A sobrevivente do Holocausto Eva Umlauf, que passou três anos no campo de concentração de Auschwitz, manifestou profunda consternação e tristeza após a vitória do partido de extrema‑direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas recentes eleições estaduais de Brandemburgo, no leste da Alemanha. Em entrevista concedida ao The Times of Israel, a septuagenária descreveu o cenário político atual como “assustador”, lembrando que, oito décadas depois do fim do regime nazista, ainda se presenciam “os mesmos padrões de ódio contra minorias e estrangeiros”.
Umlauf, que chegou à Alemanha como refugiada judia em 1939 e sobreviveu a experimentos médicos e à fome nos campos de concentração, destaca que o ressurgimento de discursos nacionalistas e xenófobos traz à tona memórias dolorosas de perseguições que culminaram no genocídio de seis milhões de judeus. Ela enfatiza que o AfD, ao adotar retórica anti‑imigração, antissemitismo velado e críticas à política de reparações e memória do Holocausto, representa uma ameaça concreta à democracia liberal e ao respeito pelos direitos humanos. “Nós sabemos o que acontece com as minorias quando o discurso de ódio se legitima”, afirma, citando o histórico de pogroms e leis discriminatórias que antecederam a Segunda Guerra Mundial.
O contexto da vitória do AfD em Brandemburgo é particularmente significativo. O estado, que faz fronteira com a Polônia e a República Tcheca, tem sido palco de intensos debates sobre a política de asilo e a integração de imigrantes, sobretudo de origem muçulmana, após a crise migratória de 2015. O partido, fundado em 2013, capitalizou o descontentamento popular com a percepção de que os partidos tradicionais – a União Democrata‑Cristã (CDU) e o Partido Social‑Democrata (SPD) – falharam em controlar a inflação, a segurança e a identidade cultural. Nas urnas, o AfD obteve cerca de 27 % dos votos, superando a CDU e formando uma coalizão de direita que pode influenciar a agenda legislativa estadual, incluindo propostas de restrição ao acesso a benefícios sociais para estrangeiros e a revisão de programas de memória do Holocausto nas escolas.
Especialistas em ciência política alertam que a ascensão do AfD não se limita a um fenômeno regional; ela reflete uma tendência mais ampla de radicalização da direita na Europa, alimentada por crises econômicas, migrações e o uso das redes sociais para disseminar teorias conspiratórias. O sucesso em Brandemburgo pode encorajar o partido a buscar posições semelhantes em outros estados, pressionando o governo federal de Olaf Scholz a adotar medidas mais duras contra a extrema‑direita. Ao mesmo tempo, partidos de centro‑esquerda têm intensificado campanhas de conscientização sobre o Holocausto, organizando eventos educativos e reforçando a legislação contra discursos de ódio.
Para a comunidade judaica na Alemanha, a vitória do AfD reacende temores de que o clima de segurança e aceitação conquistado nas últimas décadas possa ser ameaçado. Organizações como o Centro Judaico de Frankfurt e a Central de Comunidades Judaicas da Alemanha (Zentralrat) reiteraram a necessidade de vigilância constante e de reforço das leis que punem o antissemitismo. Elas também ressaltam a importância de preservar a memória do Holocausto como ferramenta educativa contra a repetição de atrocidades.
Em síntese, o depoimento de Eva Umlauf serve como um alerta moral e histórico: a vitória do AfD em Brandemburgo não é apenas um resultado eleitoral, mas um sintoma de fragilidades democráticas que podem colocar em risco minorias vulneráveis. O episódio sublinha a urgência de respostas políticas firmes, de reforço das instituições de direitos humanos e de um compromisso renovado com a memória do passado, para que o horror vivido pelos sobreviventes nunca seja repetido.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não te deixes vencer pelo mal; antes, vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21)
Fonte original: Holocaust survivor ‘appalled, saddened’ by far-right AfD’s victory in German state — Times of Israel
