O ex‑refém Omer Shem Tov, que foi sequestrado pelos militantes do Hamas durante o ataque ao festival Nova, em 7 de outubro, e mantido em cativeiro na Faixa de Gaza por 505 dias, escreveu na última terça‑feira uma coluna de opinião para o *Wall Street Journal* criticando o documentário “NAZA”. O filme, produzido no Reino Unido por diretores israelenses – Yuval Abraham e Rachel Szor – recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza e tem como foco as mortes de civis palestinos provocadas pelos ataques aéreos da Força Aérea de Israel (IAF) durante a chamada “Guerra das Espadas de Ferro”. A obra baseia‑se em 24 depoimentos anônimos de soldados e oficiais da Unidade 8200, responsável por inteligência e seleção de alvos, e procura mostrar como o aparato militar israelense teria causado vítimas civis “desnecessárias, e até deliberadas”.
Shem Tov ressalta que o documentário ainda não foi exibido em Israel e que ele próprio não o assistiu. Contudo, ele afirma que a narrativa do filme ignora deliberadamente o ponto de partida da guerra – o massacre de 7 de outubro e o sequestro de centenas de israelenses – tratando o conflito apenas como um episódio de violência contra palestinos. Para o ex‑refém, essa omissão equivale a uma distorção da realidade, já que ele vivenciou, em primeira pessoa, a condição de “colateral damage” por mais de um ano e meio.
Em seu relato, Shem Tov descreve a terrível experiência de permanecer em apartamentos de Gaza onde os combates eram constantes. Além da fome, da tortura e do medo de nunca reencontrar a família, ele temia os bombardeios da IAF, que não sabiam onde ele estava. Em algumas ocasiões, seus captores, ao perceber a aproximação de um ataque israelense, fugiram do local, deixando-o para trás. Ele argumenta que, se um bombardeio o matasse, o Hamas “ganharia duas vezes”: ele morreria e Israel seria responsabilizado pela morte de um civil israelense.
Um episódio marcante que ele traz ao texto envolve a mãe de um dos seus sequestradores. Segundo Shem Tov, a mãe recebeu um telefonema do Exército israelense alertando‑a para abandonar a residência, pois um ataque poderia colocá‑la em risco. O Hamas, por sua vez, sabia exatamente onde o refém estava e, ao fugir, o deixou vulnerável. “Israel não sabia onde eu estava, mas sabia onde a mãe do meu sequestrador morava e ligou para garantir que ela não fosse atingida acidentalmente. Eu, então, estava sequestrado, faminto e torturado, enquanto o meu exército tentava salvar a mãe daquele homem”, escreveu.
O autor também afirma que Israel buscou trazê‑lo de volta, mas sem sacrificar civis palestinos. Para isso, o exército teria usado panfletos, mensagens de texto, chamadas telefônicas e ordens de evacuação, tentando minimizar o número de vítimas civis. Shem Tov critica a aparente contradição entre o esforço israelense para proteger civis e a narrativa do filme, que ele vê como uma tentativa de pintar Israel como responsável por “colateral damage” enquanto deixa de reconhecer que o próprio Hamas coloca civis israelenses em risco ao usar reféns como escudos humanos.
Ao final da coluna, Shem Tov denuncia a seletividade da cobertura midiática e cinematográfica, que, segundo ele, privilegia a culpa de Israel sem considerar que o conflito foi iniciado por um ataque terrorista que tirou centenas de vidas e raptou milhares. Ele conclui que, ao silenciar a história dos reféns e ao focar apenas nas vítimas palestinas, “NAZA” contribui para uma percepção distorcida da guerra, ignorando o sofrimento de quem foi mantido como refém por quase 1,5 ano. Essa crítica levanta questões sobre a responsabilidade dos realizadores ao retratar conflitos tão complexos e sobre a necessidade de se apresentar um panorama completo, que inclua tanto as vítimas palestinas quanto as israelenses.
📖 Perspectiva Bíblica
“Teme-me, Senhor, pois estou angustiado; chega-me a minha vida ao ponto de ser consumida.” (Salmos 31:9)
Fonte original: Former hostage Omer Shem Tov slams 'NAZA' film: 'For 505 days, I was collateral damage' — Israel Hayom
