Miriam Mattova, modelo residente em Toronto e ex‑Miss Eslováquia, tem usado sua visibilidade pública para combater o antissemitismo desde o início da ofensiva de 7 de outubro contra Israel. A militância da jovem, que se declara orgulhosamente judia, ganhou contornos ainda mais dramáticos quando, após relatar um caso de discriminação envolvendo a Uber, passou a ser alvo de uma enxurrada de ameaças de morte e mensagens de ódio nas redes sociais. “Comecei a receber uma quantidade enorme de ameaças de morte, assédio antissemita, só porque sou judia”, contou à Israel Hayom, revelando que o bombardeio virtual acabou por transformar sua luta em uma batalha pessoal e angustiante.
As ameaças foram tão graves que Mattova precisou acionar a polícia de Toronto e a unidade de crimes de ódio, mas, mesmo assim, sente que o aparato institucional ainda não oferece a proteção necessária. “Tenho segurança 24 horas por causa disso. Não saio do apartamento depois de escurecer; minha vida mudou drasticamente”, afirmou. Entre as mensagens mais perturbadoras estava a frase “Espero que alguém termine o que Hitler começou”, além de outras que desejavam a morte de sua família inteira. O assédio não se restringe a mensagens privadas; comentários odiosos aparecem nos próprios posts públicos da modelo, onde sua mãe, avó e demais familiares podem lê‑los.
Com o tempo, Mattova reconhece que se acostumou ao fluxo constante de ódio, ao ponto de não se surpreender mais com as ofensas. Essa dessensibilização, porém, não diminui a gravidade do fenômeno. Ela alerta que a internet não criou o antissemitismo, mas amplifica a sensação de impunidade, permitindo que indivíduos se escondam atrás de perfis anônimos e lancem ameaças sem temer consequências. “Estamos normalizando ameaças de morte. Estamos normalizando o assédio”, enfatiza, ressaltando a necessidade de tratar o discurso de ódio como crime real, e não como mera “liberdade de expressão” digital.
O caso específico com a Uber acabou sendo resolvido, mas, para Mattova, isso representou apenas o ponto de partida de um debate mais amplo sobre discriminação, responsabilidade corporativa e regulação das plataformas sociais. Em parceria com o advogado Howard Levitt, ela tem pressionado o Meta (controladora do Facebook e Instagram) a adotar medidas mais eficazes contra o assédio online. “Apagar comentários não resolve nada. Não muda nada”, critica, apontando que a solução exige respostas rápidas e concretas: remoção de contas responsáveis, bloqueio de conteúdos e, sobretudo, investigação de ameaças credíveis dentro de 24 horas.
A militância de Mattova reflete um cenário que afeta não só a comunidade judaica, mas todas as minorias que enfrentam hostilidade virtual. Ao transformar sua experiência pessoal em um chamado à ação, ela busca que governos, empresas de tecnologia e a sociedade civil reconheçam que o ódio online tem consequências reais e que a proteção das vítimas deve ser prioridade. Enquanto isso, a modelo continua a defender Israel e a sua identidade judaica, mesmo sob a sombra de ameaças que a obrigam a viver sob constante vigilância. O caso evidencia a urgência de políticas públicas mais robustas contra o antissemitismo e o discurso de ódio na era digital, bem como a necessidade de uma cultura de responsabilidade que desestimule a impunidade dos agressores.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: 'I couldn't stay silent': Miriam Mattova's fight against antisemitism after receiving death threats — Israel Hayom
