Israel tem intensificado sua luta diplomática contra a expansão de boicotes a empresas que operam em territórios ocupados, como Judeia e Samaria, a Cisjordânia, o Golã e Jerusalém Oriental. A iniciativa se intensificou após a Organização das Nações Unidas divulgar, no último fim de semana, uma lista ampliada de companhias israelenses que seriam alvo de sanções. Entre as empresas incluídas estão algumas das maiores do país, o que provocou uma reação imediata do governo israelense, que denunciou a “blacklist” como uma ferramenta criada exclusivamente para prejudicar o Estado judeu e afirmou que não tem precedentes em nenhum outro lugar do mundo.
A Holanda foi o primeiro país a aplicar medidas concretas, proibindo a importação de produtos provenientes das áreas citadas e instituindo inspeções de bagagens de israelenses ao entrarem em seu território. Essa decisão serviu de alerta para outras nações que mantêm laços comerciais e diplomáticos com Israel, que agora enfrentam pressão para seguir o mesmo caminho. De acordo com fontes do Ministério das Relações Exteriores, há um esforço “nos bastidores” para convencer esses países a não adotarem políticas de boicote semelhantes. O governo israelense tem adotado uma postura firme, inclusive com ações de retaliação contra o Reino Unido, que já viu o consulado britânico em Kiryat Gat fechado e seus representantes expulsos do país. Autoridades britânicas têm pedido a reversão dessas sanções, mas Israel mantém a posição e sinaliza que pode adotar medidas ainda mais severas contra quem buscar institucionalizar boicotes contra todo o Estado.
No âmbito multilateral, Israel tem trabalhado em conjunto com a missão dos Estados Unidos na ONU para influenciar a escolha do próximo secretário‑geral da organização. Ambos os países consideram que o atual secretário‑geral, António Guterres, não será receptivo a mudanças na política de blacklist e preferem aguardar o fim de seu mandato, no final deste ano, para apoiar um candidato que não seja percebido como “anti‑Israel”. Essa estratégia visa, a longo prazo, reduzir ou eliminar o impacto da lista de empresas sancionadas.
O Ministério das Relações Exteriores, ao responder à publicação da lista, classificou as acusações como infundadas e acusou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, liderado por Volker Türk, de transformar a instituição em “um agente de perseguição contra Israel”. O comunicado destacou que a atividade econômica israelense nos territórios ocupados gera empregos para palestinos, funciona como ponte entre as comunidades e representa um modelo de convivência que contrasta com a narrativa de isolamento promovida pelos críticos.
As implicações desse embate são múltiplas. No curto prazo, a expansão de boicotes pode afetar cadeias de suprimento, investimentos estrangeiros e a imagem internacional de Israel, ao mesmo tempo em que pressiona países aliados a escolherem entre laços econômicos e pressões de grupos de direitos humanos. No médio e longo prazo, a disputa na ONU sobre a escolha do secretário‑geral pode redefinir a dinâmica de como questões relativas a Israel são tratadas no organismo, potencialmente diminuindo a eficácia de futuras listas de sanções. Para Israel, a resposta firme busca não apenas proteger seus interesses econômicos, mas também preservar a legitimidade de sua presença nos territórios contestados, apresentando‑se como um agente de desenvolvimento e coexistência, em vez de um alvo de campanhas de boicote.
📖 Perspectiva Bíblica
“Seja a paz de Jerusalém o que me traga prazer; nele prosperarei, pois ali está o meu desejo.” (Salmos 122:6)
Fonte original: Israel fears boycott wave is only beginning — Israel Hayom
