O major‑general aposentado Avi Gil, que atuou como secretário militar do primeiro‑ministro durante o governo Bennett‑Lapid, decidiu romper o silêncio que manteve nos últimos três anos para relatar, com base em anotações feitas em tempo real, o que presenciou antes, durante e após o ataque de 7 de outubro. Gil, que se aposentou da Força de Defesa de Israel (IDF) há dois anos, afirma que sua motivação não é pessoal, mas o “bem do país”. Ele relata que recebeu pedidos de dezenas de famílias enlutadas e de ex‑reféns para contar a verdade, livre de interpretações ou boatos, e que só agora sentiu que a “linha vermelha” foi cruzada diante da avalanche de mentiras, meias‑verdades e manipulações que, segundo ele, circulam na esfera pública e nos meios de comunicação.
O papel de Gil como secretário militar o colocava no centro da relação entre o primeiro‑ministro e os principais órgãos de segurança – Ministério da Defesa, IDF, Shin Bet, Mossad, Comissão de Energia Atômica e outros. Ele tinha acesso a documentos sensíveis, participava de todas as reuniões estratégicas e servia como “ouvido e voz” do governo junto ao aparato de defesa, bem como vice‑versa. Essa posição fez dele uma testemunha crucial dos eventos que culminaram no ataque terrorista de Hamas em 7 de outubro, bem como das discussões internas que antecederam a catástrofe, inclusive os alertas do estabelecimento de segurança ao primeiro‑ministro sobre a possibilidade de um desastre.
Gil descreve que, durante os meses de turbulência política provocados pela tentativa de reforma judicial, ele acompanhou de perto as tensões entre o governo e as forças de segurança. Ele afirma que, na noite de 7 de outubro, recebeu informações alarmantes, mas que o primeiro‑ministro foi informado de forma insuficiente ou tardia. Segundo o ex‑oficial, a falta de uma resposta coordenada e a subestimação da ameaça permitiram que o Hamas executasse o ataque com sucesso, resultando em milhares de vítimas, sequestros e um trauma nacional profundo.
O major‑general também critica a ausência de uma comissão de inquérito oficial. Ele esperava que o Parlamento israelense criasse tal comissão para investigar o ocorrido, mas “não aconteceu e duvido que venha a acontecer”. Por isso, Gil pretende apresentar suas anotações – que datam de sua passagem pela Brigada de Paraquedistas até o último dia de serviço – como prova documental caso seja instaurada uma investigação. Ele alerta que, ao falar publicamente, será alvo de campanhas de difamação e tentativas de desqualificar sua credibilidade, mas reafirma que o foco deve ser a verdade sobre o Estado de Israel, não sua pessoa.
As declarações de Gil podem ter implicações significativas. Primeiro, reforçam a pressão interna para que o governo israelense reconheça falhas de inteligência e de comando no dia 7 de outubro, o que pode intensificar o debate sobre responsabilidade política e militar. Segundo, ao mencionar a “máquina do veneno” que tentará atacá‑lo, ele sugere que há esforços coordenados para silenciar críticos, alimentando a percepção de um clima de intolerância à dissensão dentro do país. Por fim, se o relato de Gil for corroborado por outras testemunhas, isso pode levar a novas exigências da sociedade civil e das famílias das vítimas por transparência, possivelmente culminando em uma comissão de inquérito ou em processos judiciais que busquem responsabilizar os tomadores de decisão. O testemunho do ex‑secretário militar, portanto, chega num momento delicado, quando Israel ainda lida com as consequências humanitárias e estratégicas do ataque, ao mesmo tempo em que enfrenta intensos debates internos sobre governança, segurança e o futuro da democracia israelense.
📖 Perspectiva Bíblica
“Melhor é o que tarda em irar-se do que o forte; e o que controla o seu ânimo, melhor do que o que toma cidades.” (Provérbios 16:32)
Fonte original: The man who woke Netanyahu at 6:29 a.m. breaks 3 years of silence: 'A pattern of criminal behavior' — Israel Hayom
