O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, tem dedicado grande parte de sua agenda à diplomacia, entendendo que o campo de batalha internacional é tão decisivo quanto o militar. Em entrevista ao *Jerusalem Post*, Sa’ar destacou que a prioridade de seu ministério é consolidar a soberania de Jerusalém como capital única do Estado judeu, avançando na relocalização de embaixadas estrangeiras para a cidade. Essa iniciativa, que já conta com o apoio de alguns países europeus e latino‑americanos, visa romper o impasse histórico que, desde a década de 1990, manteve a maioria das missões diplomáticas em Tel Aviv, como forma de evitar reconhecer unilateralmente a reivindicação israelense sobre Jerusalém.
Sa’ar explicou que a estratégia diplomática parte da premissa de que a legitimidade internacional é essencial para a segurança de Israel. Ele ressaltou que, embora o poderio militar continue sendo um pilar fundamental, a capacidade de influenciar decisões em organismos como a ONU, a União Europeia e o Conselho de Segurança depende de relações bilaterais sólidas e de uma narrativa convincente sobre o direito de Israel existir em paz. Nesse sentido, o ministro tem intensificado o contato direto com governos de países estratégicos, especialmente na África, Ásia e América Latina, oferecendo cooperação em tecnologia, agricultura e segurança como forma de criar alianças que contraponham a crescente campanha de boicote, desinvestimento e sanções (BDS) promovida por grupos pro‑palestinos.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a tentativa de “despolitizar” a questão de Jerusalém, apresentando-a como uma realidade prática já estabelecida, em vez de um tema de disputa simbólica. Sa’ar argumenta que, ao mudar a percepção internacional, Israel pode reduzir a pressão sobre suas decisões de política interna, como a expansão de assentamentos na Cisjordânia, que ainda gera críticas intensas. Ele reconhece que a comunidade internacional permanece dividida, mas acredita que a crescente cooperação econômica com países que ainda não reconhecem plenamente as fronteiras de 1967 pode criar um novo bloco de apoio que diminua o peso das resoluções da ONU desfavoráveis a Israel.
Quanto às implicações regionais, Sa’ar adverte que a consolidação de Jerusalém como capital reconhecida pode desencadear reações adversas de atores como Irã, Hezbollah e grupos militantes palestinos, que poderiam intensificar ataques de foguetes ou operações clandestinas. Contudo, ele confia que o fortalecimento dos laços diplomáticos e a demonstração de que Israel está disposto a negociar acordos de segurança e desenvolvimento com vizinhos moderados – como os Emirados Árabes Unidos e Bahrein, cujas normalizações recentes servem de modelo – reduzirá a atratividade de movimentos extremistas.
O ministro também abordou a necessidade de reformar o próprio Ministério das Relações Exteriores, tornando-o mais ágil e capaz de responder rapidamente a crises emergentes, como as sanções econômicas impostas por alguns países europeus e a crescente campanha de desinformação nas redes sociais. Para isso, propõe a criação de uma “unidade de resposta rápida” que combine diplomatas experientes, especialistas em comunicação e analistas de inteligência, a fim de coordenar mensagens coerentes e contrapor narrativas negativas.
Em síntese, Gideon Sa’ar vê a diplomacia como o campo de batalha onde Israel deve conquistar vitórias duradouras. Ao promover a transferência de embaixadas para Jerusalém, ampliar parcerias estratégicas e modernizar a estrutura diplomática, ele busca garantir que o Estado judeu mantenha sua legitimidade e segurança em um cenário internacional cada vez mais hostil. As próximas semanas revelarão se essa abordagem conseguirá efetivamente equilibrar a pressão militar com a necessidade de reconhecimento global, moldando o futuro da política externa israelense.
📖 Perspectiva Bíblica
“Portanto, buscai a paz, e esforçai-vos por ela, pois, sem ela, não pode prosperar o povo.” (Salmos 122:6)
Fonte original: For FM Gideon Sa'ar, Israel's diplomatic battlefield is as important as the military one — Jerusalem Post
