir desse levantamento, grupos de direitos humanos e movimentos de boicote (BDS – Boycott, Divestment, Sanctions) podem direcionar campanhas de pressão, seja por meio de boicotes de consumo, desinvestimentos ou sanções comerciais. A inclusão de empresas de setores variados – agroquímicos, construção, logística, serviços financeiros e tecnologia – demonstra a amplitude da presença empresarial israelense nos assentamentos, que vão desde a produção de insumos agrícolas até a prestação de serviços de infraestrutura.
A ADAMA, por exemplo, fornece fertilizantes e defensivos agrícolas a produtores que trabalham nas áreas coloniais, contribuindo para a viabilidade econômica dessas comunidades. Já a Alony Hetz detém participações em empreendimentos imobiliários que desenvolvem residências e infraestruturas em bairros como Ma’ale Adumim e Ariel, áreas que a comunidade internacional classifica como parte do território palestino ocupado. A Salvat Logística, embora de origem espanhola, opera centros de distribuição que atendem a clientes situados nos mesmos assentamentos, facilitando a cadeia de suprimentos que sustenta a presença israelense na região.
A atualização da lista ocorre em um momento de intensificação das tensões entre Israel e a Autoridade Palestina, bem como de debates internos sobre a política de assentamentos. Enquanto o governo israelense defende que os colonatos são necessários para a segurança e para o desenvolvimento econômico do país, a maioria dos países membros da ONU considera que a expansão dos assentamentos viola a Convenção de Genebra e impede a solução de dois Estados. Assim, a exposição dessas empresas pode gerar repercussões diplomáticas e econômicas, sobretudo para aquelas com acionistas ou parceiros estrangeiros que estejam sujeitos a legislações de combate ao comércio com territórios ocupados, como a lei de investimento responsável da União Europeia.
Para as companhias listadas, as consequências podem variar. Algumas podem enfrentar boicotes de consumidores conscientes, perda de contratos com instituições públicas ou privadas que adotam políticas de responsabilidade social corporativa, e até processos judiciais em tribunais estrangeiros. Em contrapartida, grupos pró-Israel argumentam que a lista é politicamente motivada e que penaliza negócios legítimos que operam dentro da lei israelense, alegando que a presença de empresas como a ADAMA traz desenvolvimento agrícola à região e gera empregos para palestinos que trabalham nesses empreendimentos.
No cenário interno israelense, a inclusão de empresas no banco de dados da ONU costuma gerar pressão de lobistas e de setores empresariais que buscam minimizar os impactos reputacionais. O Ministério da Economia tem reiterado que a atividade empresarial nas áreas disputadas segue as normas nacionais e que a comunidade internacional deve focar em negociações de paz ao invés de sanções econômicas. Contudo, a crescente visibilidade internacional das práticas empresariais em assentamentos pode incentivar uma maior vigilância e, possivelmente, levar a ajustes nas políticas de investimento de algumas corporações, que podem optar por retirar ou reduzir suas operações na Cisjordânia para evitar danos à sua imagem.
Em suma, a nova lista de 61 empresas reforça a estratégia da ONU de usar a transparência como ferramenta de pressão contra a expansão dos assentamentos israelenses. Ao destacar nomes de destaque como ADAMA, Alony Hetz e Salvat Logística, o relatório amplia o debate sobre a responsabilidade corporativa em contextos de ocupação e pode influenciar tanto a opinião pública internacional quanto as decisões de investidores e consumidores, potencialmente alterando o panorama econômico dos assentamentos nos próximos anos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, repreendei o opressor; defendei a causa do órfão, pleiteai a causa das viúvas.” (Isaías 1:17)
Fonte original: UN blacklists 61 more firms operating in West Bank settlements — Times of Israel
