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Israel ex‑general revela segredos da crise que abalou o país

Durante três anos, o major‑general aposentado Avi Gil manteve silêncio, aguardando a criação de uma comissão estatal de inquérito que lhe permitisse depor sobre os acontecimentos que marcaram o período mais dramático da história recente de Israel. O ex‑secretário militar do primeiro‑ministro, que serviu sob Naftali Bennett, Yair Lapid e, por um ano e meio, sob Benjamin Netanyahu, esperava que a comissão investigasse “tudo” – desde as advertências sobre a preparação do Hamas até as decisões estratégicas tomadas durante a guerra que se seguiu ao ataque de 7 de outubro. Quando percebeu que tal comissão não seria criada, decidiu romper o silêncio, afirmando que “há muitas mentiras no ar e o público merece saber a verdade”.

Gil descreve sua trajetória ao lado de Netanyahu como testemunha direta de momentos críticos. Foi ele quem acordou o primeiro‑ministro na madrugada de 7 de outubro, informando que a guerra havia começado, e conduziu as primeiras ligações telefônicas, às 6:29 h e 6:40 h, nas quais foram discutidos os primeiros passos da resposta militar. Nos meses que se seguiram, permaneceu próximo ao líder, acompanhando deliberações sobre operações de campo, a crise dos reféns e controvérsias sobre supostas alterações em transcrições oficiais. Gil enfatiza que seu relato não tem objetivo de julgar ou pontuar desempenho; ele apenas apresenta os fatos como os vivenciou e registrou em tempo real, evitando revelar informações classificadas.

O ex‑secretário militar ressalta que, embora uma comissão de inquérito seja o foro adequado para apurar responsabilidades, a ausência desse mecanismo tem permitido que “meios de manipulação, meias‑verdades e mentiras” circulem entre a população. Ele afirma que dezenas de famílias enlutadas e antigos reféns o procuraram, pedindo que ele fale em nome deles, para que a realidade dos eventos seja conhecida sem “interpretações ou fofocas”. Gil também adverte que, ao se manifestar publicamente, tornará alvo de ataques de quem ele chama de “máquina venenosa”, que tentará difamá‑lo e destruir sua credibilidade, mas que ele está preparado para enfrentar tal retaliação.

A entrevista concedida por Gil, publicada em um veículo israelense, oferece um raro vislumbre do centro de comando do Estado durante a crise, revelando falhas de comunicação entre o governo e os chefes de segurança, bem como a dificuldade de detectar as preparações do Hamas apesar dos alertas internos. Seu depoimento sugere que a disputa entre Netanyahu e os altos oficiais de defesa, intensificada durante o controverso processo de reforma judicial, pode ter contribuído para a falta de ação preventiva.

As possíveis implicações desse relato são múltiplas. Primeiro, ele pode pressionar o governo a aceitar a criação de uma comissão de inquérito, atendendo à demanda da sociedade civil e das famílias das vítimas por transparência. Segundo, ao expor supostas falhas de liderança e de coordenação, pode alimentar críticas internas ao atual gabinete, especialmente ao primeiro‑ministro, que já enfrenta desgaste político por questões judiciais e de segurança. Por fim, ao alertar sobre a circulação de desinformação, Gil levanta a necessidade de reforçar a confiança entre as instituições e o público, essencial para a coesão nacional em tempos de conflito. Seu testemunho, portanto, não apenas registra um capítulo histórico, mas também se torna um ponto de partida para debates sobre responsabilidade, memória e a busca por justiça em Israel.


📖 Perspectiva Bíblica

“Aquele que fala a verdade declara justiça, mas o mentiroso, só engana.” (Provérbios 12:17)

Fonte original: Netanyahu's former military secretary breaks silence: 'The public is not being told the truth' — Israel Hayom

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