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Israel alerta sobre risco de bomba nuclear iraniana

A questão de saber se o alto escalão iraniano já chegou a ordenar a construção de uma bomba nuclear tem ocupado governos ocidentais há décadas. Oficialmente, Teerã sustenta que a produção de armas nucleares é proibida por um fatwa – um pronunciamento religioso – emitido pelo Líder Supremo Ayatollah Ali Khamenei no início dos anos 2000. Não há texto escrito do fatwa; sua autoridade decorre de declarações públicas de Khamenei, que o apresentou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em 2005 e reiterou em 2019. Contudo, ao mesmo tempo, o Irã mantinha um programa clandestino de desenvolvimento de armas nucleares conhecido como Plano Amad, liderado pelo cientista nuclear Mohsen Fakhrizadeh. Esse programa operava sob a fachada de empresas civis, institutos de pesquisa e da organização SPND, criada supostamente para desenvolver tecnologias avançadas.

Em 2015 o Irã negou à AIEA a existência do Plano Amad. Três anos depois, agentes do Mossad invadiram um armazém em Teerã e furtaram cerca de meio tonelada de documentos e CDs, que foram levados a Israel. A análise feita pelo Institute for Science and International Security (ISIS), dos Estados Unidos, revelou que o Irã perseguiu a produção de armas nucleares no final da década de 1990 e início dos anos 2000. Avaliações de inteligência ocidentais indicavam que o programa teria sido interrompido no outono de 2003, após a invasão americana do Iraque. Os documentos apreendidos mostraram, porém, que partes do esforço continuaram a operar em escala reduzida e de forma mais descentralizada.

O discurso oficial iraniano tem variado conforme o clima geopolítico. Em fevereiro de 2021, o então ministro da Inteligência, Mahmoud Alavi, afirmou ao noticiário estatal que o fatwa proíbe armas nucleares, mas alertou que “um gato encurralado pode se comportar de forma diferente de um gato livre” e que, se o Ocidente pressionar o Irã, a responsabilidade não seria do país. Em julho de 2022, Kamal Kharrazi, conselheiro sênior de Khamenei e ex‑ministro das Relações Exteriores, declarou à Al Jazeera que o Irã tem capacidade técnica para produzir uma bomba nuclear, conseguindo enriquecer urânio a 60 % em poucos dias e podendo chegar a 90 % facilmente, embora ainda não haja decisão política para fazê‑lo.

A retórica tornou‑se ainda mais agressiva após o primeiro ataque direto de mísseis e drones iranianos contra Israel, em abril de 2024. Ahmad Haghtalab, comandante da unidade do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica responsável pela proteção das instalações nucleares, disse ao Tasnim News Agency que as ameaças israelenses poderiam levar Teerã a reconsiderar sua doutrina nuclear e abandonar as considerações anteriores. Essa afirmação indica que a percepção de ameaça externa pode ser usada como justificativa para mudar a política nuclear, alinhando‑se à narrativa de “defesa nacional” que o regime costuma empregar.

As implicações são múltiplas. Primeiro, a revelação de documentos evidencia que o Irã manteve, ainda que de forma reduzida, capacidade nuclear latente, o que complica avaliações de risco e negociações de controle. Segundo, a mudança de discurso – de uma negação firme para advertências de que “circunstâncias podem mudar” – sinaliza que o regime está disposto a usar a retórica nuclear como ferramenta de pressão diplomática. Por fim, a ligação direta entre ameaças israelenses e possíveis ajustes na doutrina nuclear iraniana pode intensificar a corrida de segurança no Oriente Médio, levando a maior instabilidade regional e a uma potencial escalada de confrontos envolvendo potências externas. O cenário exige vigilância constante das agências de inteligência e um esforço renovado de diplomacia multilateral para evitar que a retórica se converta em ação efetiva.


📖 Perspectiva Bíblica

“Quem odeia disfarça com os lábios, mas no coração traz a sua maldade.” (Provérbios 26:24)

Fonte original: How Iran's strategy has shifted from nuclear denial to bomb threats — Israel Hayom

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