Faltando duas semanas para a votação, o editorial destaca que as campanhas eleitorais israelenses ainda insistem em artifícios políticos em vez de enfrentar questões estruturais que afetam a vida dos cidadãos e o futuro do Estado. O texto aponta que, apesar da intensidade do debate, temas como educação, mobilidade, meio ambiente, a desigualdade no serviço militar, a crescente emigração e a situação da Cisjordânia permanecem à margem das propostas partidárias.
Na esfera educacional, o editorial ressalta que o sistema ainda sofre com disparidades de recursos entre escolas públicas e privadas, bem como entre regiões centrais e periféricas. A falta de investimento em infraestrutura tecnológica e em formação docente é citada como um obstáculo ao desenvolvimento de competências essenciais para a economia do conhecimento. Os partidos, segundo o texto, tendem a prometer aumentos de orçamento sem apresentar planos concretos de reforma curricular ou de combate ao abandono escolar, sobretudo entre comunidades árabes e ultraortodoxas.
Quanto ao transporte, a crítica recai sobre a ausência de uma política integrada que una rodovias, ferrovias e transporte público urbano. O editorial menciona que o congestionamento nas áreas metropolitanas, especialmente em Tel Aviv, gera perdas econômicas significativas e deteriora a qualidade de vida. Enquanto alguns candidatos falam em ampliar linhas de metrô ou incentivar veículos elétricos, falta um plano de longo prazo que contemple a expansão de corredores de alta velocidade e a modernização dos terminais ferroviários, essenciais para conectar o interior ao litoral.
O meio ambiente aparece como outra lacuna nas campanhas. O autor alerta que Israel enfrenta escassez hídrica crônica, poluição do ar em centros industriais e vulnerabilidade a mudanças climáticas. Apesar de acordos recentes sobre energia renovável, o editorial aponta que os partidos ainda não detalham metas ambiciosas de redução de emissões nem políticas de conservação de recursos naturais, deixando a população vulnerável a crises futuras.
A questão do recrutamento desigual nas Forças de Defesa de Israel (IDF) também é trazida à tona. O texto denuncia que, embora a maioria da população judaica sirva, grupos como os ultraortodoxos e os árabes israelenses são amplamente isentos ou servem em condições diferentes. Essa disparidade alimenta tensões sociais e questiona a igualdade perante a lei. O editorial critica a falta de propostas claras para um serviço militar mais inclusivo, que poderia melhorar a coesão nacional.
Outro ponto crítico é a “onda de emigração” que tem levado milhares de israelenses a buscar oportunidades no exterior, motivados por altos custos de vida, insegurança e descontentamento político. O artigo sugere que a perda de capital humano pode enfraquecer a competitividade do país, e que os partidos precisam apresentar estratégias de retenção, como incentivos fiscais, apoio à habitação e fortalecimento do setor de alta tecnologia.
Por fim, a Cisjordânia permanece como tema sensível e pouco abordado nas plataformas eleitorais. Enquanto alguns partidos defendem a continuidade da política de assentamentos, outros propõem negociações de paz, mas o editorial aponta que poucos oferecem um plano detalhado que concilie segurança, direitos humanos e viabilidade de um Estado palestino. A falta de uma visão estratégica pode perpetuar o impasse e comprometer a estabilidade regional.
Em síntese, o editorial conclui que, para que a democracia israelense avance, os candidatos precisam abandonar as estratégias de curto prazo e artifícios midiáticos, concentrando-se em propostas concretas que abordem educação, mobilidade, meio ambiente, igualdade no serviço militar, retenção de talentos e solução do conflito na Cisjordânia. Só assim será possível garantir um futuro próspero e seguro para todos os cidadãos israelenses.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da mente, para que conheçais a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)
Fonte original: Israeli election campaigns must move past political gimmicks to tackle critical issues – editorial — Jerusalem Post
