Hannah Pasternak‑Shames chegou a Israel ainda jovem, carregando a esperança de encontrar um lar que fosse, ao mesmo tempo, físico e espiritual. Nascida em São Paulo de pais imigrantes que fugiram da Europa durante a Segunda Guerra Mundial, ela cresceu cercada por histórias de sobrevivência e de reconstrução, mas sentia que faltava algo que a ligasse de forma mais direta à terra dos seus antepassados. Foi então que, ainda na adolescência, decidiu fazer as malas e embarcar para Israel, motivada tanto por um desejo de pertencimento quanto pela curiosidade de conhecer a realidade que tantas narrativas descreviam.
Ao chegar, Hannah encontrou um país ainda em processo de consolidação, onde a diversidade de povos — judeus de todas as origens, árabes, drusos, beduínos e imigrantes recentes — coexistia em um mosaico complexo. Em vez de se acomodar em um bairro já estabelecido, ela optou por “caminhar a terra”, participando de projetos de trilhas e de exploração arqueológica que a levaram a percorrer desde as colinas de Jerusalém até as planícies do Negev. Cada passo era, para ela, uma aula viva de história: ao atravessar ruínas milenares, ao observar os campos cultivados pelos kibutzim e ao conversar com agricultores que ainda utilizam técnicas transmitidas por gerações, Hannah começou a compreender a profunda ligação entre o povo e a paisagem.
Foi nesse percurso que nasceu sua vocação de “wayfinder”, ou guia de caminhos. Percebendo que muitas pessoas — tanto judeus da diáspora quanto turistas — chegam a Israel com uma visão fragmentada ou romantizada, ela decidiu transformar sua experiência pessoal em uma ferramenta educativa. Fundou então a “Rota da Memória”, um programa que combina caminhadas guiadas, narrativas históricas e momentos de reflexão sobre a identidade coletiva. As trilhas são estruturadas em torno de marcos simbólicos: o Muro das Lamentações, o Monte Carmelo, o Vale de Hula e as aldeias beduínas do deserto. Em cada parada, Hannah relata não apenas os fatos históricos, mas também as histórias de famílias que viveram ali, destacando a resiliência e a capacidade de adaptação que caracterizam o povo israelense.
O impacto do seu trabalho tem sido notável. Turistas que antes viam Israel apenas como “terra bíblica” passam a reconhecer a continuidade entre passado e presente, percebendo que a história não está confinada a livros, mas se manifesta nas rotas agrícolas, nas sinagogas modernas e nas tensões cotidianas. Além disso, seu programa tem atraído jovens judeus da diáspora que, ao percorrer a mesma terra que seus antepassados conheceram, sentem-se mais conectados à sua própria identidade. Muitos relatam que a experiência os motivou a se engajar em projetos de voluntariado, estudo da língua hebraica e até mesmo a considerar a imigração.
As implicações desse fenômeno vão além da esfera turística. Ao promover um entendimento mais profundo e humano da história de Israel, Hannah contribui para a construção de pontes entre diferentes comunidades dentro do país. Seu enfoque na narrativa compartilhada — que inclui tanto a memória judaica quanto as histórias dos árabes, drusos e beduínos — favorece um diálogo que, embora ainda limitado, abre espaço para a reconciliação e para a valorização da pluralidade cultural. Em um contexto onde a polarização política costuma dominar o discurso público, iniciativas como a de Hannah demonstram que a educação experiencial pode ser um caminho eficaz para reduzir preconceitos e fortalecer o senso de pertencimento coletivo.
Em síntese, Hannah Pasternak‑Shames transformou sua busca pessoal por um lar em um projeto coletivo de orientação e aprendizado. Ao caminhar literalmente pelos caminhos de Israel e ao contar as histórias que surgem ao longo da jornada, ela se tornou uma guia que ajuda outros a descobrir não apenas a geografia do país, mas também a complexa tapeçaria humana que o compõe. Seu trabalho evidencia como a conexão profunda com a terra pode servir de alicerce para a identidade nacional e para a construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente de suas raízes.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: Peoples of Israel: Hannah Pasternak-Shames, the wayfinder — Times of Israel
