A conclusão das eleições nos Estados Unidos e em Israel trouxe um novo cenário para a política de pressão sobre o Irã, mas ainda não há consenso sobre qual caminho deve ser seguido. Nos EUA, os democratas assumiram o controle do Congresso e prometem pressionar o governo para encerrar a guerra que se desenrolou desde o ataque iraniano a bases americanas em 2020. Em Israel, o pleito resultou em um impasse: o país permanece sob um governo interino, com a possibilidade de se formar um governo minoritário frágil ou de convocar novas eleições. Nesse contexto, o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisam decidir se retomam operações militares de grande escala, limitam‑se a ataques pontuais ou aguardam que o bloqueio econômico e as sanções provoquem o colapso do regime de Teerã.
Nas próximas semanas, Washington deverá sediar discussões estratégicas envolvendo altos funcionários israelenses, que buscarão definir a postura dos aliados ocidentais. A decisão será tomada sob forte pressão interna nos dois países: nos EUA, o Congresso democrata quer evitar um conflito prolongado; em Israel, a instabilidade política dificulta a formulação de uma estratégia coerente. O presidente Trump, ainda que tenha apenas dois anos de mandato, tem sido apontado como o principal responsável por manter a postura agressiva contra o Irã, enquanto Netanyahu tenta equilibrar a necessidade de segurança nacional com a vulnerabilidade de um governo de transição.
Um dos principais analistas citados, Avner Vilan, que trabalhou durante décadas na questão nuclear iraniana dentro do estabelecimento de defesa israelense, sustenta que a pressão econômica sozinha não será suficiente para fazer o regime de Teerã desistir de seu programa nuclear. Segundo Vilan, mesmo que a população iraniana enfrente escassez de alimentos e a economia se desfaça, o governo continuará destinando recursos ao desenvolvimento de armas nucleares, visto como garantia de sobrevivência do regime. Ele alerta que o Irã tem a intenção de acelerar a produção de uma bomba nuclear antes que um novo governo americano assuma o poder, usando o tempo como aliado estratégico. Vilan não defende a derrubada do governo, mas propõe um ataque que sirva de aviso claro: a estagnação só aumentará o custo para Teerã, que seria forçado a voltar à mesa de negociações para aceitar a renúncia ao caminho nuclear, a redução do estoque de urânio enriquecido e a aceitação de supervisão internacional rigorosa. Para ele, a decisão de não entrar em guerra também requer um plano deliberado, e não pode ser baseada apenas na esperança de que o tempo favoreça o Ocidente.
Em contraste, Oded Ailam, pesquisador do Jerusalem Center for Security and Foreign Affairs e ex‑oficial sênior do Mossad especializado na estratégia iraniana, adota uma postura mais cautelosa. Ailam argumenta que um novo ataque seria desnecessário neste momento, pois a economia iraniana já se encontra em estado crítico e o país não conseguiu, até agora, fechar o estreito de Ormuz, que é vital para o comércio de petróleo global. Ele critica a retórica de Trump, considerando que a insistência em mais ataques pode ser mais um gesto político do que uma necessidade estratégica. Para Ailam, a prioridade seria consolidar o bloqueio econômico, monitorar os efeitos das sanções e explorar canais diplomáticos que possam levar Teerã a aceitar um acordo de contenção nuclear sem a necessidade de mais violência.
As possíveis implicações de cada abordagem são profundas. Um novo bombardeio poderia desencadear uma escalada militar, provocando retaliações iranianas contra aliados regionais, como Israel e os Emirados Árabes Unidos, e até mesmo ameaçar a segurança do estreito de Ormuz, afetando o preço do petróleo mundial. Por outro lado, depender exclusivamente da pressão econômica pode levar a um sofrimento humanitário crescente, sem garantir a desistência do programa nuclear, e pode ser percebido como fraqueza, encorajando o Irã a avançar ainda mais em sua corrida armamentista. Além disso, a postura adotada pelos EUA influenciará a percepção de seus aliados na região, bem como a confiança nas instituições multilaterais que supervisionam o acordo nuclear de 2015.
Em síntese, o debate entre “outro ataque ou colapso econômico” permanece aberto. Enquanto Vilan defende a manutenção da opção militar como elemento de barganha, Ailam acredita que a situação econômica do Irã já oferece margem suficiente para pressionar o regime sem recorrer a mais violência. A decisão que emergirá das discussões em Washington nas próximas semanas definirá não apenas o futuro da campanha contra o Irã, mas também o rumo da política de segurança de Israel e dos Estados Unidos em um cenário internacional cada vez mais volátil.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque os que confiam no seu próprio coração são insensatos, mas os que andam em sabedoria são salvos.” (Provérbios 28:26)
Fonte original: Another strike or economic collapse? Experts divided over next phase of Iran campaign — Israel Hayom
