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Israel enterra de vez as atividades da UNRWA no país

Israel enterra de vez as atividades da UNRWA no país após escândalos envolvendo funcionários ligados ao terror

O governo de Israel aprovou uma decisão altamente simbólica e estratégica: o antigo complexo da UNRWA em Jerusalém será transformado em um novo centro ligado às Forças de Defesa de Israel (IDF). O local abrigará o Museu das Forças de Defesa de Israel, um Escritório de Recrutamento militar e também estruturas administrativas do Ministério da Defesa israelense. (ynetglobal)

A medida marca oficialmente o encerramento de uma era. O terreno, localizado no bairro de Ma’alot Dafna, próximo à histórica Colina da Munição em Jerusalém, durante décadas foi um dos símbolos da presença da UNRWA em Israel. Agora, passará a representar exatamente o oposto: soberania israelense, memória militar e fortalecimento institucional do Estado judeu.

O que será construído no local

Segundo os planos apresentados pelo ministro da Defesa, Israel Katz, cerca de 36 dunams (aproximadamente 9 acres) serão destinados ao novo complexo militar e histórico.

O projeto inclui:

  • Museu das Forças de Defesa de Israel
  • Novo centro de recrutamento militar de Jerusalém
  • Escritórios administrativos do Ministério da Defesa
  • Gabinete operacional do ministro da Defesa

O atual centro de recrutamento de Jerusalém, localizado em Romema, será transferido para o novo espaço.

O contexto: a ruptura definitiva entre Israel e a UNRWA

A decisão não surgiu isoladamente.

Desde o massacre de 7 de outubro de 2023 perpetrado pelo Hamas, Israel passou a intensificar investigações sobre possíveis vínculos entre funcionários da UNRWA e organizações terroristas. Diversos relatórios e investigações internacionais apontaram suspeitas graves envolvendo empregados da agência. (CartaCapital)

Em 2024, o Knesset aprovou leis proibindo a atuação da UNRWA em território israelense e impedindo qualquer cooperação oficial do Estado de Israel com a agência da ONU. As medidas entraram plenamente em vigor em janeiro de 2025. (Folha de S.Paulo)

Segundo reportagens e investigações divulgadas após o início da guerra:

  • funcionários da agência teriam participado direta ou indiretamente dos ataques de 7 de outubro;
  • estruturas da UNRWA teriam sido utilizadas pelo Hamas;
  • materiais escolares da agência teriam sido acusados de promover radicalização anti-israelense;
  • Israel alegou infiltração sistemática do Hamas dentro da estrutura da organização. (CartaCapital)

A ONU reconheceu que ao menos alguns funcionários precisaram ser investigados e desligados, embora haja forte disputa internacional sobre a extensão real dessas acusações. (Wikipedia)

De símbolo da ONU a símbolo do Estado judeu

O impacto simbólico da decisão é enorme.

O complexo da UNRWA em Jerusalém Oriental era visto por Israel como um enclave internacional dentro da capital israelense. Ao transformar o local em um museu militar e centro de recrutamento, o governo israelense envia uma mensagem política clara:

Jerusalém permanecerá sob soberania israelense, e estruturas consideradas hostis ou associadas ao terrorismo não terão mais espaço institucional no país.

A escolha da data também chama atenção. A aprovação ocorreu às vésperas do Dia de Jerusalém, celebrado em Israel como marco da reunificação da cidade após a Guerra dos Seis Dias de 1967. (ynetglobal)

Reações internacionais

Como esperado, a decisão gerou críticas internacionais.

Veículos árabes e organizações pró-palestinas classificaram a medida como uma tentativa de “apagar” a presença palestina e consolidar o controle israelense sobre Jerusalém Oriental. (The New Arab)

A ONU também já havia protestado anteriormente contra ordens israelenses para evacuação das instalações da agência em Jerusalém, alegando que propriedades da organização possuem imunidade diplomática internacional. (Wikipedia)

Ao mesmo tempo, setores da sociedade israelense consideram a medida uma resposta histórica após anos de denúncias contra a agência.

O significado histórico da decisão

Independentemente da posição política de cada lado, o fato é que Israel está encerrando definitivamente um capítulo iniciado há décadas.

A UNRWA foi criada em 1949 para atender refugiados palestinos após a Guerra de Independência de Israel. Durante mais de 75 anos, a agência esteve profundamente ligada à questão palestina e tornou-se uma das instituições mais controversas do Oriente Médio. (Wikipedia)

Agora, um dos seus principais complexos em Jerusalém será substituído por símbolos do aparato de defesa israelense.

Para muitos israelenses, trata-se de uma demonstração de soberania e de resposta ao terrorismo.

Para os críticos internacionais, é mais um passo no aprofundamento da disputa sobre Jerusalém e sobre o futuro da questão palestina.

Mas uma coisa parece clara: a relação entre Israel e a UNRWA chegou a um ponto de ruptura irreversível.

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