A verdadeira prova do presidente libanês Michel Aoun está apenas começando. Embora a reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha trazido alguns avanços diplomáticos, a realidade é que Aoun enfrenta desafios significativos. Um dos principais é a implementação do programa piloto de retirada das forças israelenses do sul do Líbano, que oficialmente começou após a reunião. Aoun conseguiu vincular a retirada a um acordo diplomático com Israel sem que as forças armadas libanesas precisassem usar a força. Isso foi um golpe importante para a estabilidade regional, pois evitou uma confrontação direta com as forças de Hezbollah.
Outra conquista de Aoun foi evitar uma reunião direta com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o que poderia ter criado tensões com a opinião pública libanesa. Embora a maioria dos libaneses apoie um acordo com Israel, há ainda uma resistência significativa à normalização completa entre Beirute e Jerusalém.
A reunião também estabeleceu um caminho diplomático separado para o Líbano, fortalecendo a sua independência como ator regional. Ao mesmo tempo, Aoun enfrenta desafios significativos, incluindo a possibilidade de fracasso das forças armadas libanesas em desmantelar a infraestrutura de Hezbollah no sul do país. Se isso acontecer, Israel pode não estar disposto a continuar a retirada piloto, o que poderia levar a uma escalada de violência.
Além disso, há o risco de Hezbollah interferir na confrontação regional entre a Irã e os EUA. Contra esse cenário, foram transmitidas advertências a Beirute de que um erro semelhante poderia arrastar o país para um novo período de conflito. Se Aoun pretende continuar a consolidar o cessar-fogo, esse desenvolvimento poderia retroceder o processo.
Outro desafio importante para Aoun é obter o apoio dos EUA para uma assistência extensiva às forças armadas libanesas. A Força Armada libanesa é atualmente fraca, com um orçamento anual de 1 bilhão de dólares e uma força de 60.000 homens. Mais importante ainda, quase metade do pessoal é xiita, o que significa que eles podem ter uma simpatia ou até mesmo colaboração com Hezbollah.
Além disso, alguns comandantes cristãos foram nomeados em anos anteriores pelo campo político de Hezbollah no Líbano, deixando-os menos dispostos a agir contra a organização terrorista. A US precisa examinar como a assistência adicional para essa Força Armada pode ser direcionada de forma inteligente e acompanhada de reformas, senão há sérias dúvidas de que a assistência produza o resultado desejado.
Enquanto isso, Aoun conduziu uma campanha midiática intensiva no Líbano nas últimas semanas para promover o acordo no face da crítica do campo de Hezbollah. O deputado Hassan Ezzedine do Hezbollah acusou Aoun de ameaçar a consensual nacionaL e de criar uma grande rachadura no país ao pressionar por negociações diretas com Israel e a desarmamento de organizações terroristas.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não julgues, e não serás julgado; porque com o julgamento com que julgares, serás julgado, e com a medida com que medires, lhe medirão a ti.” (Mateus 7:1)
Fonte original: Aoun's real test is only beginning — Israel Hayom
