A reportagem do *New York Times* indica que o Irã está analisando um conjunto de propostas apresentadas por mediadores internacionais, o que pode representar um ponto de virada nas negociações sobre seu programa nuclear. Cinco autoridades, entre elas um diplomata norte‑americano e dois iranianos, foram consultadas e confirmaram que Teerã, que nos últimos dias se mostrava inflexível, voltou a considerar alternativas, sinalizando um avanço nos esforços de Doha para impedir o retorno a um conflito em grande escala.
A mediação tem sido liderada pelo Catar, que intensificou a diplomacia nos últimos sete dias. Foram realizadas duas rodadas de conversas em Teerã e uma terceira em Doha, além de encontros paralelos entre representantes qatarenses e iranianos na Armênia. O vice‑presidente dos Estados Unidos, JD Vance, tem desempenhado um papel de destaque ao apoiar a iniciativa catariana e ao enviar, no mês passado, uma carta ao secretário do Conselho de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, propondo diálogos diretos que incluam a questão nuclear. Rezaei interpretou a missiva como uma mudança de postura dos EUA e como “a força e a vitória do povo iraniano”.
Publicamente, Rezaei tem mantido a posição de que o Irã só negociará se os EUA atenderem a exigências como a liberação de ativos iranianos congelados, o fim das sanções ao petróleo e a retirada do bloqueio naval nos portos do país. Contudo, segundo as fontes, o secretário tem demonstrado maior flexibilidade nos bastidores, participando ativamente das conversas com o Catar ao lado de figuras como o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
No cerne das divergências permanece o destino do estoque de urânio altamente enriquecido que o Irã mantém. Teerã insiste que o material deve permanecer em território nacional, enquanto os EUA e seus aliados, incluindo Israel, têm pressionado por sua remoção ou diluição sob supervisão internacional. Em rodadas anteriores, o Irã chegou a considerar a diluição do estoque dentro do próprio país, mas sem ceder à transferência externa.
Enquanto as partes revisam as últimas propostas, Washington e Israel já teriam elaborado uma lista de alvos estratégicos para um eventual ataque, abrangendo infraestrutura energética e outros pontos críticos da economia iraniana. Essa preparação militar contrasta com a abertura diplomática que se desenha, criando um clima de incerteza sobre os próximos passos. Caso as negociações avancem, poderia haver um alívio imediato das tensões no estreito de Ormuz, onde a presença naval dos EUA tem sido constante, e uma diminuição das pressões econômicas sobre o Irã, possibilitando a retomada de exportações de petróleo.
Por outro lado, se as diferenças sobre o urânio não forem superadas, o risco de escalada militar permanece elevado. O apoio dos EUA a Israel, que tem reiterado a intenção de neutralizar a capacidade nuclear de Teerã, pode levar a uma operação conjunta, especialmente se o Irã decidir retomar seu programa nuclear de forma mais agressiva. Assim, o sucesso ou fracasso das negociações mediadas pelo Catar terá implicações profundas não apenas para a segurança regional, mas também para a estabilidade dos mercados energéticos globais e para a dinâmica das relações entre Washington, Tel Aviv e Teerã nos próximos meses.
📖 Perspectiva Bíblica
“Peçam, e será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta será aberta.” (Mateus 7:7)
Fonte original: Possible breakthrough in negotiations with Iran — Israel Hayom
