Uma alta autoridade israelense confirmou que a força aérea atacou um complexo petroquímico no Irã, após a República Islâmica ter divulgado o ataque. O ataque ocorreu a cerca de 1.300 km de Israel. O complexo petroquímico danificado fica em Bandar-e Mahshahr, na região centro-oeste do Irã, nas margens do Golfo Pérsico.
Escalada no Oriente Médio: Irã lança mísseis contra Israel, que responde com ataque a complexo petroquímico
Em um novo capítulo da escalada de tensões entre Irã e Israel, Teerã lançou na manhã desta segunda-feira (8 de junho de 2026) uma onda de mísseis balísticos contra o centro e o sul de Israel. Foi a primeira vez desde a retomada dos ataques diretos que o Irã direcionou projéteis também para essas regiões. Israel respondeu com uma operação aérea noturna, atingindo um complexo petroquímico em Mahshahr, no sudoeste iraniano. As autoridades israelenses afirmam que os alvos foram selecionados com precisão e não envolviam infraestrutura energética civil.
De acordo com relatos iniciais, os mísseis iranianos causaram danos a residências na Samaria (Shomron), na Cisjordânia, mas não há confirmação de vítimas fatais. Sistemas de defesa aérea israelenses, como o Domo de Ferro, interceptaram a maioria dos projéteis, embora fragmentos tenham provocado impactos localizados. Alarmes soaram em amplas áreas, incluindo Gush Dan (região de Tel Aviv), Shfela, Negev e Jerusalém, forçando a população a buscar abrigos.
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Resposta israelense e confirmações
Um alto oficial israelense confirmou que a Força Aérea de Israel (IAF), com orientação da inteligência militar (AMAN), atacou o complexo petroquímico “Karon” em Mahshahr, localizado a cerca de 1.300 km de Israel. O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) reforçou que os alvos eram de natureza militar, relacionados ao regime iraniano. Em Teerã, autoridades admitiram o ataque ao local e relataram ativação de defesas antiaéreas em regiões como Kermanshah, no oeste do país. Houve relatos de explosões também em Tabriz, Isfahan e Teerã.
O gabinete de segurança israelense foi convocado para uma reunião às 11h (horário local). O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz realizaram consultas intensas durante a noite com chefes de segurança. Jerusalém emitiu um alerta claro: “Qualquer disparo será respondido com uma reação poderosa”.
Participação dos houthis
Por volta das 6h, os rebeldes houthis do Iêmen assumiram a responsabilidade por um lançamento de míssil em direção a Israel. O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, declarou que o grupo atacou “alvos sensíveis pertencentes ao inimigo sionista em Jaffa” e ameaçou intensificar as ações, incluindo um bloqueio completo à navegação israelense no Mar Vermelho. “Responderemos à escalada com escalada”, disse Saree, em coordenação com o “eixo da resistência”.
O míssil lançado do Iêmen foi interceptado, mas gerou alarmes em Tel Aviv e na região central.
Medidas internas em Israel
As autoridades israelenses adotaram várias medidas de emergência:
- Educação: Todas as aulas e provas de vestibular (bagrut) foram suspensas em todo o país.
- Trabalho e abrigos: Recomendação para trabalhar apenas em locais com abrigos reforçados (Mamad).
- Transporte: O aeroporto Ben Gurion permaneceu aberto inicialmente, mas com preparativos para possível fechamento do espaço aéreo. O transporte público foi reduzido para 75% da capacidade normal.
- Saúde: Hospitais foram instruídos a se prepararem para operar em áreas subterrâneas.
- Gaza: Israel suspendeu a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, incluindo os cruzamentos de Kerem Shalom e Rafah.
O Comando da Frente Interna (Home Front Command) liberou gradualmente a saída dos abrigos após a maioria dos interceptos, mas orientou a população a permanecer perto de espaços protegidos.
Reações internacionais
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump manteve contato com Netanyahu, expressando desejo de evitar maior escalada e enfatizando negociações em andamento com o Irã. Trump afirmou que a resposta iraniana “não causou danos significativos” e manifestou esperança de que Israel não retaliie de forma ampla, priorizando um acordo. Fontes americanas indicaram que Washington pediu cautela a Israel para permitir possíveis negociações.
A Arábia Saudita ativou alertas em seu território devido à passagem de projéteis. O Reino Unido apelou por contenção de ambos os lados para preservar o comércio global.
Contexto e declarações
O Irã justificou o ataque como resposta a ações israelenses anteriores, incluindo supostas ofensivas em Beirute e sul do Líbano. Os Guardiões da Revolução Iraniana reivindicaram ter atingido bases aéreas israelenses como Nevatim e Tel Nof. Israel nega danos significativos e afirma que todos os mísseis lançados até o momento foram interceptados.
Eli Sharabi, sobrevivente de cativeiro, comentou em entrevista ao canal israelense Ynet: “Moramos no sul há 20 anos convivendo com alarmes. Não nos abalamos facilmente”. Ele relatou ter visitado recentemente as ruínas de sua casa em Be’eri como um ato simbólico de despedida.
Analistas israelenses avaliam que o Irã busca uma resposta “limitada”, mas Jerusalém rejeita qualquer tentativa de impor novas “equações” de dissuasão. O chefe do Estado-Maior, Herzl Halevi (ou sucessor mencionado como Eyal Zamir em alguns relatos), afirmou que as Forças de Defesa estão prontas para agir em todas as frentes.
Perspectivas
A situação permanece volátil. Israel reforça sua postura de que não aceitará ataques diretos em seu território sem resposta proporcional. O envolvimento dos houthis e possíveis ações do Hezbollah no Líbano aumentam o risco de uma guerra regional mais ampla.
Enquanto a diplomacia, especialmente via Washington, tenta conter o conflito, a população israelense convive com a rotina de alertas e abrigos. O episódio marca mais um round no confronto de longa data entre Israel e o “eixo de resistência” liderado pelo Irã, com implicações imprevisíveis para a estabilidade no Oriente Médio.
Atualizado com base em relatos de fontes israelenses e internacionais até o momento da publicação. A situação evolui rapidamente.
